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Os mitos e verdades sobre as origens do vibrador

Mesmo em círculos acadêmicos, ganhou crédito a noção de que médicos da era Vitoriana foram os primeiros a usar vibradores, aplicando-os em mulheres no tratamento de ‘histeria’; mas a verdade parece ser outra.

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Rachel Maines argumentou que vibradores mecânicos como este, datado de 1909, foram usados para curar mulheres da histeria — Foto: Science Museum

Na Grã-Bretanha, EUA e outros cantos do mundo, muitos já ouviram a história de que os pioneiros no uso de vibradores foram médicos do século 19, para tratar mulheres com “histeria” – termo hoje extinto que cobria de tudo, de dores de cabeça a colapsos nervosos.

Eles usavam o vibrador para levar as pacientes ao orgasmo – poupando-os de uma árdua tarefa manual.

Essa certamente é uma história memorável. E ganhou popularidade em filmes, peças premiadas e diversos documentários. Fomos fisgados por essa narrativa, mas evidências sugerem que ela nada mais é do que ficção.

A ideia de que os médicos usaram vibradores para masturbar mulheres com histeria remonta ao livro The Technology of Orgasm: “Hysteria”, the Vibrator, and Women’s Sexual Satisfaction (“A Tecnologia do Orgasmo: ‘Histeria’, o Vibrador, e a Satisfação Sexual Feminina”, em tradução livre). A publicação de 1999 foi escrita pela historiadora Rachel Maines, hoje pesquisadora visitante na Universidade Cornell, nos EUA.

Apesar da gigantesca popularidade e consagração do livro – incluindo o Prêmio Herbert Feis, da Associação de História Americana, em 1999 -, a teoria que aborda tem bases questionáveis, de acordo com um novo artigo publicado no Journal of Positive Sexuality. O estudo conduzido por historiadores é o mais recente a refutar as alegações do livro – e isso vale tanto para a história da sexualidade quanto para a imaginação popular.

Datado do início de 1900, este vibrador era do tipo usado pelos médicos para massagear pacientes — Foto: Science Museum

“Até onde sabemos sobre a história da sexualidade, parece improvável que médicos fizessem isso (masturbar as pacientes como forma de tratamento)”, diz Hallie Lieberman, historiadora da tecnologia no Instituto de Tecnologia da Geórgia e uma das autoras do artigo. “Depois de verificar as fontes (do livro), foi quando eu realmente pensei, OK, tem algo estranho aqui.”

Lieberman propõe uma visão alternativa. Sim, dispositivos mecânicos conhecidos como “vibradores” – e anunciados como massageadores de costas ou pescoço – estavam sendo usados por mulheres para a masturbação já nas décadas de 1900 e 1910. Mas não há evidências de que isso tenha ocorrido antes de 1900, quando os vibradores eram comercializados para médicos, e não diretamente aos consumidores.

E, portanto, não teria havido situações em que médicos, sem compreensão do que era o orgasmo feminino, usassem esses dispositivos para curar mulheres de histeria.

Mito de origem

Ao longo do século 19, vibradores elétricos eram comercializados em revistas, periódicos, literatura médica e jornais.

Em um anúncio divulgado no início do século seguinte, por volta de 1904, uma mulher senta-se relaxada, com a cabeça ligeiramente para o lado. Um médico vestindo um jaleco branco está atrás dela, tocando seu pescoço. Em uma de suas mãos está um dispositivo de metal com um grosso cabo preto: um vibrador elétrico, projetado para aliviar a tensão de massagear os pacientes. Mas não há sinais na imagem de que o dispositivo fosse usado em outro lugar além do pescoço da paciente.

Por esse método, “50% da fadiga dos massagistas é evitada”, diz o panfleto. “Resultados infinitamente melhores no tratamento são obtidos.”

Em outro folheto, o tratamento é administrado não por um médico, mas pela própria paciente. Com a forma de um secador de cabelo, o vibrador Sanofix, de 1913, vinha em uma pequena caixa de madeira, com diversos acessórios diferentes. Em uma série de fotografias, uma mulher de semblante sério, com um vestido branco de babados, segura o vibrador na testa, no queixo, na garganta e no peito.

