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Estilo de vida

Os mitos e verdades sobre as origens do vibrador

Mesmo em círculos acadêmicos, ganhou crédito a noção de que médicos da era Vitoriana foram os primeiros a usar vibradores, aplicando-os em mulheres no tratamento de ‘histeria’; mas a verdade parece ser outra.

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Rachel Maines argumentou que vibradores mecânicos como este, datado de 1909, foram usados para curar mulheres da histeria — Foto: Science Museum

Na Grã-Bretanha, EUA e outros cantos do mundo, muitos já ouviram a história de que os pioneiros no uso de vibradores foram médicos do século 19, para tratar mulheres com “histeria” – termo hoje extinto que cobria de tudo, de dores de cabeça a colapsos nervosos.

Eles usavam o vibrador para levar as pacientes ao orgasmo – poupando-os de uma árdua tarefa manual.

Essa certamente é uma história memorável. E ganhou popularidade em filmes, peças premiadas e diversos documentários. Fomos fisgados por essa narrativa, mas evidências sugerem que ela nada mais é do que ficção.

A ideia de que os médicos usaram vibradores para masturbar mulheres com histeria remonta ao livro The Technology of Orgasm: “Hysteria”, the Vibrator, and Women’s Sexual Satisfaction (“A Tecnologia do Orgasmo: ‘Histeria’, o Vibrador, e a Satisfação Sexual Feminina”, em tradução livre). A publicação de 1999 foi escrita pela historiadora Rachel Maines, hoje pesquisadora visitante na Universidade Cornell, nos EUA.

Apesar da gigantesca popularidade e consagração do livro – incluindo o Prêmio Herbert Feis, da Associação de História Americana, em 1999 -, a teoria que aborda tem bases questionáveis, de acordo com um novo artigo publicado no Journal of Positive Sexuality. O estudo conduzido por historiadores é o mais recente a refutar as alegações do livro – e isso vale tanto para a história da sexualidade quanto para a imaginação popular.

Datado do início de 1900, este vibrador era do tipo usado pelos médicos para massagear pacientes — Foto: Science Museum

“Até onde sabemos sobre a história da sexualidade, parece improvável que médicos fizessem isso (masturbar as pacientes como forma de tratamento)”, diz Hallie Lieberman, historiadora da tecnologia no Instituto de Tecnologia da Geórgia e uma das autoras do artigo. “Depois de verificar as fontes (do livro), foi quando eu realmente pensei, OK, tem algo estranho aqui.”

Lieberman propõe uma visão alternativa. Sim, dispositivos mecânicos conhecidos como “vibradores” – e anunciados como massageadores de costas ou pescoço – estavam sendo usados por mulheres para a masturbação já nas décadas de 1900 e 1910. Mas não há evidências de que isso tenha ocorrido antes de 1900, quando os vibradores eram comercializados para médicos, e não diretamente aos consumidores.

E, portanto, não teria havido situações em que médicos, sem compreensão do que era o orgasmo feminino, usassem esses dispositivos para curar mulheres de histeria.

Mito de origem

Ao longo do século 19, vibradores elétricos eram comercializados em revistas, periódicos, literatura médica e jornais.

Em um anúncio divulgado no início do século seguinte, por volta de 1904, uma mulher senta-se relaxada, com a cabeça ligeiramente para o lado. Um médico vestindo um jaleco branco está atrás dela, tocando seu pescoço. Em uma de suas mãos está um dispositivo de metal com um grosso cabo preto: um vibrador elétrico, projetado para aliviar a tensão de massagear os pacientes. Mas não há sinais na imagem de que o dispositivo fosse usado em outro lugar além do pescoço da paciente.

Por esse método, “50% da fadiga dos massagistas é evitada”, diz o panfleto. “Resultados infinitamente melhores no tratamento são obtidos.”

Em outro folheto, o tratamento é administrado não por um médico, mas pela própria paciente. Com a forma de um secador de cabelo, o vibrador Sanofix, de 1913, vinha em uma pequena caixa de madeira, com diversos acessórios diferentes. Em uma série de fotografias, uma mulher de semblante sério, com um vestido branco de babados, segura o vibrador na testa, no queixo, na garganta e no peito.

