Carnes e cereais aceleram inflação em outubro

Apesar disso, inflação neste mês se mostra concentrada em uma quantidade inferior de produtos em comparação a 2011

O Índice de Preços dos Supermercados (IPS), calculado pela APAS/FIPE, apresentou em outubro alta de 1,92% em relação a setembro. Em 12 meses, alta dos preços nos supermercados foi de 9,90% e, no acumulado do ano, de janeiro a outubro, houve elevação de 8,06%. A categoria que mais contribuiu para o aumento dos preços foi a dos produtos semielaborados (carnes, cereais e leite) com alta de 4,45%. Isso correspondente a cerca de 53% da elevação dos preços dos alimentos. Essa categoria foi responsável por 1,02 pontos percentuais da elevação de 1,92% dos preços verificada nesse mês.

Os maiores responsáveis pelo aumento do IPS foram as carnes bovinas e o arroz. O aumento do preço da carne bovina é decorrente de fatores sazonais, que podem se manter até o final deste ano. As carnes bovinas foram responsáveis por 21% da elevação dos preços em outubro. A maior demanda pelo produto e o não acompanhamento do crescimento da oferta geraram descompasso entre a oferta e a demanda nesse período do ano. O crescimento expressivo das vendas de fim de ano pressiona os preços. Do mesmo modo, a elevação dos preços do arroz é justificada por questões de mercado, como o baixo ritmo de vendas, que faz os produtores aguardarem um momento melhor para negociar a safra.

De modo geral, no mês de outubro as elevações mais expressivas foram nas carnes bovinas, pescados, leite, arroz, feijão, derivados de carne, café, óleo de soja, enlatados, alimentos prontos, frutas, ovos, cerveja, refrigerantes, vassouras, creme dental e desodorantes. Já as maiores quedas neste mês foram verificadas no açúcar, chocolate, legumes, principalmente, o tomate e cenoura e verduras, com destaque para o alface.

A proporção de variações negativas de preços em outubro foi de 27,73%, inferior à média que é de 43,59%. Em outubro de 2011, o percentual foi de 42%. Dessa maneira, nesse mês a inflação se mostra concentrada em uma quantidade inferior de produtos em comparação a 2011.

O diretor de Economia da Associação Paulista de Supermercados (APAS) Martinho Paiva Moreira afirma que os preços relativos a outubro estiveram acima do esperado, mas devem apresentar índices moderados nos meses de novembro e dezembro, o que contribuirá para um comportamento estável.

Veja abaixo os reajustes dos preços em diversas categorias:

Semielaborados (Carnes, Cereais e Leite) – alta de 4,45% em outubro, com maior incidência nos preços de carnes bovinas (4,97%) e arroz (12,13%). Em 12 meses, a alta foi é de 11,95% nos preços dos semielaborados e no acumulado do ano (janeiro a outubro) houve elevação de 8,90%.

Produtos industrializados – alta de 1,46% influenciada diretamente pelos preços dos em derivados da carne (4,68%) e óleos de soja (2,32%). Os produtos com destaque de alta foram a linguiça (6,01%), a salsicha (6,63%) e o óleo de soja (3,44%). Em outubro, prevaleceram a elevação dos preços de insumos básicos, como, por exemplo, leite, milho, trigo e soja. Em 12 meses, a alta dos preços dos produtos industrializados foi de 7,71% e no acumulado do ano (janeiro a outubro) a elevação foi de 6,28%. Os produtos industrializados com alta de 1,46% em outubro foram responsáveis por, aproximadamente, 31% da elevação dos preços de alimentos nesse período, o que corresponde a 0,61 ponto percentual da elevação de 1,92% dos preços.

Hortifrutigranjeiros (Produtos In Natura) – elevação de 0,79%, com destaque para o aumento no preço das frutas (4,66%). Os legumes apresentaram queda de 5,81%. A elevação dos preços na categoria FLV (frutas, legumes e verduras) decorre da reduzida oferta de alguns produtos, como limão, maracujá e melancia. As frutas de época também sofrem elevação de preços diante da proximidade das festas de fim de ano. Em 12 meses, a alta dos preços dos produtos in natura foi de 20,41% e no acumulado do ano (janeiro a outubro) a elevação foi de 19,02%.

Bebidas alcoólicas – alta de 2,11%, diante do aumento do preço da cerveja (2,58%) e do vinho (1,86%). Em 12 meses, a alta dos preços foi de 14,93% e no acumulado do ano (janeiro a outubro) a elevação foi de 10,95%.

Bebidas não alcoólicas – alta de 1,27%, diante da elevação, principalmente, do refrigerante (1,85%) e da água mineral (1,87%). Em 12 meses, o aumento dos preços foi de 7,61% e no acumulado do ano (janeiro a outubro) a elevação foi de 6,46%.

Produtos de limpeza – queda de 0,15% devido à redução no preço do sabão em pó (-0,41%) e sabão em barra (-1,76%).

Artigos de higiene e beleza – alta de 1,11% influenciados pela elevação dos preços do sabonete (1,11%), creme dental (3,02%) e xampu (1,58%).

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