A triste realidade…

Rahel Patrasso/Reuters

Rahel Patrasso/Reuters

Tudo isso que está acontecendo, poderia ser apenas uma utopia, como diz a letra da música “O dia em que a terra parou”, interpretada por Raul Seixas. Guardadas as devidas proporções dos fatos, infelizmente é a mais pura realidade.

As pessoas com idade acima de 70 anos, não devem sair às ruas; os alunos estão dispensados das aulas; as crianças não devem descer para brincar no playground; o sacerdote não vai celebrar a missa; o jardineiro não vai cuidar do jardim; o pipoqueiro não vai estar na praça; o pedreiro, o eletricista e o pintor não vão concluir o serviço.

As pessoas acima de 60 anos, vão trabalhar home office (em casa); os restaurantes só vão servir refeições através de delivery (serviço de entrega); as floriculturas fechadas vão deixar os casais apaixonados sem rosas; o retireiro não vai ordenhar as vacas (tirar o leite); a faxineira não vai fazer faxina; o sorveteiro não vai vender sorvete.

As pessoas de um modo geral, são orientadas a ficar em casa; os supermercados vão limitar uma quantidade de produtos por cliente; o garçom não vai ter mesas para servir; a diarista não virá para fazer o serviço da casa; o teatro não vai exibir a peça em cartaz; o carro que vende pamonhas de Piracicaba, não vai oferecer pamonhas; os banhistas vão deixar as praias desertas.

As pessoas se isolam amedrontadas; as ruas se tornaram desertas; o arquiteto não vai elaborar o projeto; o construtor não vai tocar a obra; o dentista não vai iniciar o tratamento dentário; o salão de beleza não vai cuidar da aparência das pessoas; nos bancos a solução é utilizar os terminais eletrônicos; a lavanderia não vai receber roupas para lavar.

As pessoas não podem se tocar; as lojas do comércio vão manter suas portas fechadas; o pessoal do telemarketing não vai telefonar; o leitor não irá às urnas para votar; os políticos prometem não legislarem em causa própria; o passeio pelo shopping deverá ser substituído por um tour pela casa; nada de dar as mãos, se abraçar e nem tão pouco se beijar.

As pessoas se sentem encarceradas e solitárias; suas casas se tornaram uma prisão domiciliar; o mecânico não vai consertar o carro; os adeptos de academia vão ter que improvisar seus exercícios; os atores não vão interpretar seus personagens; os cantores não vão entoar suas canções; os barzinhos não vão abrir para o tradicional happy hour.

As pessoas nas janelas visualizam um horizonte incerto; a promessa de um futuro catastrófico é evidente; o feirante não montar sua banca na feira; o ônibus interestadual não vai sair da rodoviária; o avião não vai decolar do aeroporto; os trens não vão trilhar, passando pelas estações; o navio não vai zarpar do cais do porto; a indústria não vai produzir bens de consumo; o designer não vai decorar o ambiente.

Os fatos que permeiam os noticiários diuturnamente de forma avassaladora, não dizem até quando vamos padecer. Alguns dias, algumas semanas, alguns meses! Quem sabe dizer? A realidade, é que o futuro a Deus pertence…

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