Este anúncio do início dos anos 1900 foi um de uma série que mostrou o equipamento da Sanax sendo usado por homens e mulheres em seus braços, pernas, peito e rosto — Foto: Science Museum

Quando Rachel Maines, autora do livro A Tecnologia do Orgasmo, se deparou com esses anúncios, eles a intrigaram. “Passei os 19 anos seguintes fazendo pesquisas em bibliotecas nos EUA e na Europa, tentando descobrir mais sobre a história dos vibradores”, relata. “Não havia muito material nem nas fontes primárias. Por isso levou 19 anos, e acabei escrevendo um livro.”

O livro descreve como os vibradores passaram a ser usados como dispositivos para poupar força no tratamento da histeria orgásmica. O procedimento era realizado por médicos dedicados a tratar o maior número possível de pacientes. Maines escreveu que os médicos usavam a masturbação para tratar a histeria em mulheres desde o período romano.

Os médicos aliviavam a condição provocando “paroxismos” nas mulheres por meio da masturbação. Mas por causa da pouca compreensão da sexualidade feminina, os médicos não estavam cientes de que os paroxismos que seus pacientes vivenciavam eram na verdade uma resposta sexual.

Sexualidade feminina

A sexualidade feminina pode não ter recebido tanta atenção quanto a sexualidade masculina historicamente, mas a ideia de que os médicos da era vitoriana teriam feito isso por completa falta de conhecimento parece um tanto improvável para Hallie Lieberman.

“Ela apresenta a teoria como se ninguém soubesse o que é um orgasmo”, diz Lieberman. “Mas já havia uma consciência do clitóris e da sexualidade das mulheres na época”.

Há evidências de que, nos séculos 19 e 20, por exemplo, médicos dos EUA e do Reino Unido teorizaram sobre quais tipos de comportamento sexual em mulheres eram saudáveis e quais não eram, e que havia um entendimento geral sobre o orgasmo feminino.

Além disso, há problemas com os exemplos históricos citados no livro de Maines. Cinco fontes são usadas no início do livro para respaldar sua alegação de que os médicos usavam vibradores “especialmente na massagem ginecológica”. Mas várias dessas fontes não confirmam essa afirmação.

Não se menciona vibradores, histeria ou massagem ginecológica – na verdade, a passagem referida é sobre o tratamento de dores menstruais com correntes elétricas. O autor salienta que, para pacientes com dores menstruais, “a completa ausência de excitação sexual é da maior importância”.

A segunda fonte não menciona histeria, massagem ou vibradores. A terceira tampouco faz menção à massagem ginecológica, apenas à massagem tradicional, e o termo “vibrador” não aparece em nenhum lugar do livro. Lieberman encontrou essas inconsistências ao longo de todo o livro de Maines.

Maines se posicionou acolhendo as críticas de Lieberman, embora elas não tenham mudado sua visão. “É perfeitamente apropriado que um jovem acadêmico desafie o trabalho de especialistas mais velhos”, diz.

“Em A Tecnologia do Orgasmo, o que estou propondo é uma hipótese. Eles não acham minha hipótese muito convincente – OK. Nós não vamos concordar nisso”, acrescentou a pesquisadora.

Boas vibrações

O que se sabe é que os vibradores foram usados no corpo como uma panaceia para quase todas as doenças. Panfletos proclamaram sua eficácia contra a insônia, paralisia, neuralgia, epilepsia, consumo, ciática, lombalgia, gota, surdez, vômitos, constipação, hemorroidas e dores de garganta. Era bom para o fígado e até mesmo para problemas de saúde em crianças, apontou a literatura.

Dizem que o massageador vibratório Veedee, que remonta ao início de 1900, curava quase qualquer doença, de resfriados a problemas digestivos — Foto: Science Museum

A histeria também estava na lista de condições tratadas pelo vibrador. Mas para essas pacientes o vibrador era provavelmente mais usado para uma massagem relaxante nas costas ou no pescoço do que para qualquer tipo de uso erótico, afirma Lieberman.

