Fique conectado

Ciência

Equipe que inclui brasileiros cria ‘músculo artificial’

Material sintético se contrai e dilata como um músculo humano.
Produto tem grande potencial de uso na robótica, dizem pesquisadores.

Publicado em

135

Uma equipe internacional, com a participação efetiva de pesquisadores brasileiros, desenvolveu um novo tipo de material que possui características parecidas com as do músculo humano – o produto recebeu, inclusive, o nome de “músculo artificial”.

O objeto consiste de nanotubos de carbono, substâncias microscópicas que formam uma fibra bastante resistente. Dentro dos espaços vazios que restam nessa fibra, os cientistas colocam algum material que tenha grande potencial de expansão sob alterações de temperatura – no caso, uma parafina.

Nanotubos de carbono formam fibra resistente chamada de ‘músculo artificial’ (Foto: Science/Divulgação)

Dessa forma, a fibra passa a responder a estímulos térmicos se expandindo ou se contraindo. Grosso modo, é a mesma coisa que a fibra muscular humana faz quando recebe os impulsos neurais – que são sinais elétricos. Por isso, o material é conhecido como “músculo artificial”.

A pesquisa publicada pela revista “Science” desta quinta-feira (15) usou estímulos térmicos, mas, segundo os pesquisadores, isso pode ser feito também com estímulos elétricos, químicos ou apenas com a luz. Isso permitiria ao produto operar em condições extremas, desde temperaturas próximas dos -200º C até os 2.500º C.

Apesar do nome, a ideia não é usar o “músculo artificial” para substituir os músculos de verdade do corpo humano, pelo menos não por enquanto. “Essas fibras podem ser usadas para substituir várias peças de automóveis e aviões, que seriam muito mais leves”, apontou Márcio Lima, pesquisador brasileiro que conduziu o estudo na Universidade do Texas, em Dallas, nos Estados Unidos.

Como suportam condições extremas, esses produtos podem ser aplicados em vários campos da robótica, inclusive em sondas espaciais, apontou o autor. Para o uso no corpo humano, no entanto, ainda seria necessário um longo trabalho de adaptação, e o mais indicado seria seu uso em próteses externas, com uma bateria.

Os criadores destacaram a leveza do material porque ele é capaz de suportar um peso até 100 mil vezes maior do que o seu próprio. Segundo os pesquisadores, o material é mais potente do que os motores a combustão.

“Mesmo antes de ter saído o paper , já tínhamos registrado a patente, porque o potencial é muito grande”, destacou Mônica Jung de Andrade, brasileira que é colega de Márcio Lima em Dallas. O responsável pelo grupo é o americano Ray Baughman, da mesmo universidade.

Outros três pesquisadores brasileiros também participaram do trabalho: Douglas Galvão e Leonardo Machado, da Universidade Estadual de Campinas (SP) (Unicamp), e Alexandre Fonseca, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Bauru (SP).

Publicidade

Ciência

Nasa estima que próxima missão tripulada na Lua custará US$ 30 bi

Agência espacial planeja enviar ao satélite um homem e uma mulher em 2024.

Publicado em

Do G1
Marca de um dos primeiros passos na Lua, deixada por Buzz Aldrin — Foto: Nasa
Marca de um dos primeiros passos na Lua, deixada por Buzz Aldrin — Foto: Nasa

O retorno de seres humanos à Lua, planejado pelos Estados Unidos para 2024, poderia custar cerca de US$ 30 bilhões (R$ 117 bilhões), informou nesta sexta-feira (14) a Nasa, agência aeroespacial americana. O valor está perto do custo – ajustado pela inflação – da missão Apolo 11, de 50 anos atrás.

“Para todo o programa e para conseguir uma presença humana sustentável na Lua, estamos falando de algo entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões”, disse o diretor da Nasa, Jim Bridenstine, em entrevista à rede de televisão CNN.

Os recursos para o programa Artemis, explicou o diretor, fazem parte do orçamento regular da agência. Bridenstine prometeu no Congresso americano que o esforço para mandar seres humanos outra vez à Lua não reduzirá os fundos de outras atividades da agência aeroespacial.

O novo programa lunar foi batizado como Artemis, em homenagem à deusa da caça, das florestas e irmã de Apolo.

50 anos atrás

O programa Apolo, que os EUA iniciaram em 1961 e concluíram em 1972 com 11 voos tripulados, teve um custo total de US$ 25 bilhões. Levando em conta a inflação, equivaleriam atualmente a cerca de US$ 152,8 bilhões (R$ 616,4 bilhões).

Aquele programa atingiu seu ápice há quase 50 anos, quando dois astronautas pisaram na Lua na missão Apolo 11, que custou US$ 6 bilhões na época, equivalentes a cerca de US$ 30 bilhões hoje em dia, levando em conta a inflação.

Bridestine lembrou que a grande diferença entre o programa Apolo e o programa Artemis é que o primeiro terminou com breves permanências de humanos na Lua, enquanto o segundo quer o estabelecimento de uma presença permanente.

