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Reforma de casa ou apartamento requer planejamento, bons profissionais e diplomacia

Por Ercilia Souza

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Reforma de casa ou apartamento requer planejamento, bons profissionais e diplomacia

Todos que já fizeram reforma em sua própria casa sabem o quanto pode ser desagradável. Depois de tudo pronto e limpo é outra coisa mas, durante a obra, a inda e vinda de pedreiros e pintores, a entrada e saída de materiais, a sujeira por toda a parte, os fornecedores que não cumprem a palavra e, pior de tudo, o orçamento estourado são coisas que desanimam quem ousa pensar em reformar novamente. Estes inconvenientes, entretanto, podem ser muito atenuados pelo uso de profissionais qualificados para planejar e administrar.

Quando o carro quebra, geralmente se leva a um mecânico para consertar. Poucos são os que se arriscam a consertar por si mesmos, e quando isto acontece é por absoluta falta de dinheiro ou então por hobby. Na construção e reforma de casas e apartamentos acontece a mesma coisa mas, como o volume de dinheiro é muito maior, a tentação de se arriscar por conta própria é igualmente maior.

Entretanto, justamente pelo maior volume de dinheiro envolvido, reformar ou construir não é serviço para amadores. Visto por muitos como luxo desnecessário, o trabalho do Arquiteto e do Engenheiro é fundamental para manter o custo dentro do razoável e também para conseguir o melhor resultado possível dentro do orçamento proposto.

Claro que é tentador fazer as coisas por conta própria. Basta surgir um dinheirinho extra que aumenta aquela vontade de derrubar uma parede, reformar a cozinha, trocar o piso e outros detalhes para melhorar a residência. Mas calma, antes de começar as obras é preciso saber que, sem planejamento, a tarefa pode se tornar um pesadelo que vai acabar dragando todo dinheiro e ainda deixar dívidas.

Planejamento é essencial
Em primeiro lugar é preciso definir exatamente o que vai ser feito e o quanto se pretende gastar. Esse passo vai orientar o tipo e quantidade de materiais a comprar e quais profissionais serão contratados, entre outras despesas.

É importante manter os pés no chão e distribuir bem a verba disponível, para tanto é essencial ter um orçamento detalhado, com o preço dos itens muito bem pesquisados, para que o fim do dinheiro não chegue antes do final da obra.

Uma vez tendo consciência da necessidade de planejar, é fácil verificar como é importante contratar um profissional de projeto, preferivelmente um arquiteto experiente.

Na falta deste, um engenheiro civil com prática em obras de pequeno porte também poderá atender perfeitamente, mas até pela própria formação escolar realmente o recomendável é mesmo o arquiteto.

Seja qual for a escolha do orientador, o importante é que a pessoa sem experiência em projeto e construção não se meta a fazer as coisas por conta própria, o barato pode sair caro. Um profissional de projeto cobra entre 5 a 25% do valor da obra, valor que pode incluir também a supervisão da construção e que pode facilmente ser retirado da economia que vem do planejamento.

Cuidado com o “jaquê”
O “jaquê” é o terror das reformas e responsável por quase todos os estouros de orçamento. Se você ainda não ouviu esta gíria, trata-se do seguinte:

As pessoas começam uma reforma, aí começam a pensar coisas como:

— Já que eu estou fazendo a reforma do piso, porque não tirar esta parede?
— Já que quebrei essa parede, porque não fazer também um banheiro a mais?
— Já que vou fazer um banheiro, porque não fazer mais um quarto?

Este é o famoso “jaquê”, tão temido pelos arquitetos e empreiteiros, pois pode levar à completa mudança de planos e presumível estouro do orçamento.

É admissível que o proprietário pense em melhorar sua obra, a empolgação com as mudanças na casa pode trazer idéias novas, mas é preciso controlar estes impulsos. Caso você identifique este tipo de comportamento — em si mesmo ou nos outros! — dê uma olhada no planejamento inicial, especialmente no orçamento, para “recobrar a consciência” e decidir que rumo seguir. Evite pensar coisas como “Ah, se não fizer agora, não faço nunca mais” ou “Ora, vai sair mais caro, mas em algum lugar arrumarei o dinheiro”.

