Artigo – Dependência de substâncias

Chegou o final do ano esta próximo o Ano Novo, Réveillon! O que isso tem a ver com dependência? com Drogas? Com adictos e dependentes? Tudo.

Valmir Dionizio
Voluntario Amor-exigente Assis/SP
Formado em Educação Física,
Técnico em Radiologia Médica,
Policial Militar na Reserva e vereador

Chegou o final do ano esta próximo o Ano Novo, Réveillon! O que isso tem a ver com dependência? com Drogas? Com adictos e dependentes? Tudo. Vou escrever para vocês familiares – pais –  de crianças, jovens adolescentes que estão na fase de curiosidade, na fase de experimentação de novas emoções, fase em que pessoas usam qualquer coisa para preencher o vazio existencial que possuem, mesmo tendo acesso a bens materiais!

Vou escrever também para vocês jovens que embora possam ter tido uma boa educação familiar e escolar – ou não – insistem em provar para si mesmo e para seus amigos que são corajosos, valentes, bravos, que podem experimentar as drogas lícitas naturalmente (álcool e tabaco) e ainda acham que podem fazer uso recreacional de drogas ilícitas, em especial a maconha!

Claro que sei que quem precisava ler isso, provavelmente não o fará. Quem precisa ter acesso a estas linhas não vai ter.

O álcool, (cerveja, chope, drinks, destilados em geral) vendido em qualquer bar, lanchonete, conveniência, esta matando nossos jovens, criando uma “safra” de seres humanos viciados em bebidas alcoólicas. Pessoas que não sabem, mas trazem na sua formação genética, nas suas raízes culturais a escravidão no álcool. Beber socialmente é aceitável em nossa sociedade moderna, e desde os tempos remotos, lembram-se da passagem bíblica onde Jesus transforma água em vinho, a pedido de sua mãe?

Ocorre que depois de beber uma certa quantia, a maioria das pessoas perdem a noção e acabam por ingerir mais e mais, até o ponto de ficar bêbado e a partir dai, só problemas e confusão… brigas, acidentes, traumas e mortes!

A dependência alcoólica ou alcoolismo é uma doença, freqüentemente crônica, progressiva e fatal, que se caracteriza pelo consumo regular e contínuo de bebidas alcoólicas, apesar da recorrência repetida de problemas relacionados com o álcool. Seus fatores de risco são: História familiar relacionada com o alcoolismo; Ambiente sociocultural. A integração em famílias ou em meios sociais propensos ao consumo de álcool (ter de freqüentar festas, reuniões sociais, etc.); Situações imprevisíveis de ruptura na vida quotidiana; Distúrbios emocionais – pessoas deprimidas ou ansiosas; Conflitos entre os pais, divórcio, separação ou abandono, de um ou de ambos os progenitores; Dificuldades de aprendizagem, Dificuldades de adaptação à escola.

E para piorar vem também junto com o álcool, o tabaco, o cigarro, com suas 4.789 substâncias nocivas ao organismo humano, uma droga que causa dependência, acaba com os dentes, com os pulmões, com o fígado, com a vida! O cigarro muitas vezes é descrito pelo fumante como amigo, companheiro etc… O ato de fumar é relatado  como  um momento de  cumplicidade entre o fumante e o cigarro, o que acaba  trazendo  sensação de alívio, segurança e ajuda nos momentos difíceis. Sem dúvida, a dependência física é importante, mas também é necessário que a pessoa  que quer  parar de fumar  perceba que lugar o cigarro ocupa na sua vida atualmente. “A nicotina é encontrada em todos os derivados do tabaco. É uma droga que age estimulando o sistema nervoso central, fazendo com que ele funcione de maneira acelerada.

Ao inalar a nicotina, através da fumaça do cigarro, ela é absorvida pelos pulmões e rapidamente atinge o cérebro pela corrente circulatória. No cérebro a nicotina estimula a liberação de uma substância chamada Dopamina, que proporciona imensa sensação de prazer e bem estar ao fumante. Por esse motivo é que o fumante ao tentar parar de fumar se ressente da falta de Dopamina, da sensação de bem estar na vida. Esse trajeto da inalação até a liberação de dopamina, dura entre 7 a 19 segundo, tempo somente equivalente à ação da cocaína e heroína  no cérebro. Cada vez que os níveis de dopamina começam a cair na corrente circulatória, imediatamente o fumante acende um novo cigarro, sem se dar conta do ato automático, mantendo  sua sensação de bem estar, estando instalada a dependência de nicotina.” Fonte: ROSEMBERG, 2003;INCA; OMS.

