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Crônicas

A essência do Natal…

Por Carlos R. Ticiano.

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239

Crônica: A essência do Natal...

E surgiu…

Em meio às lojas badaladas

E decoradas pela chegada de mais um Natal.

Um garoto carente, tímido e triste

Observando deslumbrado, fascinado e encantado

Tudo que via a sua volta.

Admirado com tanta beleza, ficava apontando e passando os dedinhos

Nas vidraças enfeitadas

De um grande Shopping Center da cidade.

De loja em loja, de vitrine em vitrine,

Ficava olhando o brilho das luzes coloridas das árvores de natal

As guloseimas de darem água na boca

E a infinidade e diversidade de brinquedos expostos.

Provavelmente imaginando

E sonhando com a possibilidade de brincar com um deles.

Assustado e surpreso,

Com a chegada de um segurança da loja

Saiu correndo, deixando cair de suas mãozinhas

Um pedacinho de papel.

Provavelmente, onde deveria estar escrito

O presente que gostaria de ganhar.

Aquele garoto andarinho,

Provavelmente represente o amor, o carinho, a amizade e a paz interior

Que não conseguimos encontrar.

Nem tão pouco comprar,

Por mais dinheiro que tenhamos, em nossa conta corrente.

Mas que deveríamos ter

Para sair distribuindo gratuitamente,

De uma forma espontânea, partilhada, despojada e fraterna.

Algo como um brinquedo, uma roupa, uma cesta básica, um calçado…

Que pudesse ajudar os mais necessitados.

O natal é uma festa de amor, de confraternização, de alegria e de esperança

Que o “Menino Jesus” transmitiu ao seres humanos

Ao nascer em uma simples manjedoura.

O mais importante nesta época,

Não é uma guirlanda de natal dependurada na porta da casa

Uma árvore de Natal toda iluminada na sala

Ou um Papai Noel dançando e cantando Jingle Bells em uma mesinha de canto.

Com o objetivo apenas de decorar e valorizar o ambiente

E a consciência mais tranquila.

Mas o que deveria prevalecer na realidade,

Era a simples e singela simplicidade do Papai Noel.

Mesmo que fictício para os adultos

Apesar de que um dia também esperamos pela chegada do bom velhinho.

Desejar a todos de coração e de braços abertos

Um eterno e Feliz Natal…

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Crônicas

Nomes, para que servem

Por Nilson Lattari.

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Nilson Lattari

Muitos se preocupam com os significados dos seus nomes, talvez na vã tentativa de comprovar com a escolha do Destino uma futura missão, podendo estar em uma representação do mártir cristão, ou da figura pagã que reinou em outros tempos, do adjetivo que remeteria ao seu real eu, internado na alma, que poderia lhe dar importância sem o menor esforço.

Dar nome aos bois, falar em nome de alguém, de importância ou significado, ou a perguntar o nome disso ou daquilo; o que existe, de realidade, entre o nome que têm as coisas e os seus significados?

Nossos pais, aqueles os responsáveis pela escolha dos nossos nomes, não são inquiridos, até porque as respostas seriam as mais prosaicas; desde a homenagem a uma figura histórica, ao simples gosto pessoal, de um parente próximo e relevante, na escolha do artista da moda, ou uma simples onda que se apossa da multidão, e o sorteado da vez vai carregar pelo resto da vida o nome dado.

Nomes são, também, referências, pontos de partida para orientações, para um uniforme meio de comunicação para sabermos sobre o que falamos, onde estamos.

Depois, alguns nomes se tornam nomes de ruas, lugarejos, bairros, cidades. É com nomes que lembramos da nossa História, e é com nomes, alguns pejorativos, depreciativos que descartamos as coisas que não desejamos.