Este anúncio do início dos anos 1900 foi um de uma série que mostrou o equipamento da Sanax sendo usado por homens e mulheres em seus braços, pernas, peito e rosto — Foto: Science Museum

Quando Rachel Maines, autora do livro A Tecnologia do Orgasmo, se deparou com esses anúncios, eles a intrigaram. “Passei os 19 anos seguintes fazendo pesquisas em bibliotecas nos EUA e na Europa, tentando descobrir mais sobre a história dos vibradores”, relata. “Não havia muito material nem nas fontes primárias. Por isso levou 19 anos, e acabei escrevendo um livro.”

O livro descreve como os vibradores passaram a ser usados como dispositivos para poupar força no tratamento da histeria orgásmica. O procedimento era realizado por médicos dedicados a tratar o maior número possível de pacientes. Maines escreveu que os médicos usavam a masturbação para tratar a histeria em mulheres desde o período romano.

Os médicos aliviavam a condição provocando “paroxismos” nas mulheres por meio da masturbação. Mas por causa da pouca compreensão da sexualidade feminina, os médicos não estavam cientes de que os paroxismos que seus pacientes vivenciavam eram na verdade uma resposta sexual.

Sexualidade feminina

A sexualidade feminina pode não ter recebido tanta atenção quanto a sexualidade masculina historicamente, mas a ideia de que os médicos da era vitoriana teriam feito isso por completa falta de conhecimento parece um tanto improvável para Hallie Lieberman.

“Ela apresenta a teoria como se ninguém soubesse o que é um orgasmo”, diz Lieberman. “Mas já havia uma consciência do clitóris e da sexualidade das mulheres na época”.

Há evidências de que, nos séculos 19 e 20, por exemplo, médicos dos EUA e do Reino Unido teorizaram sobre quais tipos de comportamento sexual em mulheres eram saudáveis e quais não eram, e que havia um entendimento geral sobre o orgasmo feminino.

Além disso, há problemas com os exemplos históricos citados no livro de Maines. Cinco fontes são usadas no início do livro para respaldar sua alegação de que os médicos usavam vibradores “especialmente na massagem ginecológica”. Mas várias dessas fontes não confirmam essa afirmação.

Não se menciona vibradores, histeria ou massagem ginecológica – na verdade, a passagem referida é sobre o tratamento de dores menstruais com correntes elétricas. O autor salienta que, para pacientes com dores menstruais, “a completa ausência de excitação sexual é da maior importância”.

A segunda fonte não menciona histeria, massagem ou vibradores. A terceira tampouco faz menção à massagem ginecológica, apenas à massagem tradicional, e o termo “vibrador” não aparece em nenhum lugar do livro. Lieberman encontrou essas inconsistências ao longo de todo o livro de Maines.

Maines se posicionou acolhendo as críticas de Lieberman, embora elas não tenham mudado sua visão. “É perfeitamente apropriado que um jovem acadêmico desafie o trabalho de especialistas mais velhos”, diz.

“Em A Tecnologia do Orgasmo, o que estou propondo é uma hipótese. Eles não acham minha hipótese muito convincente – OK. Nós não vamos concordar nisso”, acrescentou a pesquisadora.

Boas vibrações

O que se sabe é que os vibradores foram usados no corpo como uma panaceia para quase todas as doenças. Panfletos proclamaram sua eficácia contra a insônia, paralisia, neuralgia, epilepsia, consumo, ciática, lombalgia, gota, surdez, vômitos, constipação, hemorroidas e dores de garganta. Era bom para o fígado e até mesmo para problemas de saúde em crianças, apontou a literatura.

Dizem que o massageador vibratório Veedee, que remonta ao início de 1900, curava quase qualquer doença, de resfriados a problemas digestivos — Foto: Science Museum

A histeria também estava na lista de condições tratadas pelo vibrador. Mas para essas pacientes o vibrador era provavelmente mais usado para uma massagem relaxante nas costas ou no pescoço do que para qualquer tipo de uso erótico, afirma Lieberman.

“Com relação a massagear mulheres até o orgasmo, não há evidências de que isso tenha acontecido no consultório médico”, ressalta.

Pode até ter havido “médicos duvidosos”, acrescenta ela, que assediavam pacientes. Mas não há evidências de que o uso de vibradores para masturbação tenha sido um tratamento médico aceito.

O artigo de Lieberman não é o primeiro a desafiar a teoria de Maines. Outros pesquisadores, incluindo Helen King, historiadora da Universidade Aberta, de Londres, desafiaram as afirmações de Maines de que essa prática remonta aos períodos grego e romano.