“Com relação a massagear mulheres até o orgasmo, não há evidências de que isso tenha acontecido no consultório médico”, ressalta.

Pode até ter havido “médicos duvidosos”, acrescenta ela, que assediavam pacientes. Mas não há evidências de que o uso de vibradores para masturbação tenha sido um tratamento médico aceito.

O artigo de Lieberman não é o primeiro a desafiar a teoria de Maines. Outros pesquisadores, incluindo Helen King, historiadora da Universidade Aberta, de Londres, desafiaram as afirmações de Maines de que essa prática remonta aos períodos grego e romano.

“Maines queria uma linha histórica que remontasse ao período de Hipócrates, então ela estava decidida a encontrar médicos massageando suas pacientes até o orgasmo nas primeiras fontes escritas”, diz King.

Mas não era uma prática comum nas civilizações antigas permitir que médicos chegassem perto das mulheres da casa, explica ela. Outro problema foi que Maines não distinguiu a escrita satírica da literatura médica autêntica da época.

“Uma sátira romana, exibindo ‘devotos’ em banhos masturbando uma mulher até ela chegar ao orgasmo, é muito diferente de dizer que os médicos realmente fizeram isso”, diz King. “É uma sátira – é para ser escandalosa.”

Enquanto isto, textos médicos antigos que descreviam médicos massageando lombar, joelhos ou cabeça foram interpretados de modo errôneo por Maines como um tipo um tanto diferente de massagem, de acordo com King. Além disso, Maines teria contornado as evidências, deliberadamente escolhendo frases e fontes para reforçar sua hipótese: “Por exemplo, uma descrição sobre o que acontece quando o útero é friccionado durante o ato sexual transforma-se em masturbação por um médico”.

A realidade

Mas se não foram os médicos, quem afinal inventou o vibrador como brinquedo sexual?

A resposta chega a alguns dos anúncios que Maines encontrou – mesmo que alguns acadêmicos hoje acreditem que suas interpretações sejam enganosas.

Quando os médicos começaram a perceber, por volta do início do século 20, que os vibradores não eram o santo remédio que se pensava, os fabricantes dos aparelhos se depararam com um problema. Havia toda uma indústria dedicada a fabricar esses dispositivos: havia a versão com manivela, que evoluiu para modelos movidos a vapor, que por sua vez evoluiu para um dispositivo acionado eletricamente. Mas agora havia menos médicos dispostos a comprá-los.

Uma empresa adotou uma estratégia ousada em 1903, quando lançou um anúncio do aparelho sexual Hygeia tanto para homens quanto para mulheres.

“Parecia um cinto com eletricidade e vibração”, diz Lieberman.

Esta foi a primeira fonte de um vibrador associado ao sexo que Lieberman descobriu em sua pesquisa. Mas vender abertamente um vibrador como aparelho sexual era raro, até porque isso era considerado obsceno. Nos EUA, no Reino Unido e em outros lugares, as leis de obscenidade por muitos anos impediram as empresas de anunciarem dispositivos para o prazer sexual.

A mudança para a estratégia de vender vibradores diretamente aos consumidores foi fortalecida em 1915, quando a Associação Médica Americana fez uma declaração classificando os vibradores para uso médico como “um delírio e uma armadilha”. Qualquer efeito que eles tivessem nas pacientes era psicológico, e não médico. A associação classificou os vibradores como uma fraude e começou a combatê-los, conta Lieberman.

Em vez de matar a indústria dos vibradores, os fabricantes simplesmente mudaram o foco de médicos para consumidores.

“Viam-se anúncios no New York Times, no Chicago Tribune e em todo o Reino Unido”, diz Lieberman. “Eles foram vistos como um aparelho de lazer para mulheres.”

Com o passar do tempo, esses anúncios foram sendo, sutilmente, sexualizados. Homens sem camisa e mulheres em blusas decotadas eram mostrados exibindo alegremente os vibradores. Devido à reserva em anunciar explicitamente os vibradores como brinquedos sexuais, é difícil definir quando eles passaram a ser amplamente usados pra fins sexuais.

“O tipo de vibrador que conhecemos hoje começou a aparecer nos anos 1950 e se tornou mais comum e abertamente vendido nos anos 1960”, diz Lieberman. “Mas ele ainda era polêmico”.