Este tipo de pensamento, em obra, definitivamente NÃO funciona. Pense bem: se o proprietário economizou tudo o que podia, durante anos, para fazer determinada obra, não vai ser de uma hora para outra que vai juntar mais dinheiro, até porque em construção NADA é barato, tudo custa um bom dinheiro e os custos podem subir em proporção geométrica.

Comprando material e contratando mão-de-obra
Na hora de comprar o material é preciso pesquisar bastante, pois as lojas apresentam grandes diferenças nos preços, formas de pagamento e nos juros. Existe muita diferença, também, em relação à especificação e qualidade do material. Digamos que você vai comprar areia, apenas o preço por metro cúbico não representa o que realmente vai pagar. É preciso conferir a qualidade da areia, pois areias de má qualidade aumentam o consumo de cal e cimento, e combinar como será recebido o material na obra, é que os bons fornecedores recebem pela medição feita em obra e não pelo que estiver na nota fiscal.

Mais um exemplo: quando se vai comprar cerâmica, os preços variam muito, mais de 150%, e como escolher? Será que aquela cerâmica de R$ 10 o metro atende à necessidade, ou será que é realmente preciso pagar R$ 40 por aquela cerâmica que parece ser tão bonita quanto a de R$ 100?

Outra questão é quanto à forma de pagamento. Alguns fornecedores anunciam preços sem juros, mesmo que parcelados, mas se você pedir desconto pode se surpreender, principalmente para pagamento à vista e, ainda mais, se for em dinheiro vivo ou transferência bancária, diminuindo os riscos do vendedor.

Quem não puder pagar à vista, pode optar por financiar o material, mas sempre alerta aos juros cobrados pelos bancos. Uma das opções são as linhas de crédito para material de construção de bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, financiados com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e com o FGTS. As lojas de material costumam indicar financeiras e bancos que trabalham com estes financiamentos, seu gerente de banco também poderá orientá-lo.

Demos todos estes exemplos para ilustrar como as diversas maneiras que um fornecimento de material pode ser negociado, e isto quando se trata de produtos com preço certo e definido. O que dizer, então, da mão-de-obra? Os orçamentos podem variar em proporção ainda maior, só que a avaliação do orçamento e da posterior execução dos serviços requer olho clínico, anos de vivência em obra para saber se o serviço está sendo bem executado e se está dentro do previsto.

Não esqueça da diplomacia
É difícil reformar uma casa, mas fazer obras num apartamento é muito mais difícil pois existe a dificuldade para subir material e descer entulho. Serão muitas toneladas e vários metros cúbicos de material que serão transportados pelo elevador, horas e horas esperando que ele chegue, para depois carregar e descarregar, centenas de vezes. E o barulho, então? Qual é o vizinho que gosta?

Por estes fatores, reformas em apartamento são verdadeiros teste de paciência e diplomacia. O novo Código instituído pela Lei 10.406 que entrou em vigor em 11/1/2003, quando trata do direito de vizinhança e do uso anormal da propriedade, nos artigos 1.277 a 1.281, determina algumas limitações ao domínio, com base no interesse privado

Além desta legislação federal, os municípios possuem ainda leis que limitam a emissão de barulho até às 22h00, no máximo, mas os condomínios possuem autonomia para modificar esse horário para menos ainda, dependendo da convenção de seu condomínio, portanto, é bom consultá-la antes de iniciar o quebra-quebra.

Uma questão importante é não prolongar o trabalho na obra até depois das 17h00, já que a maior parte dos moradores começa a chegar em seus lares após o trabalho a partir deste horário, e certamente você não quer criar inimizade com seus vizinhos. Você está no seu direito ao fazer a reforma, mas se houver abuso você poderá ser notificado pelo síndico e, em casos mais sérios, algum vizinho pode entrar na Justiça para pedir embargo de sua obra.

Em apartamentos, cuidado redobrado ao contratar a mão-de-obra. É preciso escolher profissionais acostumados a trabalhar em condomínios, pois saberão seguir as regras impostas e não cometer barbaridades como lavar o chão da sala que está apenas no contrapiso, o vazamento de água no apartamento de baixo será, perdoe-nos o trocadilho, líquido e certo, assim como será o prejuízo de ter que refazer a pintura do vizinho.

