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Ciência

Chuva de meteoros Oriônidas começa nesta sexta com pico na madrugada de domingo

Fenômeno, que poderá ser visto em todo o Brasil, ocorre anualmente quando a Terra passa por detritos deixados pelo cometa Halley.

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Entre a noite desta sexta-feira (20) até terça (24), quem tiver paciência e olhar para o céu por pelo menos uma hora poderá avistar a chuva de meteoros Oriônidas. O pico deve ser na madrugada de domingo (22), com maior quantidade de meteoros cerca de 45 minutos antes do amanhecer.

Segundo o astrônomo Gabriel Hickel, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei-MG), o fenômeno poderá ser visto de todo o Brasil.

Ele informa que as regiões Norte e Nordeste do país devem ter cerca de 20 a 35 meteoros por hora no pico da chuva. Já nas regiões Centro-Oeste e Sudeste deverão ser de 16 a 27. Na região Sul o número será o menor, com máximo de 12 a 23 meteoros por hora.

“Se você olhar para o céu durante toda a noite, vai conseguir ver a chuva. Tem o pico que ocorre, na medida em que o radiante dos meteoros vai subindo, mas dá para ver durante toda a noite”, diz Cássio Barbosa, astrônomo e autor do blog Observatório.

Onde ver a chuva de meteoros

Apesar de algumas indicações apontarem que o fenômeno é visto com mais facilidade quando o olhar se volta para a Constelação Órion (por isso, o nome Oriônidas), Hickel avisa não ser preciso olhar para um ponto específico. Mas há um lugar ideal: na praia, de preferência, com baixíssima luminosidade.

“Para ver uma chuva de meteoros você só precisa dos seus olhos, uma cadeira de praia e motivação. Não há região específica do céu a olhar. O ideal é procurar um lugar escuro, longe da poluição luminosa das grandes cidades, com o horizonte livre” , comenta Gabriel Hickel.

A melhor posição é deitado, diz o astrônomo, e o ideal é olhar para o céu por pelo menos 1 hora para ver um número razoável de meteoros. A Lua, diz Hickel, estará crescente e não irá atrapalhar a observação.

A chuva de Oriônidas ocorre quando a Terra passa por uma região com altas concentrações de detritos oriundos do cometa Halley. O cometa é visível a partir da Terra a cada 75 anos e sua última “apresentação” se deu em 1986.

Quando ver a chuva de meteoros

O fenômeno terá seu pico na madrugada de domingo (22), mas outras chuvas também podem ser avistadas. Cássio Barbosa, do Blog Observatório, explica que várias chuvas de meteoro vão estar ativas ao mesmo tempo em que Oriônidas estiver visível no céu. Ele preparou uma carta celeste para o horário de 1h da manhã de domingo com as chuvas de meteoros ativas. Os pontos em amarelo representam as mais visíveis.

“Alguma coisa vai dar pra ver, mesmo que não seja a chuva de Oriônidas especificamente”, avisa Cassio Barbosa.

Sobre os meteoros

De acordo com o Observatório Nacional, os meteoros são pequenos corpos celestes que se deslocam no espaço e entram na atmosfera da Terra.

Ao adentrarem na atmosfera, eles queimam parcial ou totalmente, devido ao atrito e ao contato com o oxigênio. O fenômeno deixa um risco luminoso no céu, popularmente chamado de “estrela cadente”.

As chuvas de meteoros, diz o Observatório Nacional, não representam riscos para a Terra e acontecem praticamente todos os meses, mas algumas não têm ampla visibilidade.

Carta mostra os chuveiros ativos na madrugada de domingo (22). As mais ativas estão em amarelo (Foto: Cássio Barbosa)

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Ciência

Estudo diz encerrar polêmica do finasterida: medicamento não contribui para câncer grave de próstata

Pesquisa inicial anterior mostrou que droga usada contra calvície tinha efeito contraditório: ela diminuía a chance de forma comum de câncer de próstata, mas poderia aumentar risco de tipo letal.

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Acompanhamento de longo prazo com homens que utilizaram a finasterida mostra que a droga não aumenta risco de forma letal de câncer de próstata. O achado é particularmente importante porque um estudo de 2003 mostrou que o medicamento poderia ter um efeito paradoxal: ele diminuía a chance do câncer de forma geral, mas aumentava risco de um tipo específico e letal. Pesquisa mais profunda apresentada no sábado (19), no entanto, diz que o resultado não procede.

Os resultados foram divulgados em encontro anual da Associação Americana de Urologia. A finasterida é um medicamento comum usado para tratar os sintomas do aumento da próstata (em altas doses) e da calvície masculina (em baixas dosagens). O medicamento impede que a testosterona vire a diidrotestosterona, forma do hormônio que tem uma ação sobre a perda do cabelo de homens e sobre o crescimento da próstata.