A controvérsia levou muito tempo para se dissipar. Em alguns lugares, ainda há polêmica. No Estado americano do Alabama, por exemplo, as leis de obscenidade ainda proíbem a publicidade e a venda de vibradores.

Apesar de a história ser fortemente contestada, Maines continua defendendo sua teoria. “Acredito que minha hipótese está correta. Muitos pensam da mesma forma”, diz Maines.

Lieberman admite que sua nova teoria é menos atraente do que a hipótese de que várias gerações de médicos usavam o vibrador na masturbação para acalmar mulheres histéricas.

” atrai as pessoas”, acrescenta King. “É como uma cena de filme pornô em que o médico ‘resolve’ o problema, se é que você me entende.”

Foi esse apelo que impulsionou a popularização da teoria da masturbação médica. Por quase 20 anos, ensinaram-na em universidades, tomando-a como um dado na literatura acadêmica, apresentando-o como fato na mídia e popularizando-o nos palcos e nas telas. E, como observa Lieberman, quando as pessoas querem que uma história seja verdadeira, até acadêmicos raramente se incomodam em verificar os fatos.

Estilo de vida

Melatonina é aliada da rotina de beleza de homens e mulheres

Além de melhorar a qualidade do sono, melatonina tem propriedades que são aliadas da beleza. Saiba mais sobre essas propriedades e como usufruir delas da melhor maneira possível.

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Do AssisNews
Melatonina é aliada da rotina de beleza de homens e mulheres (Foto: Divulgação)

A apresentação pessoal é mais do que mera vaidade: esse é um fator que influencia muitos outros espectros da vida. No universo profissional, por exemplo, o aspecto físico pode fazer a diferença em determinados setores, principalmente aqueles que envolvem o trato com o público. Portanto, os cuidados com ela são fundamentais. Isso faz com que tratamentos rejuvenescedores sejam cada vez mais buscados pelo público. Assim, o mercado oferece uma série de opções, desde dietas até procedimentos clínicos.

Apesar disso, há algumas opções que, por mais eficientes que sejam, dificilmente são consideradas por quem busca melhorar a aparência ou mantê-la. É o caso da melatonina: mais conhecida como o hormônio do sono, ela tem muitos benefícios a oferecer a quem busca parecer jovem por mais tempo.

Sono da beleza: dormir bem é fundamental para a boa aparência

O sono da beleza é real: por mais que muitas pessoas pensem que essa é apenas mais uma frase feita, dormir bem realmente faz a diferença na aparência. Afinal, quem descansa pouco e mal, tende a enfrentar problemas como:

  • Olheiras;
  • Produção de hormônios ligados ao stress, que prejudicam a aparência;
  • Desequilíbrio na produção de outros hormônios, prejudicando o tônus e o brilho da pele.

Por conta disso, comprar melatonina é uma maneira de investir em uma aparência melhor. Como essa substância é a que regula o nosso ciclo circadiano (ou seja, faz com que sintamos sono à medida que o sol se põe), ela melhora a qualidade do sono. Quando ele é realmente revigorante, todo o corpo sente os benefícios, o que ajuda a melhorar o aspecto físico.

Melatonina também ajuda com a rotina de beleza

Quem toma melatonina normalmente está em busca de dormir mais e melhor. Por mais que isso, por si só, seja o suficiente para melhorar a aparência de qualquer um, essa substância tem muito mais para oferecer à rotina de beleza de pessoas de ambos os gêneros e de todas as idades. Confira, a seguir, alguns dos outros benefícios proporcionados por ela:

Combate aos radicais livres

Os radicais livres são os grandes inimigos de quem pretende manter uma aparência mais jovem e arejada por mais tempo. Isso pois tais moléculas são agentes que intensificam o envelhecimento das células, e, consequentemente, dos tecidos. Na prática, isso significa que a sua atuação está ligada a problemas como a flacidez da pele e a perda de seu brilho natural, o que, por sua vez, faz com que a aparência de qualquer pessoa fique envelhecida.