A diplomacia é necessária também para lidar com as pessoas envolvidas. Qualquer fornecedor vai se sentir com mais vontade de entregar determinado serviço ou mercadoria quando o cliente o tratou com honestidade e respeito. Claro que os maus fornecedores devem ser tratados com toda a energia necessária e, se ainda assim não resolver, deve-se usar imediatamente os meios legais.

A questão da diplomacia com a mão-de-obra é ainda mais complicada do que lidar com as lojas. O pessoal que trabalha em obra costuma achar que o “patrão” tem dinheiro, logo sempre dá para cobrar um pouco mais caro, ou então dar uma reforçada no orçamento “cobrando bem” pelos extras que, por melhor que seja o planejamento, em uma reforma sempre existirão.

É uma arte saber lidar com os operários. Se formos amigos e camaradas em demasia, vão começar a pensar que são tão importantes que podem fazer o que bem entenderem. Se os tratarmos mal, ficam com raiva e começam a “matar” o serviço.

Claro que existem os bons profissionais, mas esta minoria que age assim, infelizmente, obriga os proprietários e empreiteiros a serem bem mais profissionais e claros em seus pedidos e contratos. É como se diz, “o combinado não é caro”, por isto, ao contratar um pedreiro, encanador, eletricista e qualquer outro profissional de obra deixe muito claro o que está sendo contratado, o quanto vai ser pago e como. Ah, e ponha tudo por escrito e peça para assinar, por mais simples que seja o serviço.

Atenção aos pequenos detalhes
Uma reforma, por pequena que seja, pode acabar trazendo problemas no futuro que resultarão em despesas maiores do que o previsto e, pior, inesperadas. Assim, alguns cuidados garantem maior tranqüilidade no futuro. Acompanhe alguns deles:

Acabamento: Merece atenção especial. Entre outros cuidados, é preciso massear e lixar as paredes antes da pintura para deixá-las uniformes e também para remover sujeiras, óleos e pó que dificultam a aderência da tinta nova. Se for embutir móveis, deixe para dar a última demão de tinta na parede após a instalação. Isso também vale para aplicação de resina do tipo “Sinteko” no assoalho de madeira.

Tinta: Antes de aplicá-la é preciso limpar bem as paredes previamente lixadas, para evitar que a pintura descasque. Deve-se evitar o uso de tinta tinta muito diluída, e não pintar sobre paredes úmidas. Um especialista poderá indicar a necessidade de aplicar um fundo preparatório antes da aplicação da tinta.

Rejunte: A massa para rejunte e a argamassa para fixação de pisos e azulejos são perecíveis. Após misturadas com água, devem ser utilizadas em até duas horas. Depois disto o azulejo pode se soltar com o tempo. Rejuntes escuros ficam com aparência de velhos mais cedo, principalmente em paredes e e locais que recebem sol direto.

Pisos: Caso o piso não seja trocado, proteja-o contra riscos durante toda a obra, especialmente se for de madeira. Utilize placas de madeira compensada ou de borracha para proteger as áreas de passagem.

Elétrica e hidráulica: Não se esqueça de evitar o “Jaquê”, mas aproveite a oportunidade da reforma para checar o estado da parte elétrica e hidráulica e fazer reparos, se forem necessários. Encare o serviço como um investimento no imóvel e um seguro contra aborrecimentos futuros. Caso seja preciso substituir a tubulação hidráulica, procure usar PVC nos tubos de água fria e o novo PPr nas de água quente, em substituição ao cobre.

Tomadas: Nunca haverá o suficiente. Faça um projeto com novos pontos para elas, e preveja também pontos e tubulação para a fiação de telefones, TV a cabo, Internet e até de som, caso tenha pretensão de instalar um sistema de Home Theatre. Lembre-se de que os eletrodomésticos modernos, como forno de microondas, máquinas de lavar e secadores de cabelo, consomem muita energia e fios muito finos podem causar incêndios e aumentar a conta de luz.

Estes são apenas pequenos exemplos dos cuidados a serem tomados, por isto é que recomendamos: contrate um profissional devidamente habilitado para administrar sua obra, o que vai ser pago a ele compensará de sobre pela economia e qualidade obtidos!

Conclusão
Procuramos levantar alguns dos problemas mais comuns em reformas residenciais.

Se você está pensando em reformar sua casa, pense em tudo o que dissemos e procure um bom profissional para ajudá-lo.

Ercilia Maria Souza

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Retrofit – O que é?