A polêmica com o medicamento, contudo, começou em 2003 com pesquisa publicada no “New England Journal of Medicine”. A pesquisa com 18.882 homens mostrou que, ao mesmo tempo em que a finasterida poderia ter um resultado positivo significativo (reduzia o câncer de próstata em 25%), ela também aumentava em 68% a chance de tumores de alto grau e letalidade.

O achado levou o FDA a incluir um alerta no rótulo do medicamento. O FDA (Food And Drug Administration) é um órgão americano similar à Anvisa nos Estados Unidos e é responsável pela regulação de medicamentos e pela garantia de boas práticas da indústria farmacêutica.

O estudo era inicial e pesquisadores tomaram para si a tarefa de analisar se o resultado era consistente ao longo do tempo. A pesquisa apresentada em 2003 avaliou homens de 1993 a 1997; a equipe do estudo atual voltou a esse banco de dados e o comparou com um outro banco: o de óbitos nacionais americanos.

Com a comparação entre esses dois bancos de dados, chegou-se às seguintes conclusões:
Pesquisadores encontraram 42 mortes por câncer de próstata em homens que utilizaram o medicamento por um tempo médio de 18,4 anos;

No entanto, cientistas também encontraram 56 óbitos também por câncer de próstata no grupo que usou placebo (pílula sem efeito, usada em pesquisa para tentar tirar a influência “psicológico” do tratamento sobre os resultados);
Ambos os homens (os que utilizaram medicamento ou placebo) viveram a mesma quantidade de tempo.
“Não encontramos risco aumentado de morte por câncer de próstata em homens que tomaram finasterida em comparação com homens que não utilizaram o medicamento”, diz Ian Thompson, pesquisador que coordenou o estudo.

Thompson é professor emérito da Universidade do Texas e coordena todas as pesquisas em urologia no SWOG, uma rede de oncologistas que recebe financiamento do Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos para pesquisas.

Ele explica que o câncer de próstata é o câncer mais diagnosticado em homens. Ele acredita ser o medicamento, inclusive, uma forma eficaz de prevenir o câncer.

Thompson diz ainda que a pesquisa demonstrou que o medicamento aumentou a chance de detecção de câncer de próstata em triagens e biópsias — inclusive os de maior grau.

Contudo, a droga não está livre de outros efeitos colaterais, apontam pesquisadores. Ela pode levar à impotência em alguns casos, também há relatos de crescimento anormal das mamas e dor nos testículos. A maior parte dos efeitos desaparecem, segundo a bula, depois que a terapia é interrompida.

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Alzheimer: exame de sangue poderia prever risco da doença

O novo estudo concluiu que altos níveis de aminoácidos de cadeia ramificada no sangue indicam baixo risco de demência.

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Em um novo estudo publicado no periódico científico Alzheimer’s & Dementia, pesquisadores identificaram no sangue moléculas que podem servir como biomarcadores precoces do risco de Alzheimer. Este é o primeiro estudo a sugerir que a presença de elevados níveis de aminoácidos de cadeia ramificada podem indicar baixo risco de demência.

“Agora está claro que precisamos olhar para além dos caminhos tradicionalmente estudados da amiloide e da tau e entender todo o espectro de patologia envolvida em pessoas que apresentam sintomas de doença de Alzheimer e outras demências”, observa Sudha Seshadri, professor de neurologia e líder do estudo.

De acordo com Seshadri, há uma necessidade crescente de abordar a prevenção e o tratamento das demências com uma “abordagem de  múltiplos elementos”, já que essa não é uma doença com uma única causa. Finalmente os cientistas estão começando a olhar para outros órgãos e tecidos, não só para o cérebro, em busca de marcadores da doença.

A conexão entre sangue e demência

No estudo, cientistas da Universidade do Texas em San Antonio, nos Estados Unidos, analisaram dados de oito estudos que acompanharam grandes grupos de pessoas de origem europeia em cinco países, por um longo período. Eles também tiveram acesso a exames de sangue iniciais e registros da incidência da doença de Alzheimer ou outras formas de demência nesses grupos.

Desta forma, eles foram capazes de analisar amostas de sangue basais de 22.623 participantes que não apresentavam demência no início do estudo e também não tinham antecedentes de AVC ou “outras doenças neurológicas que afetem a função cognitiva”. No total, 995 casos de demência e 745 casos de Alzheimer foram detectados durante o acompanhamento.

