Os incríveis anos 60…

Por Carlos R. Ticiano.

Para quem teve a oportunidade e o privilégio de passar pelos anos dourados em que o fascínio pelas novidades era evidente, deve sentir uma pontinha de saudades e um gostinho de quero mais. Afinal, quem não se recorda…

Das Casas Pernambucanas, tradicional no ramo de tecidos, confecções, cama, mesa e banho.  Do aparelho de televisão Colorado RQ (preto e branco) com um seletor de canais e diversos botões. Do rádio de mesa Semp, transistorizado e sem válvulas, conhecido como capelinha. Do refrigerador Climax, e um puxador na horizontal para abrir a porta. Do Relógio Cuco e seu passarinho, que diante das horas cheias, emitia o som: Cuco! Cuco!… Da Cristaleira, peça indispensável na sala de jantar, onde se guardavam e expunham louças e cristais.

Da Mesbla, pioneira no ramo de lojas de departamentos.  Da máquina de escrever Remington, da destreza na hora de trocar a fita, dos iniciantes catando milho e do frenético: Tec, Tec, Tec… Da professora Rosalina, com sua régua, esquadro e compasso de madeira ensinando geometria no quadro negro. Do boletim escolar e suas notas vermelhas. Dos álbuns de figurinhas e de seus envelopes de cromos, que mais traziam repetidas do que as que faltavam para completá-lo. Do primeiro terninho com gravata borboleta, usado na cerimônia da primeira comunhão.

Da TV Tupi, da novela Beto Rockfeller, protagonizada pelo ator Luis Gustavo.  Da TV Record, do programa humorístico “A Família Trapo”, que tinha Ronald Golias (Carlos Bronco Dinossauro) na rotina de uma família confusa e divertida.  Da banda musical inglesa The Beatles. Dos discos de vinil, fitas cassetes e agulhas de cristal. Das brincadeiras de bolinha de gude no fundo do quintal, da destreza em puxar a corda e colocar o pião em movimento e das pipas coloridas, que levadas pelo vento subiam pelo espaço.  Da saída da escola, onde se tirava no par ou impar, qual a casa que iriam tocar a campainha e sair correndo.  Do leite em garrafa de vidro, com o desenho da vaquinha, entregue nas casas todas as manhãs.

Das Casas Bahia, uma rede de varejo no ramo de móveis e eletrodomésticos.  Da série, Perdidos no Espaço (Lost In Space) e das peripécias do Dr. Smith (Jonathan Harris) e seu famoso Robô. Do quadro da Santa Ceia que ficava na parede da copa, de famílias tradicionalmente católicas. Do fogão Dako, do botijão de gás e de suas capas plásticas coloridas. Da máquina de costura Singer, da habilidade em passar a linha na agulha, em recarregar a canelinha e pedalar a base de ferro para costurar. Da indústria de laticínios Aviação, da sua tradicional lata de manteiga com o desenho de um avião.

Da Casa Ochi, um armazém (secos e molhados) que vendiam por quilo, embalava em sacos de papel e amarravam com barbante. Da tarefa em escolher o feijão, toda segunda-feira para retirar as pedras.  Da máquina de moer carne, que para utilizá-la, era preciso fixá-la na lateral da mesa. Da lata de cera Parquetina e seu inseparável “escovão”, que para dar brilho no assoalho, era preciso esfregá-lo com uma flanela. Do filtro de barro, que na primeira filtrada, deixava a água com um gosto horrível de barro.

Do letreiro da Pharmacia, isto mesmo, com “Ph” e sem o “F” na palavra. Do pó compacto Cashmere Bouquet, indispensável na hora de fazer a maquiagem.  Da pomada Minancora, utilizada para prevenir e tratar infecções da pele. Das Pílulas de Vida do Dr. Ross, que serviam para ajudar na digestão. Do vidro de Mercurocromo, para tratar dos “esfolados” deixado pelos tombos no quintal. Do sabão em pó Omo, o primeiro a ser lançado na cor azul.

Os tempos são outros, mas as lembranças vão surgindo e trazendo de volta recordações que a memória insiste em resgatar…

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