“Maines queria uma linha histórica que remontasse ao período de Hipócrates, então ela estava decidida a encontrar médicos massageando suas pacientes até o orgasmo nas primeiras fontes escritas”, diz King.

Mas não era uma prática comum nas civilizações antigas permitir que médicos chegassem perto das mulheres da casa, explica ela. Outro problema foi que Maines não distinguiu a escrita satírica da literatura médica autêntica da época.

“Uma sátira romana, exibindo ‘devotos’ em banhos masturbando uma mulher até ela chegar ao orgasmo, é muito diferente de dizer que os médicos realmente fizeram isso”, diz King. “É uma sátira – é para ser escandalosa.”

Enquanto isto, textos médicos antigos que descreviam médicos massageando lombar, joelhos ou cabeça foram interpretados de modo errôneo por Maines como um tipo um tanto diferente de massagem, de acordo com King. Além disso, Maines teria contornado as evidências, deliberadamente escolhendo frases e fontes para reforçar sua hipótese: “Por exemplo, uma descrição sobre o que acontece quando o útero é friccionado durante o ato sexual transforma-se em masturbação por um médico”.

A realidade

Mas se não foram os médicos, quem afinal inventou o vibrador como brinquedo sexual?

A resposta chega a alguns dos anúncios que Maines encontrou – mesmo que alguns acadêmicos hoje acreditem que suas interpretações sejam enganosas.

Quando os médicos começaram a perceber, por volta do início do século 20, que os vibradores não eram o santo remédio que se pensava, os fabricantes dos aparelhos se depararam com um problema. Havia toda uma indústria dedicada a fabricar esses dispositivos: havia a versão com manivela, que evoluiu para modelos movidos a vapor, que por sua vez evoluiu para um dispositivo acionado eletricamente. Mas agora havia menos médicos dispostos a comprá-los.

Uma empresa adotou uma estratégia ousada em 1903, quando lançou um anúncio do aparelho sexual Hygeia tanto para homens quanto para mulheres.

“Parecia um cinto com eletricidade e vibração”, diz Lieberman.

Esta foi a primeira fonte de um vibrador associado ao sexo que Lieberman descobriu em sua pesquisa. Mas vender abertamente um vibrador como aparelho sexual era raro, até porque isso era considerado obsceno. Nos EUA, no Reino Unido e em outros lugares, as leis de obscenidade por muitos anos impediram as empresas de anunciarem dispositivos para o prazer sexual.

A mudança para a estratégia de vender vibradores diretamente aos consumidores foi fortalecida em 1915, quando a Associação Médica Americana fez uma declaração classificando os vibradores para uso médico como “um delírio e uma armadilha”. Qualquer efeito que eles tivessem nas pacientes era psicológico, e não médico. A associação classificou os vibradores como uma fraude e começou a combatê-los, conta Lieberman.

Em vez de matar a indústria dos vibradores, os fabricantes simplesmente mudaram o foco de médicos para consumidores.

“Viam-se anúncios no New York Times, no Chicago Tribune e em todo o Reino Unido”, diz Lieberman. “Eles foram vistos como um aparelho de lazer para mulheres.”

Com o passar do tempo, esses anúncios foram sendo, sutilmente, sexualizados. Homens sem camisa e mulheres em blusas decotadas eram mostrados exibindo alegremente os vibradores. Devido à reserva em anunciar explicitamente os vibradores como brinquedos sexuais, é difícil definir quando eles passaram a ser amplamente usados pra fins sexuais.

“O tipo de vibrador que conhecemos hoje começou a aparecer nos anos 1950 e se tornou mais comum e abertamente vendido nos anos 1960”, diz Lieberman. “Mas ele ainda era polêmico”.

A controvérsia levou muito tempo para se dissipar. Em alguns lugares, ainda há polêmica. No Estado americano do Alabama, por exemplo, as leis de obscenidade ainda proíbem a publicidade e a venda de vibradores.

Apesar de a história ser fortemente contestada, Maines continua defendendo sua teoria. “Acredito que minha hipótese está correta. Muitos pensam da mesma forma”, diz Maines.

Lieberman admite que sua nova teoria é menos atraente do que a hipótese de que várias gerações de médicos usavam o vibrador na masturbação para acalmar mulheres histéricas.

