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Quando a idade chega…

Por Carlos R. Ticiano.

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Quando a idade chega...

Quem poderá negar que a passagem do tempo, não deixará as pessoas mais suscetíveis, debilitadas, frágeis, doloridas e limitadas fisicamente. Uma vez idosos, serão colocados em segundo plano na sociedade e muitas vezes, na própria família. Portanto, não faz sentido ficar fantasiando, sobre as belezas que a velhice pode trazer.

Em primeiro lugar, é preciso agradecer a passagem do tempo e saber colher os frutos do envelhecimento, calculados pelos anos de vida. Quantas pessoas não tiveram este privilégio, simplesmente porque morreram ainda jovens, por diversas razões. O ser humano pode construir, ou não, uma velhice equilibrada, sendo vistas como pessoas agradáveis e alegres ou ranzinzas e tristes.

A receita para que uma velhice não seja um fardo pesado é sair da zona de conforto, do comodismo e do desânimo. A velhice é uma coletânea de acontecimentos, assim cada pessoa é responsável pelos seus próprios dramas ou felicidades. O planejamento é fundamental para evitar, ou pelo menos contornar situações adversas, principalmente aquelas relacionadas à saúde física, mental, afetiva…

Felizmente existem muitas iniciativas sociais, que por diversos motivos, acolhem os idosos para reintroduzi-los a uma rotina de atividades físicas, culturais e religiosas, através de fisioterapeutas, psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e cuidadores. Fazendo com que se sintam novamente, em uma família, onde todos se ajudam e são ajudados.

Quantos idosos estão dentro de casa, se lamentando e sofrendo com diversas doenças, sem coragem de tomar a iniciativa de se levantar do sofá, para visitar uma vizinha, dar uma volta no quintal, na pracinha, se necessário for, com a ajuda e a companhia de alguém. O importante é não se isolar e nem parar no tempo.

Participar de um grupo de socialização é imprescindível; mesmo depois da chegada dos cabelos brancos, das rugas no rosto, da dificuldade de caminhar, do descompasso da memória, do embaraço em reconhecer alguém, dos obstáculos diante de uma escada, do impedimento de ir e vir sozinho, da morosidade dos movimentos…

A expectativa de vida das pessoas aumentou e continuará aumentando, nas próximas décadas. O mundo será cada vez mais dos idosos, por isso os jovens devem tê-los como referência, na formação do seu caráter. Há coisas na vida de um jovem, que por mais experiência que ele possa ter, não consegue distinguir o certo do errado.  Quem tem o privilégio de conviver com seus avôs, aproveite esta escola da vida, que com certeza, o ajudará na sua formação ética, moral e social.

Tomara que todo homem e toda mulher, aprenda a contar a sua vida, não pela idade, mas pela capacidade de continuar desfrutando da vida, da forma como ela se apresenta. Saber envelhecer é uma arte!…

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Vizinhas nada amigáveis…

Por Carlos R. Ticiano.

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Residir em apartamento, todos sabem que é um desafio manter-se em harmonia com os vizinhos. Telma e Lúcia são duas vizinhas que ignoram todos os conceitos de uma boa vizinhança e vivem se estranhando, seja por que motivo for.

Raramente se encontram, e quando isso acontece, um cumprimento é o máximo que conseguem expressar. No edifício onde moram, são conhecidas como Telma raio e Lúcia trovão, pois quando se desentende o tempo fecha. 

Por um golpe do acaso, dia desses, se encontram na feira livre do bairro. Ao passarem um pela outra, seus carrinhos de feira, se enroscaram. Para qualquer pessoa, seria apenas um incidente. Mas para Telma e Lúcia, foi o suficiente para um bate-boca. Sinceramente Lúcia: Com tantas pessoas nessa feira, você tinha abalroar justamente o meu carrinho. Afinal, “por quem me tomas?” Não entendo o significado da expressão idiomática, Vilma retrucou: o que eu tomo ou deixo de tomar não é problema seu!