Buzz Aldrin na Lua em 1969 — Foto: Nasa/Divulgação

Buzz Aldrin na Lua em 1969 — Foto: Nasa/Divulgação

O plano inclui a participação de companhias privadas e parceiros internacionais, a construção de uma estação espacial lunar, a aterrissagem de humanos no polo sul da Lua dentro de cinco anos e a formatação do projeto como um teste para uma futura missão a Marte.

O programa inclui uma missão não tripulada em 2020 com uma cápsula que orbitará a Lua e em 2022 será enviada uma missão tripulada que fará o mesmo. Em 2024, novamente um homem e, pela primeira vez, uma mulher, podem pisar no solo lunar.

As três missões serão levadas ao espaço impulsionadas pelo maior foguete construído até agora, o “Space Launch System”, cuja produção é liderada pela Boeing. Na ponta desse foguete será instalada a cápsula Orion.

Além destas missões, que serão tarefas exclusivas da Nasa, haverá outros cinco lançamentos para colocar em órbita lunar os componentes para a construção da miniestação espacial Gateway, que servirá de plataforma para os pousos na Lua. Essas cinco missões, entre 2022 e 2024, serão entregues a empresas privadas, segundo os planos da Nasa.

Continue lendo

Ciência

Lua está encolhendo e sofrendo abalos de terremotos, diz estudo da Nasa

Estudos anteriores presumiam que essas atividades pararam a cerca de 1,2 bilhão de anos atrás; os tremores variaram de 2 a 5 na escala Richter.

Publicado em

Do G1
Esta é uma visão do vale Taurus-Littrow tomada pela sonda Lunar Reconnaissance Orbiter da NASA. O vale foi explorado em 1972 pelos astronautas da missão Apollo 17, Eugene Cernan e Harrison Schmitt. Eles tiveram que ziguezaguear sua sonda lunar para cima e sobre a face do penhasco da falha de Lee-Lincoln que corta esse vale. — Foto: NASA/GSFC/Arizona State University

A Nasa divulgou nesta segunda-feira (13) um estudo que indica que a Lua está encolhendo à medida que seu interior esfria, o que causa terremotos na superfície do satélite. Segundo a agência, a Lua ficou 50 metros mais magra em seu diâmetro ao longo das últimas centenas de milhões de anos por causa desse fenômeno.

A Lua possui uma superfície originalmente quebradiça e, com o encolhimento, formam-se as “falhas de pressão” que causam terremotos, os chamados “Moonquakes”.

Para a descoberta, cientistas analisaram mais de 12 mil imagens registradas pela espaçonave Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO), que detectaram trincheiras rasas e colinas criadas a partir da perda de calor e do encolhimento do satélite.

Esta proeminente escarpa de falha de impulso do lóbulo lunar é uma das milhares de imagens descobertas nas imagens Lunar Reconnaissance Orbiter Camera (LROC). A falha escarpada ou escarpada é como um degrau na paisagem lunar (setas brancas apontando para a esquerda) formadas quando a crosta próxima da superfície é empurrada, quebrada e empurrada para cima ao longo de uma falha quando a Lua se contrai. Campos de pedregulhos, trechos de solo relativamente alto e luminoso ou regolito, são encontrados na face escarpada e no terreno escarpado (lado alto da escarpa, setas apontando para a direita). Imagem LROC NAC quadro M190844037LR. — Foto: NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona/Smithsonian

Analisando os sismógrafos colocados na superfície lunar de 1960 à 1970 pelas missões Apollo, em conjunto com as imagens da sonda LRO, os cientistas descobriram que oito dos 28 tremores registrados pelas ferramentas ocorreram a cerca de 30 quilômetros de distância das falhas visíveis nas imagens feitas pela sonda LRO.

“Achamos que é muito provável que esses oito tremores tenham sido produzidos por falhas que se acumularam quando a crosta lunar foi comprimida (…) indicando que os sismômetros da Apollo registraram a Lua encolhendo e ainda é tectonicamente ativa”, disse Tomas Watters, um dos autores do estudo.

Segundo a NASA, isso é perto o suficiente para associar os terremotos às “falhas de pressão”. Ainda foi constado que seis dos 8 tremores ocorreram enquanto a Lua estava em seu apogeu, ou seja, no ponto mais distante da Terra. Isso eliminaria a possibilidade de os tremores terem sido causados por uma tensão gravitacional.

“É realmente notável ver como os dados de quase 50 anos atrás e a missão LRO foram combinados para avançar nossa compreensão da Lua, sugerindo onde futuras missões com a intenção de estudar os processos interiores da Lua deve ir”, diz o cientista John Keller do Centro de Vôo Espacial Goddard da NASA.

