Coleções guardam valor sentimental para ‘herdeiros’ da Revolução de 1932

Sites ajudaram a ampliar a rede de contatos, mas ‘garimpo’ ainda é físico.

Ricardo Della Rosa é um dos grandes colecionadores de artigos da Revolução de 32 (Foto: Raul Zito/G1)

Às vésperas dos 81 anos da Revolução Constitucionalista de 1932, celebrada nesta terça-feira (9), o publicitário Ricardo Della Rosa conseguiu um feito para ele inédito. Arrematou um porta-fósforo de prata usado pelos combatentes. O novo objeto da coleção, que já soma mais de 700 peças, não demandou um grande empenho financeiro. Colecionar artigos de tal período histórico, de acordo com os especialistas, exige mais disponibilidade para pesquisa do que dinheiro.

“Não é uma coleção glamorosa. Ser colecionador de artigos da revolução de 32 é uma coisa muito mais de dedicação do que preço”, pontua Della Rosa. Neto de dois ex-combatentes, a coleção começou por influência familiar. Seus avós tinham armazenado uma série de itens da época. Hoje, seu apartamento na Zona Sul de São Paulo virou uma espécie de museu.

“O pai do meu pai e o pai da minha mãe lutaram. Eu acabei tomando consciência da coisa toda pelos dois lados da família. Fui bombardeado de uma maneira positiva. A coleção surgiu com a minha família. Ganhei muita coisa que eles guardaram. Sempre me interessei por história, e chegou uma época que todo mundo resolveu deixar comigo esse acervo.”

Cartazes da época são alguns dos artigos mais ‘valiosos’ (Foto: Raul Zito/G1)

A Revolução de 32, também conhecida como Guerra Paulista, foi um movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo entre julho e outubro de 1932. O objetivo era derrubar o governo de Getúlio Vargas e a estabelecer uma nova constituição para o Brasil.

Desde 2010, o publicitário compartilha boa parte do conhecimento e acervo que tem no blog www.tudoporsaopaulo.com.br. A página ampliou a rede de contatos, e ajudou a ventilar o assunto nacionalmente, mas o garimpo das peças, segundo ele, ainda exige esforço físico.

“Eu faço umas peregrinações em feiras, antiquários, vou a cidades do interior para almoçar, falo com velhinhos, comerciantes. Para todo mundo que me conhece, sempre que posso, falo do assunto. Para a peça chegar à sua mão, é fundamental que saibam que você gosta do tema”, disse.

As grandes aquisições são motivos de celebração etílica. Della Rosa comemora tomando uma taça de sua bebida preferida. “O porta-fósforo em prata é muito diferente, eu não tinha. Esse mereceria um vinho”.

O empresário Marcelo Tibúrcio também dedica parte de seu tempo à Revolução de 32. Ele revela que gasta, em média, duas horas por dia fazendo pesquisas.

“Cada peça que você compra te obriga a pesquisar. Você acaba descobrindo a história do esforço, do patriotismo da época, e te faz querer crescer a coleção”, contou Tibúrcio.

Neto de ex-combatentes, ele começou a coleção aos 12 anos, ao tomar conhecimento dos objetos guardados pelo avô.

As aquisições também proporcionaram uma fonte de renda paralela. “Dependendo do fornecedor, é preciso comprar um lote todo para conseguir uma peça especifica”, afirmou. Para vender os artigos excedentes, ele montou há cinco anos um site que comercializa antiguidade militar. “A ideia do site foi buscar mais peças para coleção, mas acabou que virou um negócio também. É uma captação, mas equilibra , eu consigo manter sem gastar muito.”

Coleção de Marcelo fica exposta na sala de sua
casa (Foto: Raul Zito/G1)

O empresário exibe a pequena coleção na sala de sua casa. Embora siga empenhado na multiplicação do acervo, não consegue citar uma peça específica que deseja adquirir. “Tem alguma insígnias que a gente disputa a tapa. É difícil falar uma coisa especifica. Tem bastante coisa que aparece.”

Della Rosa, porém, ainda tem esperança de encontrar um broche, espécie de distintivo usado por senhoras que montavam caixas de lanches que eram enviadas aos soldados no front. “Era tudo o que o soldado comia. Era um serviço de assistência. E elas tinham um distintivo, era a marquinha delas. Um quadradinho verde com o nome do serviço – “Lunch Expresso”. E eu tenho certeza de que quem olha aquilo não vai saber que é de 32. É um metalzinho esmaltado, é um negócio que eu adoraria, mas nunca achei.”

Broches e insígnias da época são os objetos mais procurados (Foto: Raul Zito/G1)

#MAIS LIDAS DA SEMANA