Capivaras invadem lavouras e causam riscos à saúde em Assis

Animal é hospedeiro do carrapato estrela que transmite febre maculosa.
Moradores e agricultores se preocupam com presença da capivara.

Capivaras preocupam moradores de Assis e Cândido Mota (Foto: Reprodução / TV TEM)

As capivaras têm causado transtornos na região de Assis (SP). Enquanto na zona rural de Cândido Mota os animais têm estragado lavouras, em Assis ela têm preocupado a população por ser hospedeira do mosquito que transmite a febre maculosa.

Os produtores rurais de Cândido Mota tiveram prejuízo com a passagem do maior roedor do mundo nas plantações de milho. Pedro Jabur conta que perdeu cerca de R$ 30 mil e agora, enquanto prepara o solo para o plantio da soja, ele está preocupado com outro possível prejuízo. “Nós temos muita preocupação porque ela anda pelo meio e vai amassando os pés de soja.”

As capivaras vivem nas áreas de mata ciliar às margens do rio Paranapanema e dezenas de produtores de milho e cana-de-açúcar já procuraram o sindicato rural de Cândido Mota para pedir ajuda. Alguns registraram boletim de ocorrência na delegacia da cidade para documentar os estragos.

“Nós já estamos na fase de elaboração de uma medida judicial para buscar uma sentença que determine ao governo federal e estadual que tome medidas eficazes para evitar os prejuízos que os produtores estão sofrendo. E os prejuízos que já sofreram, eles poderão buscar ação individual para reaver isto”, afirma o presidente do sindicato rural João Mota.

A maneira que produtores encontraram para impedir que as capivaras estraguem as lavouras foi instalar cercas elétricas. O produtor José Roberto gastou R$ 8,5 mil para instalar pouco mais de mil metros da proteção de arame. Agora as capivaras não invadem mais a roça e a cana-de-açúcar pode continuar crescendo. “Resolveu bem e deu uma minimizada nos problemas.”

Febre maculosa
Já em Assis, os animais costumam frequentar áreas dentro da cidade. As capivaras são hospedeiras do carrapato estrela, transmissor da febre maculosa e neste ano duas mortes foram causadas pela doença em Assis. Por isso, a secretaria da saúde colocou placas avisando do risco de se frequentar os locais onde os animais costumam aparecer.

“Realmente é perigoso. Foi feito um levantamento pela Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) e foi detectado que tem o carrapato estrela. Então como já tem a avaliação de contaminação, o que a gente pede é que a  população não frequente esses lugares”, alerta a secretária da saúde de Assis, Denise Fernandes Carvalho.

Animais causaram estragos em plantação de milho
(Foto: Reprodução / TV TEM)

A secretaria do Meio Ambiente ainda estuda uma maneira de diminuir a incidência das capivaras na área urbana. Segundo o secretário Bruno Mota, não há como transferir os animais de lugar. O jeito é estudar o comportamento deles e criar barreiras para que eles não fiquem perto da população.

“Estamos fazendo um estudo, programando as primeiras ações, como fazer um inventário de fauna no local e ver o que existe de agentes patogênicos. Vamos marcar os animais para ver onde eles estão andando. A partir dai tomar as medidas: realocá-los e criar barreiras de contenção.”

Local de risco
A Avenida Getúlio Vargas, em Assis, próximo a nascente da água da porca, é um dos locais considerados de risco pela secretaria de saúde. Mesmo com placas, algumas pessoas costumam frequentar essa área, ignorando a recomendação. Como é uma área urbana, se alguém precisar passar pelo local, os biólogos recomendam colocar uma fita crepe na barra da calça para vedar e impedir que o mosquito entre em contato com o corpo.

A chefe da vigilância epidemiológica Nilsa Leite afirma que os sintomas podem ser confundidos com o da dengue. “Os sintomas são febre alta, os olhos avermelhados, inchaço nos olhos e também pode apresentar manchas, iniciando pelo tornozelo, punho e mãos”. Ela ainda diz que é importante que as pessoas possivelmente infestadas avisem onde passaram. “É importante que uma pessoa com os sintomas procure o médico e lembre de falar onde ela esteve. Assim ele vai diagnosticar e entrar com o tratamento adequado precocemente”, alerta Nilsa.

Placas com avisos de perigo foram colocadas em área de risco (Foto: Reprodução / TV TEM)

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