” atrai as pessoas”, acrescenta King. “É como uma cena de filme pornô em que o médico ‘resolve’ o problema, se é que você me entende.”

Foi esse apelo que impulsionou a popularização da teoria da masturbação médica. Por quase 20 anos, ensinaram-na em universidades, tomando-a como um dado na literatura acadêmica, apresentando-o como fato na mídia e popularizando-o nos palcos e nas telas. E, como observa Lieberman, quando as pessoas querem que uma história seja verdadeira, até acadêmicos raramente se incomodam em verificar os fatos.

Estilo de vida

Proteínas vegetais: Quais alimentos podem contribuir com seu aporte adequado?

Conheça as proteínas de origem vegetal mais utilizadas atualmente e como incluir na alimentação.

Publicado em

Do G1

Proteínas vegetais ganham espaço na rotina alimentar e apresentam alta qualidade nutritiva — Foto: Unsplash/Divulgação

As proteínas vegetais vêm ganhando espaço na dieta das pessoas, e não apenas aquelas adeptas ao vegetarianismo. O seu consumo aumentou, principalmente por meio de alimentos de origem vegetal que já faziam parte da rotina alimentar da maioria dos brasileiros.

Através de um plano alimentar adequado, é possível garantir todos os aminoácidos essenciais com a combinação de alimentos vegetais que contenham boa proporção de proteína. Os grãos, especificamente cereais e leguminosas, sãos as maiores fontes proteicas e que devem fazer parte do plano alimentar. Além do tradicional arroz com feijão, lentilha, grão de bico, conheça algumas opções para se atentar na hora de ir ao mercado e variar o cardápio vegetal:

Quinua

Considerada um pseudoceral, a quinua é rica em aminoácidos sulfurados e no aminoácido lisina, em uma concentração de aproximadamente 84 mg, sendo que, a necessidade dela diária é de 56 mg de lisina para cada grama de proteína. Além disso, devemos ressaltar sua qualidade de outros nutrientes e fitoquímicos, principalmente os fitoestrógenos, que atuam como análogos de hormônios no organismo, ajudando a prevenir a osteoporose, problemas cardíacos nas mulheres após a menopausa e reforço da imunidade.

Amaranto

O amaranto é outro pseudocereal rico em proteína, apresentando 5% de lisina, aminoácido limitante na maioria dos vegetais, e 4,4% de aminoácidos sulfurados. Apresenta um elevado teor nutritivo, sobretudo, de cálcio, sendo uma opção interessante para pessoas com intolerância à lactose e celíacos, por também não conter glúten em sua composição. Já em relação ao valor de fibras, o cereal apresenta cerca de 13% fibras solúvel, favorecendo a saúde intestinal.

Soja preta

Considera uma versão mais nutritiva do que a tradicional, a soja preta é uma grande fonte de proteínas. Em 100 gramas do grão é encontrado aproximadamente 40 gramas de proteínas, chegando a representar 57% das necessidades diárias. Seu consumo em forma de farinha pode ser eficiente por conta da alta densidade de fitoativos e nutrientes, com destaque as isoflavonas e antocianinas, componentes com alto poder antioxidante e benefícios que contribuem com a modulação do peso corporal e minimização de sintomas associados às fases da mulher, como tensão pré-menstrual e menopausa.

Pensando em suplementação, já encontramos no mercado esportivo diferentes tipos de suplementos à base de proteínas veganas, sendo as mais comuns: proteína de arroz, proteína de batata, proteína de soja, proteína de ervilha e, uma inovação em forte tendência, as proteínas de amêndoas e girassol!

Grãos como cereais e leguminosas são ótimas fontes proteicas vegetais — Foto: Unsplash/Divulgação

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Estilo de vida

Gordura abdominal: o que consumir e o que evitar!

Dicas de alimentos que auxiliam na redução da gordura abdominal.

Publicado em

Do G1

Uma alimentação colorida facilita a perda de gordura abdominal com equilíbrio — Foto: Divulgação

Considerada uma queixa frequente em consultório, a gordura abdominal pode ser combatida com ajustes na alimentação que merecem atenção. Além disso, é preciso ressaltar a importância da prática de atividades físicas, especialmente aeróbias a fim de aumentar o gasto energético e contribuir com a queima de gordura, inclusive na região abdominal.

