Estilo de vida

Estudo mostra que ovelha Dolly não tinha doença associada a envelhecimento precoce

Primeiro mamífero clonado a partir de células adultas morreu em 2003 e havia suspeitas de artrite precoce provocada pela clonagem.

Quando a ovelha Dolly morreu em 2003, rumores se espalharam de que a clonagem estaria ligada à sua morte ou às condições as quais sofria. Dolly foi o primeiro mamífero a ser clonado de células adultas.

Uma das hipóteses era de que ela tinha osteoartrite de início precoce, antes conhecida mais comumente como artrite. Associada ao envelhecimento, a condição leva à degeneração das cartilagens — parte “mais mole” que liga os ossos.

Radiografias feitas após a morte da ovelha, no entanto, mostraram que Dolly não sofria de uma forma anormal da doença. Os achados foram publicados nesta quinta-feira (23) no “Scientific Reports”.

O que é a clonagem

Cientistas isolam uma célula do doador e retiram o seu núcleo. Esse núcleo contém todo o material genético que vai permitir que a “cópia idêntica” seja feita. No caso de Dolly, o núcleo foi retirado de uma célula mamária de uma ovelha adulta e inserido em um óvulo desprovido da estrutura. Quando esse aglomerado de células virou um embrião, ele foi inserido em uma outra ovelha que funcionou como uma “barriga de aluguel” para o clone.

As especulações sobre a condição começaram quando um resumo de um artigo científico foi apresentado em 2003. O estudo mostrava que Dolly sofria de osteoartrite precoce no joelho esquerdo aos cinco anos de idade.

Especialistas da Universidade de Nottingham e da Universidade de Glasgow, na Escócia (país onde Dolly foi clonada), no entanto, dizem que a hipótese é infundada — já que os exames mostraram que Dolly não tinha osteoartrite precoce, mas um desgaste leve e moderado consistente com ovelhas da mesma idade que não foram clonadas.

Filhos e irmãs

Os pesquisadores também analisaram radiografias dos “filhos” de Dolly: Bonnie, Megan e Morag. Eles também não sofriam de osteoartrite precoce.

O mesmo grupo publicou estudo na “Nature Communications” em julho de 2016 que mostrou que as irmãs da ovelha não sofriam de envelhecimento precoce. A partir daí aumentou a suspeita sobre a osteoartrite de Dolly.

Foi aí que os pesquisadores foram atrás dos restos mortais da ovelha para mais esclarecimentos e descobriram que a osteoartrite precoce primeiramente relatada não procedia.

Dolly nasceu em julho de 1996 e morreu em fevereiro de 2003 de uma infecção pulmonar progressiva. Vários animais foram clonados desde então, inclusive no Brasil, mas a clonagem ainda é um dilema ético no mundo.

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