Mas não só de |Homens vivem os nomes. Vivem também daqueles que se referem a defeitos que existam nos corpos dos Homens, desde o careca, ao exageradamente gordo ou magro e, combinados, viram formas de homenagear duplas, grupos, etc., ou então são marcações que fazemos sobre os outros, taxando de conservadores, comunistas, direitistas e esquerdistas, e, mais recentemente, com os apelidos: coxinhas, mortadelas, trouxinhas até mesmo os maria-vai-com-as-outras, com o devido perdão com as Marias, quer aquelas que vão ou ignorem as outras.

Enfim, nomes são relevantes para sabermos com quem falamos, para nos lembrarmos de quem, e a relevância é dada por aquilo que fazemos, deixamos em nossa História, que pode ser a referência dizendo que aquele sujeito não é um fulano e tal, que fez tanta coisa boa, ou não pode ser igualado, ao mesmo tempo, com o sujeito que nunca poderá ser taxado de um beltrano que fez outro tanto não na mesma proporção de probidade e honradez.

Mais do que saber o significado do nome, devemos dar a ele um significado e uma história de que ele, e também nós devamos nos orgulhar, a ponto de ser lembrado como homenagem. Afinal, para que servem os nomes? Para serem preenchidos com uma bela história.

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Crônicas

Escolha seu eu para colorir

Por Nilson Lattari.

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Escolha seu eu para colorir

Colorir flores em um livro recheado de vazios onde colocamos as cores que nos vêm à cabeça. Dizem que serve como alívio para o stress, a distração em espalhar gotas coloridas, criando jardins na imaginação.

A vida também é um espaço vazio onde preenchemos com momentos coloridos, jardins onde os olhos e os sorrisos nos fazem ver passarinhos verdes. O amor, por exemplo, preenche nossos corações, nossos pensamentos com momentos coloridos (e como é bom esse colorido!). Ás vezes nem é bem amor, mas uma espécie de contrato, mas, mesmo assim, chamamos de amizade colorida.

Algumas pessoas veem a vida em preto e branco. O olhar é sombrio, o sorriso forçado. Sentimentos que perambulam na escuridão, na espreita, invejas, ambição desmedida, propensões às traições, na busca de um colorido que não habita o outro lado da janela do poeta, que como um arlequim de chapéu colorido salta no imaginário em busca de um arco-íris de colorido infinito.

Na busca da autoafirmação do gênero, novos gêneros se abrigam em cores alegres e divertidas.

Pessoas em preto e branco não se permitem colorir. Afastam os momentos coloridos com desdém, desprezo, criticam o colorido que algumas almas, não, quer dizer, muitas almas, com certeza, que já trazem dentro de si um colorido diferente. Expressos nos sorrisos, nos olhares úmidos e brilhantes, esbanjando cores para o mundo, de quanto e como estão coloridos por dentro.

Como ideia para afastar o stress, o desânimo, a desesperança, que tal colorir nossa vida por dentro? Um vermelho bem vivo a bombear do coração para o mundo, uma mente desvanecida, azulada, de anil, a fazer fluir pensamentos positivos, o amarelo desprezado, mas que habita na luz solar, saindo das mãos a espalhar a luz pelos caminhos, o branco, por que não, na suavidade das palavras distribuindo a paz, o verde da calma do respirar tranquilo e tranquilizador, e o preto, também por que não, a servir de pano de fundo, o que dá o realce, e até o brilho.

Mas o falso também pode trabalhar o colorido. Mas, é o verniz da desenvoltura que o desmascara. No verdadeiro, a cor brilha e passa realidade. Como encher nosso livro interior com os momentos coloridos?

Amando, mesmo que não seja amado, porque o amor de si mesmo é que prepara a página de amar. Não existem amantes que não sejam coloridos, e colorem e se deixam colorir e são livros abertos, páginas e páginas que vagueiam, se autopreenchendo dando de si para o outro, na troca de lápis de cor, como crianças em mesa de jardim de infância.