A boa notícia é que há várias maneiras de combatê-los. A ingestão de melatonina é uma delas: além de regular o ciclo circadiano e tornar o sono mais renovador, esse hormônio ajuda a atenuar os efeitos dos radicais livres no organismo. Na prática, isso significa que a pele se manterá com um aspecto jovial por mais tempo.

Minimização da oleosidade

A oleosidade, tanto da pele quanto do couro cabeludo, são grandes inimigos de uma aparência melhor e mais jovem. No caso da primeira, ela traz problemas como cravos e espinhas, e, no caso do segundo, oleosidade e queda de cabelo. Todos esses problemas são inimigos de pessoas vaidosas, que se preocupam em estarem bem. Para evitá-los, normalmente recomenda-se o uso de produtos específicos para combater a oleosidade, bem como uma alimentação saudável e rica em gorduras boas.

O que nem todas as pessoas sabem é que a melatonina também é de grande ajuda para melhorar o aspecto da pele, e, consequentemente, da aparência em geral. Tudo isso acontece graças ao seu poder redutor do sebo.

Cabelo mais volumoso

Muitas pessoas – principalmente homens – costumam sentir o cabelo mais ralo à medida que a idade aumenta. Por mais que esse seja algo comum devido às mudanças pelas quais o corpo passa com o tempo, há várias maneiras de driblar o problema, e, assim, preservar as madeixas.

A melatonina pode ser tornar uma grande aliada nesse caso. Além de combater a oleosidade e diminuir a queda dos fios, esse hormônio é antagonista do DHT, substância relacionada à perda de fios de origem genética. Do mesmo modo, ele inibe a morte de células produtoras de queratina, agindo diretamente nos bulbos capilares, fazendo com que eles cresçam.

A melatonina deve ser ingerido com responsabilidade

Em busca de segredos de beleza, muitos curiosos compram e ingerem a melatonina sem o acompanhamento de um profissional. Isso se intensificou a partir de 2017, quando o governo brasileiro liberou a comercialização da substância em todo o território nacional. Apesar disso, especialistas afirmam que a melhor maneira de usufruir dos benefícios desse suplemento é com o acompanhamento de um médico. Ele poderá indicar a dosagem mais adequada para as suas necessidades, bem como o melhor horário para consumir o hormônio, sem que isso interfira com a qualidade do sono.

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Estilo de vida

Pão integral é o alimento mais comprado entre os brasileiros que querem emagrecer

Especialista explica benefícios do consumo deste tipo de alimento e como não errar na hora da compra.

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Normalmente, quando queremos iniciar uma dieta escolhemos a segunda-feira como o dia oficial para entrar de cabeça nessa missão. Afinal, são nos sábados e domingos que costumamos comer um pouco mais, seja porque pedimos aquela pizza saborosa, porque escolhemos ir em restaurantes que possuem pratos deliciosos ou até mesmo porque exageramos nas festas, e aí quando passamos dos limites nesses dias, optamos em fazer do início da semana o nosso momento de redenção.

Começar uma dieta na segunda-feira se tornou praticamente um ritual e para conseguir ter êxito nesse desafio, é importante que alguns alimentos sejam substituídos, além de claro, incluir alguns outros que também são importantes. Sendo assim, é muito comum que optemos por cardápios que incluam em seus pratos itens integrais, como o arroz ou aveia, por exemplo. Isso acontece porque estes tipos de alimentos proporcionam uma série de benefícios a saúde. E de acordo com especialistas, os integrais são as melhores opções para a dieta, porém, como tudo na vida deve ter um equilíbrio, a alimentação com esses itens deve ser muito bem balanceada, pois eles também são ricos em calorias, e aí o resultado esperado pode ser contrário.