Vejamos se não é, respondeu Lúcia! Diante de dois carrinhos abarrotados de hortifrúti, ambas viram dois tanques de guerra, não tendo argumento para acalmá-las, por parte dos que estavam nas bancas próximas. A guerra foi declarada! O resultado foi tomate, cebola, mamão pra lá; batata, cenoura, pepino pra cá. Uma chuva de alface, cebolinha, almeirão, acelga caiu sobre todos que passavam.

Os transeuntes até que tentavam apaziguar a situação, mas nada as convenceu a assinar um tratado de paz. Mas o pior ainda estava por vir. Quando Telma viu uma embalagem de ovos no carrinho de Lúcia, não pensou duas vezes: Foi uma artilharia de ovos para todos os lados, a ponto de acertar com precisão, uma criança em seu carrinho de bebê.

Nem o guarda municipal, que tentou apaziguar as duas briguentas, escapou de levar um ovo em seu quepe. Uma situação lamentável, esdrúxula e ao mesmo tempo cômica destas que aparecem nas cenas de novelas. De volta, Telma e Lúcia, cada uma empunhando seu carrinho de feira, praticamente vazio, chegaram ao edifício onde moravam. Na portaria, Antonio diante do estado em que se encontravam, perguntou: o que aconteceu?

Nenhuma das duas respondeu nada. Sérias e caladas pegaram o elevador de serviço, subindo cada qual para o seu apartamento, no sexto andar. Antonio, diante do silêncio das duas, não precisou esperar muito para saber o que tinha acontecido. À noite, no telejornal regional, descobriu o que tinha acontecido na feira.

Depois deste episodio deplorável, quase não são vistas e relacionamento entre as duas, parece que melhorou. Espere um pouco! Aquela não é Telma na entrada do elevador, agarrando Lúcia pelos cabelos? “Pelas barbas do profeta!” Lúcia usa peruca?…

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O Coringa que te habita

Por Leonardo Torres.

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Leonardo Torres, 30 anos, Pesquisador, Professor, Doutorando em Comunicação e Cultura e Pós-graduando em Psicologia Junguiana

Não é surpresa que o filme “Coringa”, de Joaquim Phoenix e Todd Phillips, tenha obtido 11 indicações ao Oscar. Este é um dos filmes que, no mínimo, gostando ou não, intrigam cada um de nós. Assim que o filme foi lançado, seu impacto causou tanta estranheza que muitos se perguntaram: quem é e onde está o Coringa da vida real? Consequentemente, muitos dedos foram apontados: aos políticos, aos marginalizados, etc.. A resposta mais convincente foi dada por um colega da Psicologia, José Balestrini, que pontou que o Coringa é, simplesmente, o coringa: ou seja, uma máscara que cabe em todos nós.

A outra face do Coringa é o palhaço Happy, traduzindo para o português: o Feliz. Ele quer trabalhar, é dedicado, tenta ganhar o seu dinheiro, sonha em ser um astro, ou melhor, ter reconhecimento, isto é, como sinônimo disso tudo: ser feliz. Esta descrição corresponde à grande parte da sociedade atual. A busca da felicidade como sinônimo de sucesso, dinheiro e poder é um imperativo no mundo.

Porém, a busca da felicidade gera uma expectativa tão grande na sociedade, que muitos indivíduos, hoje, ao não conseguirem alcançá-la, fazem uso equivocado de medicamentos, como o clonazepam, para suportar a frustração de suas vidas. A questão é que felicidade não é sinônimo de dinheiro, sucesso ou poder. A Psicologia Analítica entende que não é possível estar em um estado de felicidade sem, frequentemente, enfrentarmos um estado depressivo. E, quem nega as próprias tristezas, frustrações, entre outros sentimentos que julgamos negativos, acaba por torná-los mais frequentes e maiores. O clonazepam ajuda a anestesiá-los, mas não os elimina.

Quando a negação destes sentimentos já não é mais suportada, eles nos tomam de uma vez só. Por isso, é muito comum vermos popstars que conquistam uma rápida fama enfrentarem um quadro depressivo logo em seguida. Se aceitássemos nossas tristezas em pequenas doses diárias, conseguiríamos também ser felizes em doses diárias.