O vale de Taurus-Littrow é a localização do local de pouso da Apollo 17 (asterisco). Atravessando o vale, logo acima do local de pouso, está a escarpa de falha de Lee-Lincoln. O movimento na falha foi a fonte provável de numerosos terremotos que desencadearam eventos no vale. 1) Grandes deslizamentos de terra nas encostas do Maciço Sul envolviam rochas relativamente brilhantes e poeira (regolito) sobre e sobre a escarpa de Lee-Lincoln. 2) Pedregulhos rolaram pelas encostas do Maciço Norte deixando rastros ou vales estreitos no regolito nas encostas do Maciço Norte. 3) Deslizamentos de terra nas encostas sudeste das Colinas Esculpidas. — Foto: NASA/GSFC/Arizona State University/Smithsonian

A novidade

Não é novo que a Lua, como o a Terra, possui atividade sísmica. Entretanto, cientistas constataram que o encolhimento do interior do satélite pode estar causando os tremores na superfície. Estudos anteriores estimaram que essas bacias pararam de se contrair cerca de 1,2 bilhão de anos atrás.

Segundo o Tomas Watters, a descoberta evidencia que essas falhas permanecem ativas ainda estão produzindo terremotos.

“Nossa análise dá a primeira evidência de que essas falhas ainda estão ativas e provavelmente produzindo ‘moonquakes’ hoje, à medida que a Lua continua a esfriar e encolher gradualmente”, diz o cientista. “Alguns desses terremotos podem ser bastante fortes, em torno de cinco na escala Richter.”

Continue lendo

Ciência

Besouro venenoso que pica é encontrado no interior de SP

Onychocerus albitarsis, conhecido como besouro-escorpião, é o único considerado venenoso e capaz de picar pelos ferrões que compõem as antenas. Segundo zoólogo da Unesp de Botucatu, ele foi achado pela primeira vez em Botucatu e Boituva.

Publicado em

Do G1
Besouro-escorpião tem ferrrões nas antenas e foi estudado pela comunidade acadêmica da Unesp de Botucatu (SP) — Foto: Antonio Sforcin Amaral/Arquivo Pessoal

Um simples besouro pode até parecer inofensivo, mas a comunidade acadêmica está pesquisando sobre um tipo que é venenoso e pica: o besouro-escorpião.

Capaz de picar pelos ferrões que compõem as antenas, o tipo “Onychocerus albitarsis” foi encontrado pela primeira vez no interior de São Paulo, nas cidades de Botucatu e Boituva, segundo o zoólogo Antonio Lucas Sforcin Amaral, da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu (SP).

Ao G1, Antonio contou que nas duas cidades houve registro de picadas, o que até então havia ocorrido apenas no Peru. Com isso, ele passou a estudar o besouro-escorpião, já que as reações dos pacientes vítimas do besouro foram diferentes.

“Foram apenas três casos da picada do inseto que foram registrados no mundo todo, sendo que um foi no Peru e dois deles aqui no estado de São Paulo, e mesmo após a pesquisa eu tenho dificuldade para achar o besouro no ambiente natural porque não há informações sobre o comportamento dele”, afirma.

A pesquisa, que discute a questão médica em relação aos casos, começou em março de 2018 e foi encerrada em novembro. Ela apontou que provavelmente a composição da toxina do besouro age de forma diferente em cada pessoa, variando de acordo com a sensibilidade.

“É como o caso de uma picada de pernilongo, há pessoas mais suscetíveis que outras”, ressaltou.
Segundo Antonio, o trabalho feito é relevante pelo viés da curiosidade quanto da multidisciplinaridade, já que contou com o auxílio de outros profissionais, como médicos.

“Foi uma pesquisa difícil porque eu possuía apenas dados sobre a descrição do animal. Minha intenção inicial não era estudar sobre o besouro, mas com sorte ele apareceu no meu caminho”, finaliza.

Besouro-escorpião é venenoso e é capaz de picar — Foto: Antonio Sforcin Amaral/Arquivo Pessoal 

Besouro-escorpião é venenoso e é capaz de picar — Foto: Antonio Sforcin Amaral/Arquivo Pessoal

Características

O zoólogo afirma que o Onychocerus albitarsis está associado ao ambiente florestal, em fragmentos de vegetação, e é relativamente difícil de ser encontrado. Apesar de ser venenoso, a picada não oferece risco.

“A picada não é letal e ela oferece pouco risco ao ser humano. Mas o interessante é que os pacientes picados no interior de SP apresentaram sintomas diferentes. A mulher picada em Botucatu teve a reação alérgica que durou 24 horas, já o homem picado em Boituva apresentou apenas dor aguda e o sintoma acabou bem rápido”, explica Antonio ao G1.

Antonio conta que o besouro-escorpião tem cerca de dois centímetros, antenas longas, corpo com detalhes em preto, bege, cinza e uma faixa marrom.

“As colorações são pouco nítidas para ele poder se camuflar, então não há uma característica extremamente chamativa. Quando se sente ameaçado, ele direciona a antena com o objetivo de picar aquilo que o ameaça. Isso lembra o escorpião e por isso o nome: tanto pelo jeito que tenta inocular quanto pelo aspecto do órgão.”

Besouro-escorpião está associado ao ambiente florestal, segundo pesquisador — Foto: Antonio Sforcin Amaral/Arquivo Pessoal

Continue lendo
WhatsAssp AssisNews
Solutudo 300
Publicidade

FaceNews

Mais lidas