Pão integral é o queridinho, aponta pesquisa

De acordo com a pesquisa “Hábitos alimentares dos brasileiros: preferências, dietas e tendências de consumo”, 62% dos entrevistados dão preferência ao pão integral na hora de comprar os alimentos que vão integrar o cardápio da dieta. Segundo a nutricionista consultora, Nathália Gazarra, mais produtos desta categoria devem ser inclusos nas refeições para uma alimentação mais balanceada e consciente. “O ideal é que mais alimentos na versão integral sejam acrescentados no cardápio, pois são alimentos mais nutritivos. Possuem maior concentração de ferro, magnésio, zinco, fósforo e vitaminas do complexo B. São ricos em fibras também, o que auxilia no bom funcionamento intestinal. Por isso são tão indicados pelos especialistas, no entanto, também possuem calorias, então, não é porque o arroz ou o pão é integral, que pode dobrar a quantidade que se come. Por exemplo, uma fatia de pão de forma tradicional e uma fatia de pão de forma integral tem as mesmas calorias, portanto, deve consumir com cautela “, diz.

De olho no rótulo

Olhar os rótulos dos alimentos no mercado é algo sempre recomendado pela nutricionista e quando se trata dos produtos integrais a atenção deve ser redobrada, pois, nem todo alimento faz parta desta categoria. “De um modo geral, as pessoas não têm o hábito de ler os rótulos e quando leem, muitas vezes não entendem o conteúdo. Mas é necessário atentar-se, especialmente, porque muitos alimentos parecem ser integrais, mas na verdade não são. Para fazer parte do time dos integrais, a farinha integral, tem que ser o primeiro item a aparecer na lista de ingredientes. Só que várias embalagens levam as pessoas ao erro, pois na frente, normalmente está escrito integral, porém quando vamos verificar a lista de ingredientes, o primeiro item é a farinha enriquecida com ferro e ácido fólico, que nada mais é do que a farinha branca”, conta Gazarra.

Como incluir nas refeições?

Na percepção da especialista, as pessoas não sabem ao certo como incluir os alimentos integrais nas próprias refeições e para conseguir realizar essa tarefa é importante contar com um nutricionista, pois ele indicará os itens que devem ser consumidos e a quantidade ideal. “Um processo de reeducação alimentar envolve algumas substituições e ajustes no plano alimentar. E os alimentos na versão integral de maneira geral são muito indicados, mas é preciso também adequar isso ao paladar individual, pois, nem todo mundo é receptivo com estas mudanças. O nutricionista sempre oferece dicas e estratégias nutricionais que podem auxiliar nesse processo, além de especificar a quantidade das porções, lembrando que os alimentos integrais também possuem conteúdo calórico, por isso a consulta com o nutricionista é tão importante, porque é preciso acertar esses detalhes”, afirma.

Quais são os benefícios?

Engana-se quem acredita que alimentos integrais são bons apenas para quem busca emagrecer. A nutricionista consultora detalha alguns pontos que são muito benéficos a saúde.

Maior saciedade

Um dos grandes benefícios dos alimentos integrais é a sensação de saciedade. Como possuem fibras, eles absorvem água e ficam por mais tempo no estômago. “Essa é uma grande vantagem para quem precisa perder peso, com a maior sensação de saciedade, a fome demora um pouco mais para aparecer até a próxima refeição. Lembrando que é importante sempre procurar um nutricionista para orientar melhor sobre as refeições e suas quantidades”, conta a especialista.

Faz bem ao coração

Quem é cardíaco precisa fazer algumas substituições para cuidar do coração. Para o café da manhã, por exemplo, o pão integral ou a aveia integral pode assumir o lugar do tradicional pão francês. “A aveia, principalmente a aveia em farelo, possui na sua composição a beta-glucana, que é um tipo de fibra solúvel que pode reduzir o colesterol ruim, tem proteção celular, ação antioxidante, estimula o sistema imune e regula o apetite. São excelentes para o coração, como as vitaminas do complexo B, niacina, magnésio e fibras, prevenindo algumas doenças como colesterol e diabetes”, detalha Gazarra.

Ajuda a prevenir câncer

Por fornecer vitaminas, sais minerais e antioxidantes, os alimentos integrais combatem os radicais livres, que são substâncias toxicas que favorecem o corpo a desenvolver algumas doenças como o câncer, especialmente, o que afeta o estômago, intestino, reto e boca.