Quando Happy veste a máscara do Coringa, ele não aceita em si todas suas dúvidas, frustrações e tristezas, o que seria o caminho certo, psicologicamente falando. Ele rompe com o próprio Happy em si, ele cinde, e é engolido por todos estes sentimentos sombrios. Isso faz nascer o Coringa. Nós não somos diferentes: todos temos tristezas, frustrações e dúvidas. Resta-nos entender as nossas e não apontar dedos para as do indivíduo ao lado. O lado sombrio e negativo da vida é inevitável. A única coisa possível de se fazer é escolher o que fazer com elas.

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Natal, tempo de reflexão…

Por Carlos R. Ticiano.

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Natal, tempo de reflexão...

Mais uma vez estamos no mês de Dezembro. De uma forma tímida, sem a tradicional melodia natalina, que o rádio já não toca mais; o Natal vai surgindo no calendário de mesa. Com ele, a esperança de que a data consiga mudar pelo menos um pouco, a cabeça das pessoas, que atualmente, só sabem cultivar a intolerância.

Mas a tradição prevalece. Nas igrejas são celebradas missas; muitas famílias fazem uma ceia completa; outras famílias nem tanto; muitas crianças recebem o presente esperado; outras talvez uma bola, uma boneca. Não quero parecer piegas e sem graça, mas a desigualdade é tanta, que chego a pensar, que os adultos não tenham sido uma criança um dia; e que já esperaram pela visita do Papai Noel, na expectativa de ganhar um presente.

Hoje em dia, é quase impossível comprar brinquedos. Os preços disputam uma briga tão desonesta, com o salário dos trabalhadores, que nem as lojas, dita como populares, que de popular não tem nada, conseguem ajudar na hora das compras. Mas o Natal vem chegando e com ele, a tão esperada temporada de compras natalinas. É impossível ficar indiferente as promoções das black friday, dos shopping centers iluminados, das vitrines decoradas, das ruas movimentadas…

Nem que para isso, seja preciso lançar mão das economias, ou estourar o limite do cartão de crédito. Quase é uma obrigação, sentir se atualizado com as novidades que desfilam diariamente, nos meios de comunicação. Em que a televisão e a internet, reinam de forma absoluta, com a finalidade de induzirem as pessoas a comprarem, até o que não precisam. Com o simples objetivo, de fazer um drinque de ofertas e seduzir o consumidor.

Desta forma, o Natal se torna triste, pois os preços são altos, as crianças são carentes, a democracia é restrita, o papai-noel é careta, os adultos são quadrados, as mensagens são evasivas, os sorrisos são falsos e as esperanças são remotas.  Ainda há muita desunião entre as pessoas, que acabam dificultando o reencontro, daqueles que sonham com uma festa mais cristã. Os cartões, com suas mensagens de “Feliz Natal”, foram substituídos pelas mensagens, através das redes sociais, que se encarregam de enviá-las via WhatsApp, Facebook , Instagram…

Abra aquele coração trancado, que impede as pessoas de se procurarem, se aproximarem, se encontrarem; para juntas descobrirem que o Natal é um momento propício para a confraternização. Redescubra aquele amor de infância, perdido no passado; aquela amizade de irmãos, esquecida no tempo; aquele abraço de saudades, abandonado na distância, aquele reencontro fraterno, para consigo mesmo.

Deixe o Natal nascer em sua vida, como nasceu à milênios, em Belém da Judéia, um menino de origem simples, pobre e humilde. Que através de uma simples manjedoura, soube demonstrar ao mundo, o verdadeiro significado de uma família. Mas a tradição prevalece; na porta da casa, uma guirlanda decorada; na sala de estar, uma árvore de natal, enfeitada com lâmpadas coloridas, pisca-piscas, bolas, laços e símbolos natalinos. Sobre a mesinha de canto, um presépio todo ornamentado, com um Papai Noel dançando e cantando Jingle Bells.

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