Cada vez mais ouvido no meio da construção, o termo retrofit aplica-se ao processo de revitalização de edifícios.

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Cada vez mais ouvido no meio da construção, o termo retrofit aplica-se ao processo de revitalização de edifícios.

Cada vez mais ouvido no meio da construção, o termo retrofit aplica-se ao processo de revitalização de edifícios. Mais do que uma simples reforma, ele envolve uma série de ações de modernização e readequação de instalações. O objetivo é preservar o que há de bom na construção existente, adequá-la às exigências atuais e, ainda, aumentar a sua vida útil.

Qualquer edifício, residencial ou comercial, pode passar por um retrofit. A quantidade e tamanho das obras vão depender da necessidade de reforma e dos recursos disponíveis. Os serviços podem contemplar, por exemplo, a troca do revestimento da fachada, a substituição dos elevadores e do sistema de ar-condicionado, além da renovação de encanamentos, cabos e eletrocalhas. Em casos mais extremos, o retrofit pode modificar completamente a edificação, chegando, inclusive, a alterar o seu uso.

As diferenças entre um retrofit e uma obra convencional estão muito mais ligadas à forma de se trabalhar. “A maneira de executar uma alvenaria não muda se a obra é nova ou se é um retrofit. O que difere são as condições de trabalho, que no retrofit muitas vezes ocorre em espaços limitados e com o prédio em funcionamento.

Etapas da obra

Demolição
Geralmente o retrofit começa com a demolição controlada de partes da construção existente. Um tipo de demolição muito co­­­mum é o de paredes para a ob­­­tenção de maior área útil. O serviço pode empregar desde marteletes rompedores até equipamentos mecanizados, como tesouras hidráulicas rotativas.

Reforço de estrutura
O reforço estrutural é necessário principalmente quando há au­­­mento da capacidade de suporte da estrutura devido à alteração de uso. O serviço pode ser realizado por meio de várias técnicas, co­­­­­­­­­­­­­­­mo a adição de chapas de aço e de fibras ­­­­de carbono, ou encamisamento de concreto. 

Fechamento
Não há diferença técnica no fechamento realizado em retrofits e em construções novas. Na modernização de prédios antigos, contudo, uma prática comum é o uso de drywall para os fechamentos internos. Por serem mais leves as chapas de gesso acartonado causam menos impacto na estrutura existente.

Acabamentos
Nessa etapa, o retrofit pode servir também para tornar o edifício mais sustentável ao empregar, por exemplo, materiais recicláveis e que exigem menos manutenção.

Elétrica, telefonia e dados
Muitas vezes são as deficiências nas redes de elétrica, telefonia e dados que levam à realização de retrofits. A modernização dessas instalações vai desde a substituição de todo o cabeamento, à instalação de novas caixas de distribuição capazes de suportar a maior quantidade de cabos dos dias atuais.

Hidráulica e ar-condicionado
O retrofit oferece uma ótima oportunidade para se avaliar e renovar as instalações de água e esgoto. A instalação de equipamentos de ar-condicionado mais eficientes contribui para reduzir o consumo de energia. Além disso, dependendo do sistema escolhido, a modernização do ar-condicionado pode contribuir para liberar área útil.

Piso elevado
Em retrofits de edifícios comerciais, a instalação de piso elevado ajuda a organizar e esconder fios e cabos. Associado a edifícios inteligentes e flexíveis, o sistema também é importante para permitir futuras mudanças no local, sem exigir quebra-quebra.

Fachada
A revitalização de fachadas pode incluir a substituição de pastilhas, a troca de esquadrias, o mapeamento de falhas, o tratamento de fissuras, a colocação de pingadeiras, entre outros serviços. Costuma empregar equipamentos de movimentação de carga, que aumentam a produtividade.

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Imóveis: vistoria para entrega das chaves exige atenção do proprietário

Ao constatar defeitos aparentes no imóvel, o proprietário deve reclamar por escrito à construtora no prazo de 90 dias.

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– Na hora de receber as chaves do imóvel, o proprietário deve realizar a vistoria prévia do bem para evitar problemas ou gastos desnecessários.

Para realizar uma vistoria eficiente, aconselha-se  que o proprietário faça uma análise minuciosa da parte elétrica, hidráulica, pintura, janelas, persianas, vidros, revestimentos cerâmicos, louças, metais, ralos e metragem de cada cômodo do apartamento, entre outras particularidades.