Acontece agora, depois do álcool e do cigarro, que nossos jovens estão consumindo drogas ilícitas, a começar pela maconha, depois a cocaína e alguns usando o crack.

A maconha, por ser uma planta, tem como chamariz o fato de que não é muito viciante, e que muitos podem fumar e ter uma vida “normal”. Acontece que quanto antes o adolescente coloca essa droga na boca, maior é a probabilidade de se tornar seu dependente. A maconha que era plantada e consumida em 1960/1970 tinha uma quantidade de tetraidrocanabinol muito menor do que a planta geneticamente modificada de hoje. Antes um pé de maconha levava 6 meses para produzir, hoje com 4 semanas a planta já esta pronta e com uma quantidade muito superior de THC.

A maconha esta viciando nossos jovens, e eles usando para se distrair, para esquecer o estresse da vida, para participar de um grupo de amigos. Mas ela tem seu preço, causa infertilidade, causa esquizofrenia, causa atraso mental. Jovens que usam maconha antes dos 16 anos tem seu Q.I. (quoeficiente de inteligência) reduzido em 10 pontos, exemplo uma pessoa com QI normal, usando maconha vai passar a ter um QI abaixo do normal na vida adulta. E o pior, 20 a 30% dos jovens que usam, se tornam dependentes, viciados… e não da pra saber se estarão dentro desse percentual ou na turma que usou e não viciou! Ai experimentam e pagam para ver!

Apesar da existência de muitos efeitos nocivos da maconha permanecerem inconclusivos, a recomendação é que devemos informar seus usuários sobre os já comprovados efeitos nocivos (risco de acidente, danos respiratórios para usuários crônicos, risco de desenvolver dependência para usuários diários e déficit cognitivo para os usuários crônicos). Os efeitos nocivos inconclusivos também devem ser transmitidos. Intervenções mínimas, de natureza motivacional ou cognitiva, têm se mostrado de grande valia para esses indivíduos.

Depois da maconha, muitos adolescentes experimentam a cocaína. A droga pode ser comparada com qualquer outra mercadoria, o traficante só quer dinheiro, não se preocupa com a saúde de ninguém, quer vender! E quem usa a cocaína, corre o risco bem maior do maconheiro, uma vez que 80 a 90 % dos experimentadores serão viciados. A cocaína destrói o cérebro do usuário, embora traga muito prazer e emoção durante o seu uso, e sem saber o que tem no produto, muitas pessoas sofrem de overdose, perdem seus fígados, morrem! O uso da cocaína causa intensa e rápida euforia, seguida por uma igualmente intensa depressão e um estado de grande tensão e avidez por mais cocaína. Ela produz um efeito estimulante e de prazer muito mais potente que o das anfetaminas. Quando a droga acaba no organismo, o que acontece rapidamente, o prazer cessa e o indivíduo é tentado a repetir a experiência. Daí a forte tendência a consumi-la reiteradamente. Nisso consiste a dependência à cocaína, que pode ser tomada por via oral, inalada sob forma de pó ou injetada diretamente na veia.

As pessoas dependentes de cocaína geralmente têm problemas de sono e de apetite; têm uma elevação da freqüência cardíaca e respiratória, da pressão arterial e da temperatura corporal; espasmos musculares; vaso constrição periférica; euforia; depressão e ânsia intensa pela droga. Tomada por um longo prazo, o vício da cocaína pode causar, entre outros, danos irreversíveis aos vasos sanguíneos coronarianos e cerebrais; danos no fígado, rins e pulmões; destruição dos tecidos nasais e às vezes, perfuração do septo nasal, se inalada; doenças infecciosas e abscessos, se injetada; alucinações auditivas e táteis; disfunções sexuais e infertilidade. As grávidas dependentes estão mais sujeitas a sofrer aborto do que as não dependentes e o feto pode ser prejudicado, porque a cocaína passa do organismo da mãe para o do filho. De um modo geral, as pessoas que se tornam viciadas em cocaína perdem o interesse nas outras áreas da vida. 

E por fim, vem o crack, ah o crack.. . o produto que o demônio inventou para destruir a família! O crack é uma droga altamente viciante, que causa dependência em 100% das pessoas que experimentam essa “coisa”. O crack, que vai do nariz até o cérebro em 15 segundos, possui a propriedade de dar prazer em excesso ao usuário por até 15 minutos, atingindo o campo no cérebro produtor da dopamina, que é responsável pelo sentimento de prazer no ser humano.

