Nenhum carro atual tem consumo exigido pelo governo, diz Inmetro

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, até 2017 o objetivo é que o consumo médio de gasolina melhore para 17,26 km/litro

Nenhum dos carros que, este ano, receberam as melhores notas do Inmetro no quesito consumo de combustível sequer chega perto de cumprir as metas do Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores, o Inovar-Auto, mais conhecido como Regime Automotivo, que foram anunciadas nesta quinta-feira (4) pelo governo federal.

De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, até 2017 o objetivo é que o consumo médio de gasolina melhore para 17,26 km/litro. No caso do etanol, o consumo médio deve chegar a 11,96 km/litro. Segundo ele, os proprietários de veículos que cumpram essas metas poderão ter economia média anual de R$ 1.150 com combustível.

No entanto, mesmo os 17 carros mais econômicos de oito fabricantes (Fiat, Ford, Honda, Kia, Peugeot, Renault, Toyota e Volkswagen) que já aderiram voluntariamente ao Programa de Etiquetagem Veicular do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) passam bem longe da meta de consumo estabelecida para daqui cinco anos.

O modelo mais eficiente para o ano 2012, segundo Inmetro, é o Fiat Mille Economy, que obteve nota A na etiquetagem devido ao consumo de 8,9/10,7 km/litro (etanol, em circuitos urbano/rodoviário) e 12,7/15,6 km/litro (gasolina, idem). Também agraciado com nota A, o Renault Duster tem consumo de 10,2 km/litro de gasolina na estrada. Mesmo um dos raros carros híbridos vendidos no Brasil, o Ford Fusion Hybrid, só a gasolina, ficou um pouco abaixo dos 14 km/litro.

As fabricantes que conseguirem atingir as metas de consumo receberão incentivo por meio da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A adesão ao programa de etiquetagem do Inmetro será obrigatória até 2017.

MAIS SEGURANÇA
O novo regime automotivo prevê o investimento das montadoras em tecnologias mais modernas de produção, com motores mais eficientes, menos poluentes e com peças mais leves. O governo quer também estimular a fabricação de veículos mais seguros, equipados com controle de estabilidade (ESC) para evitar capotamentos e com sistemas de prevenção de acidentes por meio de alerta de colisão iminente.

Atualmente, o ESC é item extremamente raro em carros com preço abaixo de R$ 50 mil. E, embora “alerta de colisão iminente” seja uma descrição pouco conclusiva, os sistemas de segurança ativa (que entram em ação antes de um acidente) desse tipo costumam ser encontrados apenas em carros premium, de marcas como Audi, Mercedes-Benz e Volvo.

Como o novo prevê incentivo também às empresas que não produzem, mas apenas vendem os veículos no Brasil, essas exigências podem colaborar para diminuir a carga de impostos sobre seus produtos. De resto, para serem beneficiadas, estas fabricantes também terão de assumir o compromisso de importar veículos mais econômicos.

Quanto à segurança, já em 2014 todos os carros vendidos no Brasil deverão contar com airbags e sistema ABS (antitravamento dos freios) como itens de série.

NÃO É FÁCIL BEBER MENOS
São raros os casos de modelos avaliados nos últimos seis anos que obtiveram médias de consumo próximas ou tão boas quanto as exigidas pelo novo regime automotivo.

O caso mais recente foi o do Volkswagen Fox BlueMotion, que, em condições favoráveis (vidros fechados, ar-condicionado desligado) cravou média de 21,3 km/litro de gasolina. O carro, que é uma versão do Fox voltada à eficiência energética, não foi incluído na mediação do Inmetro para 2012. Já o Volkswagen Gol BlueMotion, que segue a mesma proposta, teve desempenho menos eficiente, obtendo 15,75 km/l. O modelo da família BlueMotion testado pelo Inmetro foi o Polo, que teve nota A.

O Volkswagen Gol Ecomotion, que usa a plataforma do Gol G4, obsoleta depois do Gol G5, conseguiu médias de consumo que satisfazem as metas do novo regime, em test-drive realizado mais de dois anos atrás.

Há casos também como o do Audi A1 Sport, cuja fabricante promete média de consumo de 19,6 km/l na estrada, mas que em nossas mãos ficou em 14,7 km/l — já que foi dirigido em condições reais, com ar-condicionado ligado e na velocidade máxima permitida em estrada.

O Chery QQ rodou 20 km com um litro de gasolina em nosso teste, mas não é um carro do mesmo nível qualitativo geral que os demais aqui citados.

Com etanol no tanque, a meta do novo regime parece ainda mais distante. Um dos carros mais econômicos com o combustível vegetal foi o Citroën C3 com motor 1.5, lançado no mês passado, que obteve média de 9,4 km/l em nossa avaliação.

A briga por mais eficiência energética — e também por emissões menores de gases poluentes e do efeito estufa — já é uma realidade na Europa e nos Estados Unidos, mas uma ilusão distante em países emergentes como China e Índia. O Brasil, parece, decidiu seguir o melhor exemplo.

Não é à toa que, nos últimos meses, surgiram tantas notícias sobre novos motores sendo desenvolvidos por fabricantes como Ford e Volkswagen, notadamente unidades de três cilindros e baixa capacidade, mas com elementos tecnológicos que garentem entrega de potência e torque interessantes. É o que se chama de downsizing. Um dos melhores carros do ano, o Hyundai HB20, tem uma versão com motor três-cilindros.

Na Europa, por exemplo, a Volks acaba de anunciar mais um produto da gama BlueMotion “de raiz”, que utiliza diesel em vez de gasolina e recursos como turbocompressor e injeção direta. Nesse caso, um Golf de sétima geração rodaria pouco mais de 30 km com um litro de combustível.

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