Casal em Minas Gerais se prepara para o ‘fim do mundo’ desde 1992

Para terapeutas adeptos da meditação, ‘mundo do egoísmo’ vai acabar.
Professora de história diz que teoria maia foi deturpada ao longo do tempo.

Um casal de terapeutas de Montes Claros (MG) acredita que o mundo vai mesmo acabar em 21 de dezembro de 2012, como diz uma teoria controversa atribuída ao povo maia. Mas para Ruy Tupinambá, de 58 anos, e Eliana Delfino, de 56, não haverá a destruição do mundo físico, com tsunamis, terremotos e outras catástrofes naturais. Segundo Ruy, “o mundo que vai acabar é o mundo do egoísmo, da maldade, do ódio, das guerras e catástrofes vivenciado até agora”. Adeptos da meditação, ele afirmam que a data marcará o início de um “novo tempo”.

Ruy Tupinamba e Eliana Delfino creem no começo de um novo tempo (Foto: Cida Santana )

Os terapeutas dizem que se preparam para essas mudanças desde 1992, quando decidiram se mudar de São Paulo para um sítio nos arredores de Montes Claros em busca de paz interior. Eles contam que já naquela época começaram a se preparar para esse “fim do mundo das coisas negativas”, que segundo eles marcará o início de um novo ciclo na Terra.

Casal se prepara para um nvo tempo desde 1992
(Foto: Cida Santana )

“Cuide-se, cure-se. Tenha vibrações positivas. Essa data é para se comemorar e não se temer”, diz Eliana. “Faça um mundo novo nascer dentro de você”, recomenda ela, que conta estar preparada para o momento de “transformação”.

“O foco com esse novo tempo será o próximo”, diz Ruy, que afirma que as pessoas hoje em dia pensam muito em si mesmas. “Para quem não souber viver assim , o mundo vai acabar”, crê.

Os dois dizem ter formação católica, mas contam que foi através da meditação que chegaram à paz espiritual. Em meio ao silêncio do ambiente natural, Ruy e Eliana meditam durante cerca de três horas por dia.

História
A teoria de que o mundo vai acabar nos próximos dias teria por base uma previisão feita pela civilização maia, que viveu no sul do México e em alguns países da América Central, entre o ano 2000 antes de cristo até o século XVI.

Professora de história diz que a teoria da cvilização
maia é positiva (Foto: Cida Santana )

Segundo Valéria Santana, professora de História Antiga da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), a teoria foi disseminada de forma equivocada ao longo dos tempos. “Os maias eram uma civilização muito organizada e tinham um calendário que previa o início de um novo tempo a partir do final de 2012, embora não se tenha registros precisos desse calendário”, diz a professora. “Mas eles não preveem o fim do mundo, e sim o começo de um novo ciclo, um eterno recomeço”, explica.

Ainda de acordo com a historiadora, se o fim previsto pelos maias realmente acontecer da forma como eles pregavam, o fato só fará bem à humanidade. “Trata-se de uma mudança para o bem. A previsão dos maias só traz energias positivas” diz a professora, que afrima estar tranquila de que o mundo não vai acabar em 21 de dezembro

Opiniões nas ruas
No Centro de Montes Claros, as pesspas parecem estar alheias às consequências de teorias e profecias.

Rondinelli Gonçalves não acredita e diz que vai
curtir a vida normalmente (Foto: Cida Santana )

“Isso não vai acontecer. O povo fala isso, as redes sociais brincam com o assunto, mas eu não acredito”, opina o auxiliar de produção Rondinelli Gonçalves. “Nesta data vou sair e curtir a vida normalmente”, diz.

“Só Deus sabe a hora certa para as coisas acontecerem”, diz a dona de casa Eliene Lopes Santos. “Não estou com medo, mas se ele achar que é chegada a hora, vamos respeitar. Enquanto isso eu vou namorar e curtir muito a vida” diz

Luiz Henrique diz que um dia tudo terá fim,mas não
acredita que seja agora (Foto: Cida Santana )

Luiz Henrique Rodrigues também não acredita na profecia. “Pelo que a bíblia diz isso não vai acontecer assim. Sei que um dia tudo terá fim, mas não acredito que seja agora. Estou tranquilo e vou levar uma vida normal. Isso não passa de invenção” afirma.

Outro que não acredita em um possível fim do mundo no dia 21 é o estudante Vinicius Aguiar. “Não acredito, até porque sou ateu. Tem toda essa história do calendário maia, mas acho que estão fazendo muito barulho em cima da questão”, diz. “Outras datas como a virada de 1999 para 2000 também foram alardeadas e nada aconteceu. Não estou preocupado com isso”, afirma.

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