O crack, que a principio custa barato, mas não pode ser consumido somente “uma pedra”, sendo necessário varias pedras de acordo com a tolerância do dependente… chegando a casos de uso de 50 a 6o pedras numa noite. E ao custo de 10 reais a primeira, 10 a segunda, 10 a terceira, um celular na quarta, um par de tênis na quinta pedra, calça e camiseta de marca na sexta pedra, sexo na sétima pedra, e furto/roubo para conseguir as demais pedras. O usuário volta pra casa, sem moral, sem saúde, sem nada, o traficante lhe tirou tudo. E ainda este viciado, não aceita ajuda da família e amigos, e cada dia quer mais droga, e não come, não toma banho, não faz a higiene pessoal, perde a referencia, não respeita a família, amigos e a Lei.

O crack é uma mistura da pasta-base de cocaína refinada com bicarbonato de sódio e água. Muitas vezes a mistura é falsificada com o acréscimo de cimento, cal, querosene e acetona, para aumentar o seu volume. Quando aquecida, a mistura separa as substâncias líquidas das sólidas. As substâncias líquidas são então descartadas e as sólidas são convertidas na “pedra de crack” que, com a utilização de um cachimbo, é então fumada e absorvida pelo corpo em quase 100% do total ingerido. A via inalatória confere à droga um tempo de ação e um poder viciante extremamente rápidos, o que tem tornado o crack um verdadeiro flagelo.

O crack atinge e repercute em praticamente todo o organismo: sistema nervoso, pulmões, coração, rins, tubo digestivo, coração, etc. O dependente de crack quase não come, nem dorme, o que ocasiona um rápido processo de desnutrição e emagrecimento, ainda mais intenso que o produzido pela cocaína. Uma pessoa adulta dependente de crack pode perder até dez quilos em um único mês. Neurologicamente, o uso do crack pode levar a dores de cabeça, tonteiras, inflamações dos vasos cerebrais, etc. Na circulação, o crack provoca a liberação de adrenalina e, com isso, o aumento da freqüência cardíaca e subida da pressão arterial, arritmias, isquemias e infarto agudo do miocárdio. No aparelho digestivo, o crack provoca sintomas como náusea, perda do apetite, flatulência, dor abdominal e diarréia. Mas a árvore respiratória é a que mais sofre com o vício do crack. Normalmente há tosse, dor no peito, falta de ar, escarro sanguinolento. Podem ocorrer quadros psiquiátricos graves, como delírios, alucinações, paranóias, etc.

Existe luz no fim do túnel? Não! É possível controlar a doença, sim a dependência de drogas é uma doença! Pais, familiares, podem modificar a historia de seus filhos e familiares, dando exemplos, mostrando as conseqüências e alertando seus entes queridos antes da fase de experimentação, antes deles tomarem o primeiro copo de bebida alcoólica, antes de fumarem o primeiro cigarro, antes de experimentar o primeiro “back”, antes de dar o primeiro “tiro”, antes de queimar a primeira pedra!

Alguns dependentes que chegam ao fundo do esgoto, na lama, tentam a recuperação com ajuda de grupos do tipo Alcoólicos anônimos, Narcóticos Anônimos, Amor-exigente, etc. Precisam de desintoxicação por um período, e de ajuda especializada, muitas vezes com médicos psiquiatras, psicólogos, ajuda do CIAPS – Centro Integrado de Assistência Psico Social. E ainda, em especial, precisam de Espiritualidade, precisam de fé, de amor em Deus.

A espiritualidade modifica a vida das pessoas que passaram por um tratamento para dependência. Influencia de forma positiva durante o tratamento e pós-tratamento. E juntamente com outros aprendizados obtidos no tratamento, adapta o usuário novas formas de encarar e viver sua vida. A Psicologia necessita ver os benefícios que a espiritualidade ocasiona na vida dos usuários. Uma pode ajudar a outra e ambas podem caminhar juntas, embora cada uma em sua área específica do saber, o diálogo e ajuda entre as duas é possível.

Valmir Dionizio
Voluntario Amor-exigente Assis/SP
Formado em Educação Física,
Técnico em Radiologia Médica,
Policial Militar na Reserva e vereador.

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