Usando ressonância magnética nuclear e espectrometria de massa, os pesquisadores identificaram e quantificaram “metabolitos sanguíneos, lipídios lipoproteicos e lipídios” nas amostras basais de sangue. Os resultados mostraram que algumas das moléculas presentes nessas amostras estavam associadas a um menor risco de demência e doença de Alzheimer, enquanto outras estavam associadas a um maior risco.

Várias moléculas

O menor risco de demência foi associado a: aminoácidos de cadeia ramificada isoleucina, leucina e valina; creatinina; e duas subclasses de lipoproteínas de baixa densidade (VLDL). O risco de Alzheimer inferior foi similarmente relacionado a aminoácidos de cadeia ramificada.

Os aminoácidos de cadeia ramificada são nutrientes essenciais para o corpo obtidos a partir de alimentos ricos em proteínas, como carne e legumes.

Já o aumento do risco de demência foi associado a uma lipoproteína de alta densidade (HDL) e a uma subclasse VLDL. E o de Alzheimer, a uma subclasse HDL.

Eles esperam que esses achados ampliem a busca de novos medicamentos, tão necessária para a doença de Alzheimer e outras formas de demência. “É emocionante encontrar novos biomarcadores que possam nos ajudar a identificar pessoas que estão no maior risco de demência”, disse Seshadri.

Alzheimer e outras demências

A demência é uma doença que afeta o cérebro e gradualmente rouba a capacidade de um indivíduo lembrar, pensar, argumentar, se comunicar e cuidar de si mesmo. O Alzheimer é a forma mais comum do problema. Cerca de 47 milhões de pessoas vivem com demência no mundo, 65% delas com doença de Alzheimer.

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Ciência

Leucemia tem remissão completa com novo tipo de terapia genética, mostra estudo

Tratamentos que modificam células para que elas aprendam a vencer o tumor tem revolucionado medicina. O foco agora é a estrutura CD 22, presente em células malignas da leucemia.

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Um estudo publicado na “Nature Medicine” mostra que pacientes com leucemia resistentes a tratamento — inclusive aqueles que já passaram por técnicas de terapia genética mais recentes — podem tentar um outro tipo de estratégia de modificação de genes para vencer o câncer. No estudo, a remissão completa com a nova terapia foi atingida em 73% dos casos.

A terapia genética voltada para o sistema imunológico se prepara para ser um dos tratamentos mais promissores para cânceres hoje sem terapia. A estratégia básica funciona mais ou menos assim: 1) células de defesa são retiradas do organismo do paciente; 2) elas são modificadas geneticamente em laboratório para aprender a reconhecer o tumor; 3) as novas estruturas são injetadas novamente no organismo; 4) espera-se que o corpo tenha “aprendido” a reconhecer células cancerígenas.

A estratégia parece simples, mas na prática cientistas estão tentando todas as variações desse mecanismo para tentar vencer o câncer (várias delas relatadas em matéria especial no G1). A pesquisa publicada nesta segunda-feira (20) na “Nature Medicine” está tentando um mecanismo diferente: as células de defesa T são modificadas para atacar um novo tipo de estrutura presente nas células malignas: o antígeno CD 22.

Um antígeno é uma estrutura presente nas células doentes que, por sua especificidade, deflagra uma resposta imune. Em um mecanismo similar à “chave-fechadura”, a célula imune (fechadura) se prende a essa estrutura (chave) e a “mata”. Nas terapias genéticas em curso hoje, a chave mais comum é o antígeno CD 19; no estudo da “Nature”, no entanto, foi utilizada a estrutura CD 22.

De acordo com o estudo, o problema de alguns tratamentos com a estrutura CD 19 é que os tumores simplesmente perdem essa estrutura ao longo do tempo — sendo a causa mais frequente de resistência ao tratamento. A pesquisa escolheu, então, o CD 22 (que é geralmente mantido após a perda do CD 19).

Como foi o estudo

Cientistas testaram o CART CD 22 (como é chamada a nova terapia), em 21 crianças e adultos, incluindo 17 que foram previamente tratados com imunoterapia por CD 19. A remissão completa foi obtida em 73% dos pacientes, com 5 desses pacientes tendo sido previamente tratados com CD 19.

Segundo autores, a pesquisa é a primeira a estabelecer a atividade clínica de terapias dirigidas para o antígeno CD 22. Uma importância do estudo é justamente mostrar que existem outras opções, mesmo para os pacientes que já foram tratados com terapias genéticas inovadoras.

Nos pacientes em que a doença voltou, cientistas atribuíram a falha à baixa densidade do CD 22. O achado também mostrou a importância de uma presença maciça da estrutura para que o câncer seja mantido sob controle.

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