Ao constatar defeitos aparentes no imóvel, o proprietário deve reclamar por escrito à construtora no prazo de 90 dias. Caso o erro seja exposto no dia da vistoria, os reparos devem ser feitos pela construtora em até 30 dias.

Aconselha  se que no momento da compra todas as propagandas feitas na mídia e folhetos disponíveis no stand da construtora sejam guardados. Também é imporante exigir da incorporadora, no momento de fechar o contrato, todas as especificações do imóvel que será entregue. Todos esses cuidados serão úteis para servir de comparação no dia da inspeção, sem esquecer-se de levar a cópia do memorial descritivo”, esclarece.

Ansiedade
A ansiedade pela entrega das chaves acabam atrapalhando todo processo de vistoria. “Percebemos que na ânsia de receber as chaves ou até mesmo por desconhecimento técnico, o proprietário não toma as devidas precauções na verificação do empreendimento. Por isso, que nesta etapa é importante ter um auxílio de um profissional especializado para que possa ajudar caso encontre erro no apartamento”,.

Caso o proprietário não consiga fazer um acordo com a construtora, ele pode entrar com um pedido de indenização ou solicitar a rescisão do contrato com a atualização dos valores e acrescido de multa.

Se o vício for oculto, a reclamação escrita deve ser feita no prazo de um ano. Se a construtora não solucionar o problema de forma amigável, o comprador prejudicado tem o prazo de até 20 anos para recorrer ao judiciário conforme decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça). O pedido para entrar com a ação deve estar acompanhado do laudo técnico de arquiteo ou engenheiro civil discriminando os vícios e defeitos e até fotos dos problemas. Antes o tempo de garantia era de cinco anos a partir da liberação do Habite-se.

O dono do imóvel tem o direito de não assinar nenhum termo de recebimento das chaves ao constatar que o imóvel está com problemas estruturais ou até mesmo falhas no prédio.  Nessas situações é indicado que o proprietário formalize a queixa informando os reparos a serem realizados”, afirma, explicando que  de qualquer forma, com ou sem vistoria, se o empreendimento está com o atraso na entrega cabe o mutuário receber multa diária de 2% e mais os juros de mora de 1% por mês da demora sobre tudo que já pagou, além de danos morais e materiais.

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A casa ou o edifício como terceira pele

“Terceira Pele” para identificar a moradia do ser humano. Ou seja: nós teríamos, na verdade, segundo aquela matéria, 3 (três) “camadas de pele”.

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“Terceira Pele” para identificar a moradia do ser humano. Ou seja: nós teríamos, na verdade, segundo aquela matéria, 3 (três) “camadas de pele” :

a) Primeira Pele: aquela, de nascença ou “de fábrica”, distinguindo as raças branca, amarela, negra, etc.
b) Segunda Pele: roupas ou vestimentas, que ocultam a nudez animal e nos protegem de temperaturas estranhas à do nosso corpo ;
c) Terceira Pele: o abrigo, a moradia .

A abordagem é extremamente interessante e oportuna, permitindo fazer algumas considerações sobre características e desempenhos das “cascas” que nos envolvem:

