Fema promove integração de projetos em parceria com a UENP

A parceria entre a UENP e a Fema surgiu após pesquisas e trabalhos na área da infância e juventude

Prestigiaram o evento o diretor da Fema, Prof. Me. Eduardo Vella, e o coordenador do curso de Direito Prof. Me. Gerson Beneli.

A Fundação Educacional do Município de Assis – Fema sediou, no último dia 23, uma reunião de trabalho com o intuito de promover a troca de experiências acadêmicas entre seus alunos e professores e os da Universidade Estadual do Norte do Paraná – UENP. Na ocasião, reuniram-se alunos e professores dos cursos de Direito e de Comunicação Social da Fema, e do curso de Letras da UENP. A reunião faz parte das ações previstas no Projeto de Extensão “Ação e Regeneração do Espaço Jovem” realizado pela UENP em parceria com outras instituições, entre elas, a Fema.

A parceria entre a UENP e a Fema surgiu após pesquisas e trabalhos na área da infância e juventude realizados em conjunto pelo Prof. Dr. Thiago Alves Valente e pela Profª Drª Eliane Aparecida Galvão Ribeiro Ferreira. O projeto em questão recebe financiamento do Ministério da Educação (MEC), por meio de sua Secretaria de Ensino Superior e Pró-Reitoria de Extensão (SESu/PROEXT). Seu principal foco é o trabalho desenvolvido por uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), o “Espaço Jovem Evolução”, responsável, em Cornélio Procópio-PR, por atender menores que cumprem medidas socioeducativas. O papel da parceria com a Universidade é a promoção de ações de diagnóstico, capacitação, elaboração de plano estratégico, bem como oficinas e atividades com as famílias dos atendidos. A proposta aprovada pela PROEXT/MEC tem como cursos basilares Letras e Direito, agregando docentes, graduandos e pós-graduandos em torno da problemática central que envolve os menores.

Há vários anos, a Fema tem incentivado o desenvolvimento de pesquisas científicas nas mais diversas áreas abrangidas por seus cursos de graduação. A participação dos alunos em Programas de Iniciação Científica, como PIC, PIBIC e PIBIT, tem proporcionado, ao longo do ano letivo, mais de quarenta  novas pesquisas. Além de desenvolver a vocação dentro da Instituição, a FEMA ainda tem buscado parcerias que promovam e incentivem novas pesquisas, como é o caso do trabalho conjunto com a UENP. Durante a reunião de trabalho, essa perspectiva mostrou-se aberta a um elemento que tende a se consolidar entre as políticas públicas das Universidades: o investimento em Extensão.

A Oficina realizada faz parte das ações do projeto da UENP e proporcionou espaço para apresentação de pesquisas e projetos nas áreas de Direito e Literatura.

A Oficina realizada no dia 23 faz parte das ações do projeto e proporcionou aos presentes um espaço para apresentação de pesquisas científicas e projetos extensionistas que envolvem as áreas de Direito e Literatura.

Para o Prof. Dr. Thiago, Coordenador do Projeto de extensão, é fundamental a aproximação da Universidade com a comunidade, integrando ações que promovam conhecimento acadêmico e práticas sociais.  No Projeto desenvolvido por alunos bolsistas da UENP, campus de Cornélio Procópio e de Jacarezinho, a Fema colabora com a participação dos seus professores na capacitação por meio de oficinas e encontros. Para o Coordenador, o objetivo é que esta parceria fomente novas pesquisas e núcleos de estudos interligados entre as instituições, de maneira que beneficiem os trabalhos e conhecimentos dos alunos de graduação das instituições de ensino envolvidas, fomentando projetos de Extensão de maior amplitude.

Sobre a participação dos professores da Fema no desenvolvimento do Projeto, o Professor da UENP afirmou que a Fundação oferece o que ele considera fundamental a qualquer projeto institucional, que é a valorização do docente, o conhecimento intelectual. E segundo ele, toda carga e experiência resultante disto fomenta um trabalho em rede que tem sido uma das tônicas das políticas públicas de ensino superior, nos últimos tempos.

