Inadimplência do consumidor registra a maior queda mensal no ano, revela Serasa Experian

Melhora da condição financeira do consumidor e quantidade de dias úteis abaixo do usual em setembro levaram ao recuo do índice

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor caiu 1,9% em setembro deste ano, na comparação com o mês anterior, e registrou a quarta e maior queda mensal de 2012. Na relação anual – setembro deste ano contra o mesmo mês do ano anterior –, a inadimplência do consumidor registrou crescimento de 8,2%. Em agosto/12 a alta frente a agosto/11 havia sido de 7,0%.

 

No acumulado do ano – janeiro a setembro de 2012 frente ao mesmo período de 2011 – a inadimplência cresceu 15,3%, menor que a alta de 23,4% ocorrida no período acumulado de janeiro a setembro de 2011.

 

Segundo os economistas da Serasa Experian, a queda na análise mensal é resultado de um período positivo para o consumidor, em consequência de juros mais baixos no crédito; intensificação da portabilidade de dívidas; maior interesse em renegociar dívidas; lotes recordes de restituição do Imposto sobre a Renda; antecipação da 1ª parcela do 13º salário para aposentados e pensionistas e, mais recentemente, a redução dos juros no rotativo do cartão de crédito.

 

Também contribuiu para o recuo do indicador a quantidade menor que a usual do número de dias úteis de setembro de 2012, afetando principalmente as negativações oriundas dos protestos e dos cheques devolvidos pela segunda vez por falta de fundos.

 

A alta de 15,3% na comparação entre os acumulados confirma o menor ritmo de crescimento da inadimplência do consumidor, considerando duas conjunturas econômicas distintas. Nesse mesmo período de 2011, os juros no crédito eram mais elevados, a inadimplência crescia e o comprometimento da renda do consumidor seguia na mesma direção, ao contrário do atual momento da economia brasileira.

 

Decomposição do Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor

setembro 2012 X agosto 2012

Dívidas não bancárias

Bancos

Protestos

Cheques

Total

Variação (%)

-2,0

1,4

-28,6

-15,0

-1,9

Peso (%)

43,4

46,6

1,3

8,8

100

Contribuição (p.p.)

-0,9

0,6

-0,4

-1,3

-1,9

 Fonte: Serasa Experian

 

Os cheques sem fundos e as dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica, água etc.) puxaram a queda do indicador em setembro de 2012, com variações negativas de 15,0% e 2,0% e contribuições negativas de 1,3 p.p. e 0,9 p.p., respectivamente. Os títulos protestados também contribuíram, com queda de 28,6% e contribuição negativa de 0,4 p.p. A queda do indicador só não foi maior porque as dívidas com os bancos apresentaram alta de 1,4% e contribuíram no indicador com 0,6 p.p.

 

Valor médio das dívidas com os bancos tem queda

 

O valor médio das dívidas com os bancos apresentou queda de 1,9% de janeiro a setembro de 2012, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Já o valor médio das dívidas não bancárias, os títulos protestados e os cheques sem fundos tiveram alta de 1,0%, 7,4% e 12,0%, respectivamente. Veja a tabela abaixo:

 

Modalidades de Inadimplência

Valor médio das dívidas Jan a Set 2011

Valor médio das dívidas Jan a Set 2012

Variação

Dívidas com os bancos

R$ 1.323,54

R$ 1.298,54

-1,9%

Dívidas não bancárias

R$ 327,59

R$ 330,81

1,0%

Títulos protestados

R$ 1.358,22

R$ 1.458,58

7,4%

Cheques sem fundos

R$ 1.342,78

R$ 1.503,91

12,0%

 Fonte: Serasa Experian

Metodologia do Indicador

 

O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor reflete o comportamento da inadimplência em âmbito nacional. Considera as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos e dívidas não bancárias (lojas em geral, cartões de crédito, financeiras, prestadoras de serviços como fornecimento de energia elétrica, água, telefonia etc.) em todo o país. Por levar em conta o inadimplemento das pessoas físicas nas mais diversas modalidades – e não apenas dentro do sistema financeiro –, o índice da Serasa Experian consegue capturar movimentos cíclicos de inadimplência, que, muitas vezes, revelam ocorrências que vão se manifestar no sistema bancário dentro de 6 a 12 meses.

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