1 – “PRIMEIRA PELE”
O exame, ao microscópio, permite ver que a pele humana é muito mais porosa, fissurada ou “esburacada” do que pode parecer ao olho nu. Pelas mesmas fendas que expulsam o suor (expelindo toxinas e contribuindo para o equilíbrio térmico do corpo), podem penetrar cremes hidratantes, pomadas medicinais, variadas impurezas, bactérias, fungos, ácaros e diversos produtos tóxicos. Para se ter uma ideia da vulnerabilidade dessa “casca”, basta a terrível informação sobre o gás dos nervos “VX”, sintetizado por inglese e norte-americanos a partir de 1952, que age sobre os neurotransmissores do nosso sistema nervoso central: basta 1/3 de um miligrama, absorvido pela pele, para matar um ser humano (se a vítima “tiver sorte”, a agonia durará apenas poucos minutos, passando por suor abundante, tonteiras, vômitos, perturbações da visão, fezes e urina expelidas descontroladamente, rigidez muscular e asfixia final). Se é apavorante imaginar centenas de toneladas de tal substância armazenadas em depósitos militares, deveríamos atentar, também, para os perigos menores que rondam a nossa “embalagem” corporal e que podem, no longo prazo, provocar sérios danos a nossa saúde: não costumamos dar a devida importância às composições de pomadas, cremes, sabonetes, shampoos, desodorantes, tinturas capilares, detergentes e sabões; nem nos lembramos de que já é comum a “injeção”, de hormônios e vitaminas, através da pele, por meio de discos adesivos ou gelatinas. Tampouco damos a devida atenção ao correto manuseio de desinfetantes, limpantes e inseticidas (o gás “Tabun”, de Hitler, foi desenvolvido, em 1936,a partir de um simples defensivo agrícola!..).Assim, preferimos achar que não existem riscos e que “apenas os alérgicos” são sensíveis aos eventuais efeitos tóxicos desses produtos; nós, os chamados “normais”, temos corpos saudáveis e “somos imunes”. Ledo e ivo engano, como diria Carlos Heitor Cony …

2 – “SEGUNDA PELE”
As roupas, de um modo geral, formam nossa “Segunda Pele”. Incluem-se, aqui, tanto calçados e roupas diurnas como as chamadas roupas de cama (pijamas, camisolas, lençóis e cobertores); sem esquecer as toalhas e lenços, que esfregamos no corpo e no rosto. Resíduos químicos de sabões, amaciantes e limpantes (tecidos mal enxaguados), assim como fungos e ácaros (colchões, interiores de sapatos ou tênis, armários mal ventilados, vazios prediais em geral e divisórias ocas são perfeitos refúgios e meios de reprodução), acabam depositados e alojados nas fendas da pele e podem provocar, no longo prazo, importantes danos à saúde. Assim, todas essas “coberturas provisórias” do corpo deveriam merecer atenção e cuidado muito especiais. Cá entre nós: existe coisa mais “besta” do que secar os pés, após um caprichado banho, e enfiá-los no sapato de véspera (de couro, ou lona, escuro e umedecido pelo suor), em cujo interior colônias de fungos cresceram, explosivamente, durante a noite ? ?…

3- “TERCEIRA PELE”
Nossa casa (ou apartamento) acaba desempenhando a função de “Terceira Pele”. De fato, com a finalidade de “deixar lá fora” a chuva, o vento, as temperaturas extremas e a insolação excessiva, a moradia será a nossa “terceira casca”. Mas estará ela cumprindo, integralmente, essas funções ?

Experimente reunir a família e ler em voz alta:
a) O projeto considerou, na implantação do prédio, a captação de radiações solares benéficas (germicidas e fungicidas) ?
b) As paredes externas são realmente estanques, não encharcando, com chuva, através de trincas nos revestimentos ou por fissuras em rejuntes de lajotas “nobres” (cerâmicas, pastilhas, pedras naturais, etc ) ?
c) As faces internas das paredes externas são secas (sem fungos ou pulgões) e os armários, nelas encostados, são isentos de bolores ?
d) As janelas possuem bandeiras superiores móveis que permitam arejar os ambientes mesmo na ausência dos moradores ?
e) Nosso apartamento possui inacessíveis forros falsos ou divisórias ocas, capazes de alojar insetos e aranhas ?
f) Alguém, da nossa família, vem sofrendo de coriza, rinite, bronquite, crises de asma ou de distúrbios semelhantes ?
g) Caso afirmativo, o médico foi informado das reais condições físicas e bolores de nossa moradia ?
h) E nós, leitores deste artigo, ainda preferimos acreditar que o clima da nossa cidade é o “único culpado” por todos esses problemas ?…
i) E quanto ao Papai Noel ? .. E, quem sabe, o Saci Pererê ? …

4- NOSSA MENSAGEM
As presentes reflexões, paralelos e ironias, talvez possam servir para que proprietários e administradores (principalmente em edifícios altos) adotem uma postura mais cuidadosa e prudente, pois estamos abordando algo que vai muito além da simples conservação do patrimônio físico. Caso contrário, as “broncas indignadas”, por infiltrações pluviais, continuarão esquecendo os seres humanos e concentrando-se, apenas, em eventuais pingos que caem, dos tetos de garagens, sobre reluzentes e indefesos capôs de automóveis …

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