Para isso, o ideal é incluir determinados alimentos que auxiliem na modulação de vias no organismo associadas à oxidação e gorduras e equilíbrio hormonal, e evitar aqueles que potencializem a retenção de líquidos e favoreçam o acúmulo de tecido adiposo. São eles:

Inclua na alimentação:

Frutas cítricas

As frutas cítricas, com destaque à laranja, abacaxi e laranja moro, possuem um papel fundamental no equilíbrio do organismo, especialmente por conta de sua carga de fitoquímicos com capacidade regulatória. Dos benefícios listados do consumo desses alimentos, destacam-se o auxílio na digestão (bromelina do abacaxi), o aumento da queima de gordura (antocianina da laranja moro) e a redução do estresse oxidativo (vitamina C da laranja), todos capazes de contribuir com a modelação corporal

Azeite de oliva

Fonte rica de hidroxitirosol e ômega-9, o azeite de oliva possui alta ação anti-inflamatório que favorece o equilíbrio do organismo quando há excesso de gordura, principalmente visceral.

Semente de chia

A semente de chia é a maior fonte vegetal de ômega-3 e, por isso, essencial no cardápio de quem busca o emagrecimento de forma saudável. O ômega-3 é responsável por minimizas processos inflamatórios envolvidos na adipogênese e auxiliar na regulação dos níveis de cortisol, o hormônio do estresse que é associado ao acúmulo de gordura abdominal.

Inclua o azeite de oliva em diferentes receitas no seu dia a dia — Foto: Divulgação

Evite exagerar nos alimentos que contém:

Açúcar farinhas refinados

O desequilíbrio glicêmico gerado pelo excesso na ingestão de açúcar e de produtos a base de farinha refinada pode resultar em alterações no tecido adiposo e favorecer o acúmulo de lipídeos, além de desequilibrar o metabolismo corporal. O mais adequado é substituir este ingrediente por adoçantes naturais mais seguros e benéficos ao organismo.

Glutamato monossódico

Composto utilizado como realçador de sabor em produtos ultraprocessados (molhos e temperos prontos), o glutamato monossódico é capaz de inibir a liberação de uma substância responsável pela promoção da saciedade, prejudicando a sinalização e contribuindo com o ganho de gordura abdominal.

Pode parecer difícil, mas pequenas mudanças na sua rotina alimentar são suficientes para auxiliar no gerenciamento do tecido adiposo, especialmente na região do abdômen!

As frutas cítricas possuem um papel fundamental no equilíbrio do organismo — Foto: Divulgação

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Estilo de vida

Beber suco de fruta é realmente saudável?

E qual é o impacto na nossa saúde?

Publicado em

Da BBC
Dado que o suco de frutas tem a maior parte de sua fibra removida, sua frutose conta como "açúcares livres", que são menos saudáveis (Foto: Pixabay)

É difícil resistir a um suco natural, seja no café da manhã, no lanche da tarde ou após exercícios físicos.

Muita gente também acredita que ele ajuda a perder peso ou “desintoxicar” o organismo.

Todas essas suposições movimentam um negócio altamente lucrativo. O mercado global de sucos feitos a partir de frutas, legumes e verduras foi estimado em US$ 154 bilhões em 2016 e deve continuar crescendo.

Mas o suco é realmente tão saudável quanto pensamos?

A princípio, a maioria dos alimentos que contêm frutose – um açúcar natural encontrado em todas as frutas e sucos de frutas – não nos prejudica, desde que, ao consumi-lo, não estejamos excedendo nosso limite de calorias diário. Isso acontece porque a fibra encontrada em frutas inteiras está intacta e esse açúcar pode ser encontrado nas células dela. Nosso sistema digestivo leva um tempo para quebrar essas células e para a frutose entrar na corrente sanguínea.

Mas esse não é o caso do suco de frutas.

Sucos contendo legumes e verduras podem ter menos açúcar do que sucos de frutas, mas ainda assim não possuem fibras valiosas — Foto: Pixabay

Para que serve a fibra

“O suco de frutas remove a maior parte da fibra”, diz Emma Elvin, da Diabetes UK. É por isso que, ao contrário da fruta inteira, a frutose nos sucos de frutas conta como ‘açúcares livres’ – que também incluem o mel e os açúcares adicionados aos alimentos. A OMS, a Organização Mundial de Saúde, recomenda que os adultos não consumam mais do que 30g de açúcar adicionado, o equivalente a 150ml de suco de fruta por dia.