Estiveram presentes na reunião de sábado, além da Profª Eliane Galvão e do Prof. Thiago Valente, o diretor da Fema e do Imesa, Prof. Me. Eduardo Augusto Vella Gonçalves; o coordenador do curso de Direito da Fundação, Me. Gerson José Beneli, e a Profª Drª Márcia Valéria Seródio Carbone. O Diretor da Fundação enfatizou que é muito importante para a Fema estabelecer relações com instituições de ensino superior de outros Estados. Esta parceria ainda traz mais benefícios visto que integra áreas diferentes como Direito, Letras e História, ampliando os conhecimentos que fomentam as pesquisas de todos os envolvidos. Segundo o Diretor, o aluno ingressante não traz no perfil um interesse natural pela Pesquisa e pela Extensão, sendo que eventos como este chamam a atenção dos alunos para as diversas modalidades de programas direcionados a ambas as áreas de atuação acadêmica. “A Fema valoriza a pesquisa e a produção de conhecimento entre os alunos e professores. Anualmente, promovemos com recursos próprios 30 bolsas de iniciação científica – PIC, além de oferecer outros Programas em parceria com o CNPq, como o PIBIC e PIBIT”, frisou o Diretor. Segundo Eduardo, os Programas de Iniciação Científica proporcionam ao aluno condições de estudo com descontos significativos, além disto conferem à FEMA um diferencial perante outras instituições, visto o incentivo, estímulo e integração da pesquisa à vida acadêmica dos seus alunos.

Para o Coordenador do curso de Direito, Me. Gerson Beneli, este tipo de evento engrandece a Fema e as instituições parceiras, à medida que proporciona uma grande troca de experiência entre os alunos. “Percebemos nos alunos que participam dos programas de iniciação científica um diferencial imenso no término da graduação. Com o desenvolvimento da pesquisa eles crescem na escrita, na apresentação oral e adquirem uma visão muito mais ampla e madura da área de atuação; além da quantidade extra de conhecimento que apreendem no decorrer das pesquisas”, afirmou Gerson. O Professor agradeceu e parabenizou a Profª Drª Eliane pela iniciativa da parceria com a UENP.

Durante a reunião, alunos da Fema, da área de Direito e de Comunicação Social, alunos de Letras da UENP, e as alunas convidadas do curso de Direito da Faculdade Dom Bosco (campus de Cornélio Procópio) e da pós-graduação em História da UEL, apresentaram seus projetos de Pesquisa (Iniciação Científica) e Extensão. Os temas estavam relacionados aos direitos humanos, sobretudo, às áreas de Literatura e Direito, práticas de leitura, incentivo à leitura, medidas socioeducativas, marginalização e suas relações com a formação de leitores, estudos literários e filosóficos com abordagem de obras de autores renomados. As experiências debatidas trouxeram importantes contribuições ao Projeto da UENP, segundo o Professor Thiago. Para ele, essa proposta de aliar estudos de Direito à Literatura ainda é restrita na área de Humanidades. As propostas dos envolvidos foram debatidas a partir da leitura previamente feita para o evento do texto “O Direito à Literatura”, de Antonio Candido.

Nesta segunda parte, as discussões foram coordenadas pela Profª Drª Eliane que apresentou uma breve palestra a respeito do diálogo que se estabelece entre Direito e Literatura, expondo bibliografias que tratam da temática, bem como pesquisas já realizadas no Brasil e nos Estados Unidos. A pesquisadora lembrou que as discussões sobre a temática têm merecido cada vez mais espaço nas Universidades do país. Falou também dos grandes nomes de escritores da Literatura que eram formados em Direito ou que atuaram em áreas afins e que, em suas obras, apresentaram profundas reflexões relacionadas aos direitos humanos e sua efetivação em nossa sociedade. Para a Professora, o Direito e a Literatura aproximam-se muito,  e a leitura crítica de ambos ajuda a refletir acerca dos conceitos de justiça, cidadania, sociedade, direitos fundamentais, entre outros. Para ela, a Literatura humaniza o Direto, mais especificamente, o operador do Direito e, por consequência, suas práticas.

