Um amor de borboleta…

Por Carlos R. Ticiano.

Dia desses ao entrar em um supermercado, passei pelo setor de jardinagem, que fica logo na entrada. Diante de tantas flores e principalmente de rosas, meu pensamento inevitavelmente voou no tempo e no espaço, levando-me exatamente para aquela semana, em que nos conhecemos: 1976 o ano! Julho o mês! 12 o dia!…

Uma semana depois, dia 19, lá estava eu em uma floricultura, para enviar-lhe rosas com um cartãozinho que dizia a seguinte frase: Hoje faz uma semana, que conheci a garota mais bacana do mundo! Vivemos então, um grande e inesquecível amor. Digno de uma história romântica, dessas que assistimos diariamente nas novelas. Até o dia em que decidimos separarmos e seguir caminhos opostos.

O tempo passou e nunca mais tivemos a oportunidade de reencontrarmos. Uma carta, um bilhete, um telefonema, uma notícia… Nada! Nem um sinal de vida! Até parece que uma tempestade tropical, abateu o barquinho de papel, que levava o nosso amor pelos infinitos oceanos da vida.

Agora você surge do nada, vem ao meu encontro e pousa em meu braço, como que querendo fazer-me companhia e dizer alguma coisa. Fiquei pensando e tentando entender o que estava acontecendo, mas como aceitar o fato, se humanamente falando é impossível.

Você pode até dizer que não era você. Mas diante deste fato inusitado e inexplicável, eu apenas conseguia admirá-la, sem poder fazer um carinho, abraçá-la e beijá-la como antigamente. Até pensei em levá-la comigo, para tê-la para sempre do meu lado. Mas como realizar tal proeza, se você era apenas uma simples, frágil e bela borboleta.

Mesmo não querendo, não tive outra opção a não ser deixá-la em um vaso de flores, na entrada do supermercado. Fui andando e olhando para trás até o carro e sai dirigindo e olhando o tempo todo pelo retrovisor, para ver se ainda conseguia visualizá-la.

Em casa, deitado no sofá, não conseguia tirar da cabeça todo aquele episódio. Acabei adormecendo e sonhando com você. Um sonho lindo, onde você aparecia em meio a um jardim todo florido. E segurando em minhas mãos dizia: Continue guardando todas as recordações. Eu sei que você não me esqueceu, da mesma forma, que eu também não lhe esqueci. Mas agora, estou vivendo em um plano apenas espiritual.

Quanto á borboleta que lhe abordou, você não estava enganado, era eu sim. Foi á forma que eu encontrei para estar com você, principalmente nesta época do ano, em que nos conhecemos e que você não se esquece de recordar. O seu pensamento, de forma involuntária me chamou. Por isso, fui ao seu encontro, em forma de uma borboleta.

Foi bom estar com você! Mas não se preocupe! Um dia nos reencontraremos e vamos ficar juntos para sempre. Não se esqueça! O amor é eterno!…

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