Artigo – Cada dia pior?

Por José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo
José Renato Nalini, secretário da Educação do Estado de São Paulo

Quando se pensa que o fim do poço chegou e agora é só iniciar a escalada, chegam novas notícias terríveis. Desemprego se acelera no primeiro trimestre. Já não são mais dez milhões de desempregados. Agora já são 11,1 milhões de desempregados! E a tendência ainda é piorar mais este fatídico 2016. Não sei se as pessoas se dão conta do que isso significa. A taxa de desemprego é calculada apenas sobre aqueles que estão à procura de emprego. Na verdade, o número é muito maior. Acrescente-se a ele a legião daqueles que, desesperançados, já não procuram. Cansaram de estar em filas, de enviar currículo e não conseguiram emprego.

Multiplique-se esse número por eventuais dependentes dos desempregados. Muitos são pais de famílias. Têm mulher e filhos para sustentar. Têm de fazer face às despesas correntes: alimentação, moradia, transporte. Têm de pagar as chamadas “utilidades públicas”: luz, água, gás, energia e elétrica. O que farão? Não há sinais claros de reversão da economia. Há um grande compasso de espera. Por isso, até o fim do primeiro semestre a taxa de desemprego crescerá a um ritmo bem forte. A leitura desse quadro merece toda a atenção por parte da sociedade. Não é uma questão político-partidária. É um tema social, que nos distancia do ideal da edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

O momento presente impõe uma reflexão madura e sensata. Cada qual deve se perguntar o que deve fazer para minorar as consequências daquilo que está sendo considerado o fenômeno do “cemitério de fábricas” e “velório de lojas”.

Basta percorrer São Paulo e verificar o que está acontecendo com o dinamismo de nossa vida comercial, o esvaziamento de nossos shoppings, a redução do consumo daqueles que se acostumaram a um frugal lazer de fim de semana. O que podemos fazer para superar essa crise, para dar esperança ao desemprego e para ajudar o Brasil a ser reerguer e a mostrar que ele é muito maior do que essa nefasta crise?

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