Apass receberá um macaco-prego, dois papagaios, uma arara-canindé e um urubu

O Cetas Unimonte, em São Vicente (SP), responsável pelo animal, buscava um local que aceitasse o primata, que já é castrado.

Lula conseguiu um lugar para morar: agora só falta a liberação

Há uma semana o macaco-prego Lula, abrigado no Cetas Unimonte, em São Vicente (SP), vivia um impasse: precisava ser encaminhado para outro lugar para que pudesse continuar a viver. Mas a tarefa que não é tão fácil quanto parece. Por ser um primata macho e ter dificuldade de ser aceito num novo bando, não voltou à natureza. Soma-se a isso, o animal também é castrado. Ou seja, não consegue procriar, fator que também é um empecilho na busca por um novo lar.

Mas a história que parecia ter um triste fim ganhou uma nova esperança na última quinta-feira (24/07). O médico veterinário Nereston Josias de Camargo, responsável por Lula há quatro anos, recebeu durante a semana diversos contatos e possíveis locais para que pudesse encaminhar o macaco. “Recebi muitos recados, e já tinha feito contato com todos. Até que recebi a informação de que a ONG Associação Protetora de Animais Silvestres (Apass) poderia receber o Lula”, conta.

Segundo Natalia Tomaz Inacio de Godoy, diretora executiva do Apass PAN, após conversas entre ela e Nereston, a associação resolveu aceitar o Lula, e também outros animais que estavam no Cetas Unimonte – dois papagaios, uma arara-canindé e um urubu. “Já temos um local apropriado para primatas, onde ficam bugios, outros macacos-prego e saguis. Agora aguardamos o processo de Guia de Transporte do animal, que é realizado pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo”, diz.

A Apass PAN, de Assis (SP), possui registro de Centro de Recuperação de Animais Silvestres (CRAS). Em outras palavras, já recebe animais para que eles sejam devidamente tratados e retornem para seu habitat: a natureza. Contudo, há espécimes que devido a maus-tratos ou atropelamentos não conseguem se recuperar e precisam permanecer sob o cuidado da ONG, em locais específicos. “Atualmente estamos com cerca de 600 animais, dentre papagaios, araras, onças e cachorros-do-mato. Contudo há animais que, por exemplo, são cegos e não podem ser reintroduzidos. Por isso estamos buscando a regulamentação de mantenedores”, explica Natalia Godoy.

Nereston Camargo diz que já encaminhou a Guia de Transporte do macaco Lula para a Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo e aguarda para que os responsáveis pelo Departamento de Fauna visitem a Apass PAN e determinem se o macaco-prego pode ou não ser encaminhado para lá. “Já encontramos um lugar que o aceite. Agora só falta a determinação da Secretaria. O prazo dado para este procedimento é de 15 dias”, aponta o veterinário.

A Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, através do DeFAU (Departamento de Fauna), confirma o recebimento da solicitação de Autorização de Transporte do animal para outro empreendimento no dia 25 de julho. “O prazo para análise é de até 15 dias. Caso seja deferido o pedido, emitimos uma Autorização de Transporte e o animal poderá ser transportado para o outro local”, disse a assessora de imprensa Juliana S. Salto. Quanto a habilitação da Apass PAN em receber Lula, a Secretaria ainda não se posicionou.

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