Falta colorir o mundo, não tão somente os livros, que guardamos nas gavetas. Falta o colorido no abrigo das discussões políticas, encardidas nas ideias aferradas, tanto de um lado como de outros, a espalhar a cor única da divisão da riqueza dos homens, da matéria ou da alma que abraça.

É preciso colorir e se deixar colorir pelo mundo. Deixar-se abrir como um livro que revela seus segredos em preto e branco, à espera de que a luz da compreensão venha com seus momentos policrômicos.

Portanto, entregue-se às tintas da imaginação e comece a se colorir por dentro, porque mais do que nunca as cores que outros trazem nos revelam as melhores combinações. Grafites que revelam o que nós somos.

Transforme-se em um livro para colorir, e se encha de cores por dentro.

O autor

Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br e facebook/blogdonilsonlattari. Vencedor duas vezes no Prêmio UFF de Literatura 2011 e 2014, e Prêmio Darcy Ribeiro – Ribeirão Preto 2014 em crônicas e terceiro colocado em contos no Prêmio UFF em 2009. Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romances no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em contos, crônicas e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. Ambos levam ao infinito, porém em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem se valer da imaginação para um universo inexato e sem explicação.

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Crônicas

Minha Rua

Por Nilson Lattari

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Minha rua é como um rio que vai carregando memórias, eternamente. Quando chego à janela e debruço o olhar sobre as pedras, relembro que ela mudou ao longo do tempo. Foram as casas que se tornaram prédios, foram vizinhos que encheram carros com as mudanças de vida, e novos vizinhos que foram chegando, buscando as informações que os outros levaram, e quem sabe as recontar.

Minha rua é um rio que às vezes desce caudaloso, com as notícias terríveis correndo, contando horrores de crimes, de brigas, de desencontros de amores, e contendas entre antes amigos, durante inimigos e novamente amigos antigos que se retornaram.

Minha rua de tanto mudar ficou muda, e de tantas coisas que aconteceram nela tornaram as janelas meras fontes de informações de gente antiga, e numa confusão de coisas, a memória ficou pra trás.

Minha rua às vezes tem notícias boas, como o conserto do buraco, da água que corria infinita, das luzes que se acenderam novas, trazendo modernidades, dos amigos, já velhos, já avós e avôs, a passearem com seus netos, contando, quem sabe, novidades que trazem de um tempo anterior, apontando com os dedos os lugares onde correram, e os lugares onde tiveram o primeiro amor.

Minha rua é um rio onde o ribeirinho somos nós, os vizinhos de longa data, que se conhecem e se cumprimentam e relembram o tempo onde, crianças, se divertiam nela.

Minha rua é populosa, outrora tão vazia, que as festas que ocorriam eram mais que reuniões de patotas. Minha rua era um ponto de reunião, como o ouro de aluvião que subitamente um grupo encontra.

Minha rua é transgressora, às vezes, perigosa, como o rio que transborda e arrasta as gentes, seus móveis, suas angústias e seus amores.

Minha rua tinha namorados e namoradas, tinha cantiga de roda, hoje é um passar de carros, motos, que as brincadeiras de bikes, antigamente, bicicletas, já não encontram espaço no meio do asfalto novo, tão gostoso de passear, ao contrário dos paralelepípedos que pareciam cantar.

Minha rua tem memória, dessas que até as pedras escondidas no asfalto sabem. Por isso, a memória, que fica escondida no engarrafamento, parece o gigante que dorme à espera de um despertar, aguardando que alguém, finalmente, faça um buraco na rua e ela volte a acordar.

Minha rua tem memória, enquanto vivemos aqui. Um dia, quem sabe, alguém venha a perguntar: Que faz aquela chaminé ali, como um monumento a ninguém? Alguém talvez se lembre que era a casa de um homem que gostava de escrever e, por último alento, colocou na lareira ardente os últimos parágrafos da rua, e levou para sempre as memórias do lugar.·.

Nilson Lattari

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