Questionamentos como a quem cabe à promoção do direito à Literatura, exigiram dos participantes uma ampla análise social do papel das instituições sociais estabelecidas e sobre como a sociedade sobrecarrega a figura do professor neste processo. Indagações sobre quando começa a construção cultural do ser humano e qual a responsabilidade de cada um neste processo enquanto ser social, também promoveram discussões positivas.

Para a aluna do 5º ano de Direito da Fema e Historiadora, Andrea Rossi, “por mais que se tente incentivar a leitura, existe no país um problema maior, instrumental, se levarmos em consideração o grande número de analfabetos ainda presentes nas estatísticas do país. O direito à Literatura é uma questão sistemática e histórica. A literatura deve ser parte do sujeito. Devemos andar com um livro embaixo do braço”, finalizou.

Sobre as contribuições do Direito à Literatura, a Professora Eliane ainda lembrou que no Exame da OAB o mais cobrado é leitura e interpretação de texto. E lembrou que o sistema está em crise e por isto os pais desprovidos dos seus direitos acabam por sobrecarregar a Escola.

A Profª Drª Marcia ainda citou a música “Comida”, do grupo de rock nacional Titãs, que diz “a gente não quer só comida, a gente quer bebida, diversão e arte”, dizendo ser uma sonhadora, pois, ao ler o trecho de Candido que questiona o direito das pessoas mais simples de lerem grandes autores e filósofos, afirma que acredita que este é um direito de todos. A Professora teve a colaboração da professora Eliane que solicitou a leitura do trecho de Candido que diz que a literatura é uma necessidade universal, e a sua falta é capaz de mutilar uma personalidade.

Finalizando, a Profª Drª Eliane agradeceu a participação dos representantes da UENP, agradeceu a parceria na figura do Prof. Dr. Thiago e encerrou resumindo a importância do diálogo entre as áreas de conhecimento e pesquisa, dizendo “O destino do livro na sociedade, também é o destino da sociedade”.

Sobre a experiência, a aluna do 4º ano de Letras da UENP bolsista do projeto financiado pela PROEXT/MEC, Jéssica Fernanda Rech, afirmou que, a princípio, não sabia como integrar Letras e Direito. E que os trabalhos iniciais do Projeto, com as orientações e leituras de obras das duas áreas, a ensinaram muito: “Dentro do Projeto que estamos desenvolvendo, tenho conhecido casos e aprendido a conhecer o universo da medida socioeducativa e tudo tem me enriquecido muito. A troca de experiência promovida na reunião de hoje, trouxe a visão de alunos da área de Direito, o que muito irá me auxiliar na execução do Projeto. Conhecer projetos de pesquisa de outros alunos, de outras áreas e de outro Estado foi muito enriquecedor. Também sei que futuramente, como professora, todo o conhecimento sobre o Direito apreendido, principalmente os relacionados à infância e juventude irão me ajudar muito”, finalizou Jéssica.

Para a aluna do curso de Direito da Fema, Cecília Barchi, “quando elaboramos um projeto científico trabalhamos com o tema de forma individualizada, só há a discussão entre orientador e orientando. Acredito que, tanto para mim quanto para os outros participantes, este debate nos proporcionou novas ideias, novos pontos de vista, novas curiosidades, esclarecimentos e dúvidas, além da empolgante troca de experiência não somente entre alunos da Fema, mas também de outros municípios e Estados. Participar de momentos como este, inspira e entusiasma cada vez mais a produção e a divulgação do próprio projeto científico”, finalizou a aluna.

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