Ótimo para o intestino

De acordo com a especialista, os integrais beneficiam o intestino por causa da grande concentração de fibras encontrada neste tipo de alimento. “As fibras não são digeridas pelo organismo, então elas se formam como se fossem um gel no estômago, o que causa a saciedade. Retardam o esvaziamento gástrico e o tempo de trânsito intestinal, além de diminur a absorção de glicose e colesterol”, finaliza.

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Tomar café em excesso pode aumentar risco de pressão alta

Universidade de São Paulo (USP) realizou pesquisa com 533 pessoas.

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Agência Estado
Tomar café em excesso pode aumentar risco de pressão alta

Qual a quantidade de café que pode ser tomada por dia por quem tem predisposição a ter pressão alta e que não vai ser prejudicial? Uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) com 533 pessoas da cidade de São Paulo apontou que mais de três xícaras, das de 50 ml, podem aumentar em até quatro vezes a possibilidade de o problema se manifestar. Tomar até três xícaras, no entanto, traz benefícios e ajuda a evitar doenças cardiovasculares.

Pós-doutoranda no Departamento de Nutrição da Faculdade de Saúde Pública da USP (FSP-USP), a nutricionista Andreia Machado Miranda, principal autora do estudo, disse que os hábitos do indivíduo e a predisposição genética, isoladamente, já são fatores de risco conhecidos para a pressão arterial, mas ela e a equipe de pesquisadores se debruçaram nos impactos do consumo excessivo de café por pessoas saudáveis, mas com predisposição genética a ter hipertensão.

Para isso, utilizaram como base o Inquérito de Saúde do Município de São Paulo (ISA-Capital 2008), que foi realizado com 3 mil pessoas. “É um estudo muito completo com dados de estilo de vida, coleta de sangue e de DNA, informações bioquímicas e aferição da pressão arterial. Definimos como pressão arterial normal valores abaixo de 140 por 90 milímetros de mercúrio (mmHg). Acima disso, era considerado pressão alta”, explica a pesquisadora.

O grupo desenvolveu escores genéticos de risco e analisou o consumo de café dos participantes (menos de uma xícara, entre uma e três xícaras, e mais de três xícaras), além da pressão arterial deles.

“O consumo médio foi de duas xícaras e meia de café por dia. Nenhum dos participantes relatou o consumo de café descafeinado e quatro indivíduos falaram que consomem café expresso. O café é complexo. Ele é constituído por mais de 2 mil compostos químicos, entre eles, a cafeína, que aumenta os níveis da pressão arterial.”

A pesquisa mostrou que o grupo que tinha a pontuação mais elevada no escore genético e que bebia mais de três xícaras de café, a possibilidade de ter pressão alta era quatro vezes maior do que de quem não tinha a predisposição.

“Como a maior parte da população não sabe se tem a predisposição, porque são dados de exames que não são habitualmente feitos, a pesquisa pode ajudar toda a população a saber qual o consumo adequado que deve ser feito de café”, diz Andreia, que já realizou estudos sobre os efeitos do consumo da bebida.

Efeito protetor

“Em todos os nossos estudos, constatamos o efeito protetor para a parte cardiovascular. O café é rico em polifenóis, compostos bioativos que têm ação no organismo e só existem nos alimentos de origem vegetal. O organismo não produz. Diversos estudos têm mostrado uma contribuição na redução de doenças crônicas, como a cardiovascular. Por causa do poder antioxidante, melhora a vasodilatação e permite que a pressão arterial não aumente.”

Outro estudo realizado por Andreia apontou que o consumo de uma a três xícaras por dia traz benefícios para a saúde cardiovascular, como a regulação de um aminoácido chamado homocisteína, que está relacionado com episódios de enfarte e acidente vascular cerebral (AVC).

A pesquisa, apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), foi publicada na revista Clinical Nutrition.

O próximo passo do estudo é verificar o impacto do consumo de café em pacientes que já têm doenças cardiovasculares. “Agora, vamos identificar os efeitos nos pacientes que já sofreram um episódio de enfarte agudo do miocárdio ou angina instável e qual vai ser o impacto na sobrevida desses pacientes”, disse.

A previsão é de analisar, no período de quatro anos, dados de 1 085 pacientes atendidos no Hospital Universitário da USP.

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