Como são frágeis os jovens para o amor

Por Nilson Lattari.

A vida é feita de muitos perigos. Um deles é o amor para os jovens. O primeiro amor, que deveria ser o único, o eterno e o fecho para “felizes para sempre”, é um privilégio, uma fortuna. Mas, jovens não são aqueles de tenra idade, também são aqueles que amam, de verdade, a primeira vez, não importa a idade. São frágeis aqueles que amam, porque são jovens até na primeira vez que abraçam e beijam com intensidade.

Como são frágeis, então, os que têm nos braços o primeiro amor. São como o barqueiro que enfrenta as ondas do mar, sem saber do seu poder, mas, enxergando apenas o seu fascínio. Que veem o brilho do sol na floresta, e enxergam o seu encantamento e não os perigos que se escondem nela.

A fragilidade tem a ver com a descoberta. Quando os olhos enxergam o primeiro de tudo, onde tudo é novidade, e a vida, na sua dureza e frialdade, não mostram as garras do infortúnio ou da maldade.

Como somos frágeis porque amamos e somos jovens na primeira oportunidade em que o coração fala mais alto, onde não colocamos a razão sobre o sentimento das coisas, como se entendêssemos tudo e, portanto, somos presunçosos. Ou quando ignoramos a existência da razão sobre o coração e somos valentes, não covardes. Ou quando ignoramos a razão e escolhemos o amor, o sentimento, e observamos apenas a fé cega seguindo o olhar do outro, a voz do outro.

Com o passar do tempo, fazemos um balanço de nós mesmos e relembramos, lá no íntimo, que, talvez, em algum lugar do passado deixamos o amor certo e ponderado passar por nós e não o enlaçamos como o animal selvagem que nos olhava querendo que o domássemos, o amássemos.

Como são frágeis os jovens para o amor diante da eternidade. Alguns o encontram e o desprezam, outros o acalentam e por sorte, por destino ou por uma razão dessas que ninguém entende, consegue tê-lo para sempre. Alguns irão perdê-lo e serão tristes. Felizes ou não, um dia ele será perdido, para aquele que permanece na vida ou que se vão. Os tristes perderão também a esperança de reencontrá-lo: o amor é paradoxal, sempre vamos perdê-lo, de um ou de outro jeito.

Sorte têm aqueles que o conseguem de primeira, azar de outros que o desprezam e depois se arrependem e, para aqueles que nunca o tiveram, resta apenas saber que sempre é possível que ele aconteça; a floresta e o mar estão aí, basta ter coragem para enfrentá-los.

O Autor

Nilson Lattari

Nilson Lattari é carioca e atualmente morando em Juiz de Fora (MG). Escritor e blogueiro no site www.nilsonlattari.com.br e facebook/blogdonilsonlattari. Vencedor duas vezes no Prêmio UFF de Literatura 2011 e 2014, e Prêmio Darcy Ribeiro – Ribeirão Preto 2014 em crônicas e terceiro colocado em contos no Prêmio UFF em 2009. Finalista em livro de contos no Prêmio SESC de Literatura 2013 e em romances no Prêmio Rio de Literatura 2016. Menções honrosas em contos, crônicas e poesias. Foi operador financeiro, mas lidar com números não é o mesmo que lidar com palavras. Ambos levam ao infinito, porém em veículos diferentes. As palavras, no entanto, são as únicas que podem

VEJA TAMBÉM

Nilson Lattari

Sobre desertos

Nilson Lattari

Escritores

#MAIS LIDAS DA SEMANA