Vizinhas nada amigáveis…

Por Carlos R. Ticiano.

Residir em apartamento, todos sabem que é um desafio manter-se em harmonia com os vizinhos. Telma e Lúcia são duas vizinhas que ignoram todos os conceitos de uma boa vizinhança e vivem se estranhando, seja por que motivo for.

Raramente se encontram, e quando isso acontece, um cumprimento é o máximo que conseguem expressar. No edifício onde moram, são conhecidas como Telma raio e Lúcia trovão, pois quando se desentende o tempo fecha. 

Por um golpe do acaso, dia desses, se encontram na feira livre do bairro. Ao passarem um pela outra, seus carrinhos de feira, se enroscaram. Para qualquer pessoa, seria apenas um incidente. Mas para Telma e Lúcia, foi o suficiente para um bate-boca. Sinceramente Lúcia: Com tantas pessoas nessa feira, você tinha abalroar justamente o meu carrinho. Afinal, “por quem me tomas?” Não entendo o significado da expressão idiomática, Vilma retrucou: o que eu tomo ou deixo de tomar não é problema seu!

Vejamos se não é, respondeu Lúcia! Diante de dois carrinhos abarrotados de hortifrúti, ambas viram dois tanques de guerra, não tendo argumento para acalmá-las, por parte dos que estavam nas bancas próximas. A guerra foi declarada! O resultado foi tomate, cebola, mamão pra lá; batata, cenoura, pepino pra cá. Uma chuva de alface, cebolinha, almeirão, acelga caiu sobre todos que passavam.

Os transeuntes até que tentavam apaziguar a situação, mas nada as convenceu a assinar um tratado de paz. Mas o pior ainda estava por vir. Quando Telma viu uma embalagem de ovos no carrinho de Lúcia, não pensou duas vezes: Foi uma artilharia de ovos para todos os lados, a ponto de acertar com precisão, uma criança em seu carrinho de bebê.

Nem o guarda municipal, que tentou apaziguar as duas briguentas, escapou de levar um ovo em seu quepe. Uma situação lamentável, esdrúxula e ao mesmo tempo cômica destas que aparecem nas cenas de novelas. De volta, Telma e Lúcia, cada uma empunhando seu carrinho de feira, praticamente vazio, chegaram ao edifício onde moravam. Na portaria, Antonio diante do estado em que se encontravam, perguntou: o que aconteceu?

Nenhuma das duas respondeu nada. Sérias e caladas pegaram o elevador de serviço, subindo cada qual para o seu apartamento, no sexto andar. Antonio, diante do silêncio das duas, não precisou esperar muito para saber o que tinha acontecido. À noite, no telejornal regional, descobriu o que tinha acontecido na feira.

Depois deste episodio deplorável, quase não são vistas e relacionamento entre as duas, parece que melhorou. Espere um pouco! Aquela não é Telma na entrada do elevador, agarrando Lúcia pelos cabelos? “Pelas barbas do profeta!” Lúcia usa peruca?…

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