Tarde de outono chuvosa, tradicionalmente de rara beleza, mas também um tanto quanto melancólica; considerada pelos mais idosos, como um tempo para mudanças. Numa das principais avenidas, que interliga a cidade, um trânsito confuso e lento.

Ao longo da avenida, ônibus, carros e motos enfileirados e emparelhados, sem nenhuma opção de uma rota de fuga. Diante do marasmo, alguns motoristas aproveitavam para acessar o celular, sintonizar o rádio, relaxar no encosto do banco. No caso de Adriano, era visivelmente que seu pensamento estava longe.

A chuva não cessava e a tarde ia perdendo gradativamente a claridade. À noite começava a chegar e com ela, uma ligeira queda da temperatura. Por toda extensão do asfalto molhado, folhas secas e amareladas, caídas de algumas árvores, que ainda resistiam à poluição de uma cidade de concreto.

Nos postes de iluminação, as lâmpadas começavam a acender, ajudando os faróis dos veículos, a iluminar o trânsito congestionado, que se estendia por toda avenida. O limpador de para-brisa, na posição intermitente, andava e voltava; como a imaginação de Adriano, que acompanhava o vai e vem, como que hipnotizado pelo movimento.

Seu pensamento viajava na direção de alguém, que ele não via ha muito tempo e que acabara se perdendo no passado, em uma tarde de verão, também chuvosa. Sem entender o motivo da nostalgia, Adriano se perguntava, porque estaria pensando em Patrícia. Talvez a resposta estivesse na ausência que ele sentia, por não tê-la do seu lado.

Na realidade, Adriano sentia falta do seu perfume, seu sorriso, seus abraços, seus carinhos e seus beijos. Mas por onde andará Patrícia? Ficava imaginando! Tentando se desvencilhar, do redemoinho de lembranças, que sobrevoavam sua cabeça, começou de forma involuntária, a olhar para os carros e para as pessoas que os dirigiam.

Quando avistou no carro ao lado, uma jovem parecida com Patrícia. Que olhava fixamente para o horizonte, ofuscado pela noite chuvosa. Adriano por várias vezes olhou e fechou os olhos, não acreditando que poderia ser de fato, quem ele pensava que fosse. Não teve dúvidas; abriu o vidro do carro, acenou e gritou: Patrícia! Patrícia! Mas a jovem não ouvia e nem olhava.

O jeito foi descer e bater na janela do seu carro. Assustada, olhou e também não acreditou, quando viu Adriano. Surpresa abriu a porta do carro e saiu ao seu encontro. Do céu ainda caia uma chuva fina; dos carros ainda ressoavam buzinas; do semáforo ainda se visualizava lampejos de cores e do rádio do carro, ainda se podia ouvir o refrão da música “Algo Parecido” com o Skank – Você bem que podia vir comigo. Para além do final dessa rua. Pro outro lado da cidade. A gente é parecido.

No dia seguinte, no Assis News (portal de notícias), uma matéria completa sobre a chuva, o congestionamento e o reencontro de dois jovens apaixonados. Que por alguns minutos, conseguiram deixar em segundo plano, o transito caótico de uma cidade.

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