FUTEBOL 2014: “Um ano para se esquecer ou um ano de aprendizado?”

“Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo”. Este bordão do inesquecível narrador esportivo Fiori Gigliotti.

Nelinho Moraes

“Fecham-se as cortinas e termina o espetáculo”. Este bordão do inesquecível narrador esportivo Fiori Gigliotti, pode muito bem ser usado para encerrar as atividades do futebol profissional assisense neste ano de 2014.

Lamentável o desempenho de nossas equipes. Nem Atlético Assisense e nem o Vocem conseguiram avançar da segunda para a terceira fase da Segundona Paulista, também conhecida como quarta divisão estadual.

O Assisense, que vinha de uma brilhante campanha no ano passado, quando por muito pouco não conseguiu o acesso, viu todo o seu encanto cair pelo chão neste ano, após o anuncio do retorno do clube da Vila Operária.

Sem apoio empresarial e conseqüente falta de patrocínios, o Assisense enfrentou diversos problemas, que se iniciaram com o atraso na formação do elenco, passando inclusive pelos atrasos nas folhas de pagamento e até mesmo, dificuldades no deslocamento dos atletas para outras cidades.

O resultado foi o já esperado, ou seja, um time que enfrentou dificuldades dentro e fora de campo para avançar da primeira para a segunda fase e após isso, nem sequer mais um pontinho conseguiu somar.

Campanha essa do Assisense, que pode sim, ser explicada pela falta de patrocinadores, pois praticamente apenas a Multi-Ar esteve todo o certame ao lado da equipe. Já dentro das quatro linhas, o maior pecado do Assisense talvez tenha sido trazer para treinar a equipe, o técnico e ex-idolo corinthiano, Tupãzinho. Empolgado com recente historia do treinador, que no ano anterior havia conquistado o acesso com o Tupã, a diretoria do assisense trouxe o técnico para o lugar de Alisson Moraes. Prejuizo para a equipe, pois Tupãzinho não conseguiu superar a campanha de Alisson e pior que isso, também não conseguiu que sua estada em Assis, resultasse em um único novo patrocinador para a equipe.

Uma pena mesmo, pois o primeiro elenco de jogadores montado por Alisson tinha muita qualidade … o que Tupãzinho não conseguiu mostrar com os seus comandados.

Resultado, a falta de $$$$$ para gerir o time, acabou  fazendo com que Tupãzinho e os jogadores fossem embora e o clube, para não se afundar ainda mais, optasse por concluir o campeonato, utilizando atletas, meninos de Assis e região, que integram o elenco sub-17, do clube. Pelo menos neste ponto, o time mereceu os parabéns, inclusive de torcedores adversários.

Já pelos lados do Vocem, ao contrario do Assisense, dinheiro não faltou, investimentos também não e muito menos patrocinadores.

Passado todo o drama do início do ano, quando o próprio site da Federação anunciava o time como excluído da competição e com o Vocem confirmado para as disputas, a verdade é que praticamente toda a cidade “se fechou” em torno da equipe, que contou durante todo o campeonato com o apoio maciço do empresariado e da imprensa em geral, que indiscutivelmente sempre dedicou maior espaço ao Vocem, do que ao Assisense, isso durante todo o certamente 2014.

Porém, o mais lamentável é que nem todo o investimento, nem toda a presença de um grande numero de patrocinadores apoiando o time, foi o suficiente.

O clube, pelo menos levando-se em conta o divulgado oficialmente, não tinha problemas extra-campos, pagamentos estavam sempre em dia, alimentação era sempre de boa qualidade e as viagens parra outras cidades eram realizadas com tranqüilidade.

Mesmo assim, apesar deste bom clima, o Vocem não conseguiu decolar. Teve durante o certame um total de três técnicos, sendo o ultimo, o Ademilson Venâncio, que em 2013 havia dirigido o Assisense e a exemplo daquela época, voltou a ser duramente criticado pelos torcedores por seu estilo de montar o time jogando na retranca.

Mas talvez a principal falha demonstrada pelo Vocem neste ano, foi a não permanência de um único elenco treinando. Praticamente toda a semana, a diretoria anunciava a chegada de dois ou três jogadores e a dispensa de um numero igual aos que chegavam, ou seja, de um jogo para outro, sempre a equipe que entrava em campo era outra.

Agora, passado o ano de 2014, o momento deve ser de reflexão: “Esquecer ou Aprender?”. Eis a questão, pois Assis possui sim, condições de ter uma equipe na elite do futebol paulista, mas não da maneira com que ocorreu este ano.

O Assisense, com toda a experiência de quase ter conquistado o acesso em 2013, dançou pela falta de apoio e patrocínios para manter o time. Agora promete dar continuidade ao trabalho iniciado em sua base e ano que vem, manter este garotos, mesclando-os apenas com três ou quatro jogadores mais experientes.

Já o Vocem, nem com dinheiro sobrando e com contratações diárias conseguiu ir mais adiante no certame, do que o Assisense e nesta historia do primo rico (Vocem) e do primo pobre (Assisense) o mais pobrezinho saiu ganhando, pois lá no início no campeonato venceu o primo barão por 2 a 0. Na partida de volta, perdeu por 1 a 0, mas mesmo assim, o placar somando dá a vitoria ao Assisense, que fechou o ano com 2, contra 1 do Vocem.

Resumindo: deste verdadeiro acidente para o esporte assisense neste ano de 2014, quando as duas equipes da cidade ficaram pelo caminho, caindo ainda na segunda fase, ou seja, nenhuma conseguiu se impor sobre a outra, as lições que ficam são as seguintes: em primeiro lugar, de nada adianta ter força de vontade, amor  e determinação, senão houver, apoio, patrocínios e parceiros. De outro lado, apenas $$$$, parceiros, apoio popular e patrocínios, também não levam ninguém a lugar algum, pois é preciso ter a determinação, o amor, a força de vontade, a união…. é preciso ter direção.

E que venha 2015. Estaremos novamente esperando e voltando a sonhar com o time, algum dia representando Assis na elite do futebol paulista. Mas é claro, que o trabalho seja feito com respeito, dignidade e transparência, pois uma equipe não se constrói apenas com elenco e patrocinadores, mas sim, também com direção e é  isso o que falta hoje em nível de Brasil e de Assis: dirigentes sérios e comprometidos com o time.

 

Autor:  Nelinho Moraes

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