O problema é que, após a fibra ser removida, a frutose do suco acaba absorvida mais rapidamente. Picos súbitos de açúcar no sangue fazem com que o pâncreas libere insulina para que ele volte a um nível normal. Com o tempo, esse mecanismo pode se desgastar, aumentando o risco de diabetes tipo 2.

Em 2013, pesquisadores analisaram dados de 100 mil pessoas coletados entre 1986 e 2009 e descobriram que o consumo de suco de frutas estava ligado ao aumento do risco de diabetes tipo 2. Eles concluíram que – como os líquidos passam pelo estômago até o intestino mais rápido do que os sólidos – mesmo quando o conteúdo nutricional é semelhante ao das frutas inteiras, o suco de frutas leva a mudanças mais rápidas e maiores nos níveis de glicose e insulina.

Outra pesquisa revelou uma associação direta entre o suco de frutas e o diabetes tipo 2 após acompanhar as dietas e o status de diabetes de mais de 70 mil enfermeiras ao longo de 18 anos. Os pesquisadores explicam que a possível razão para isso pode ter sido, em parte, a falta dos outros componentes encontrados em frutas inteiras, como a fibra.

Sucos contendo legumes e verduras podem fornecer mais nutrientes e menos açúcar do que aqueles feitos apenas de frutas – mas, ainda assim, não têm fibras valiosas. Dietas ricas em fibras têm sido associadas a um menor risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, derrame, pressão alta e diabetes. Recomenda-se que adultos consumam 30g de fibras por dia.

Excesso de calorias

Além da ligação com a diabetes tipo 2, muitos estudos mostram que o suco de frutas é prejudicial se contribui para o excesso de ingestão de calorias diárias.

A partir de uma análise de 155 estudos, John Sievenpiper, professor associado do Departamento de Ciências Nutricionais da Universidade de Toronto, no Canadá, investigou se as associações entre refrigerantes com adição de açúcar e saúde – incluindo o risco de diabetes e doenças cardiovasculares – eram aplicáveis aos alimentos e bebidas que consumimos como parte de uma dieta saudável. Ele comparou pesquisas que examinaram os efeitos dos açúcares contendo frutose (incluindo sacarose, xarope de milho com alto teor de frutose, mel e xaropes) com dietas controladas livres ou com redução desses açúcares. Seu objetivo? Isolar os efeitos do consumo de muitas calorias dos efeitos de alimentos contendo diferentes açúcares.

Segundo pesquisa, consumir frutas inteiras ou até mesmo suco de frutas é benéfico para a saúde se limite de calorias diário não for excedido — Foto: Pixabay

A descoberta de Sievenpiper foi surpreendente. Ele encontrou efeitos negativos nos níveis de açúcar no sangue e insulina em jejum quando os alimentos forneceram calorias em excesso a partir de açúcares, incluindo suco de frutas. No entanto, quando não implicava em exceder o limite diário de calorias, consumir frutas inteiras – e até mesmo suco de frutas – era vantajoso. Sievenpiper chegou à conclusão de que a ingestão recomendada é de um copo de suco de fruta por dia (ou 150 ml).

Segundo a pesquisa realizada por Sievenpiper, os alimentos que contêm frutose podem ter alguns pequenos benefícios para o controle de açúcar no sangue a longo prazo, quando não levam ao consumo excessivo de calorias. Mas quando sua ingestão excede nosso nível de calorias diário, costumam aumentar os níveis de açúcar no sangue e insulina. Isso pode ocorrer porque a frutose tem um IG relativamente baixo, diz Sievenpiper, enquanto as dietas de alto IG estão associadas à resistência à insulina.

“Comer uma fruta inteira é melhor do que tomar um suco de fruta, mas se você usar o suco como um complemento, tudo bem. Não se você estiver tomando o suco para hidratar-se ou bebendo em grandes quantidades”, explica Sievenpiper.

Portanto, embora saibamos que o suco de frutas pode causar diabetes, se ele fizer parte de uma dieta com maior ingestão de calorias, fica menos claro como esse alimento afeta a saúde a longo prazo daqueles que não estão acima do peso.

“Ainda há muita coisa que não entendemos sobre como aumentar o açúcar na dieta sem aumentar o risco de mudança de peso”, diz Heather Ferris, professora-assistente de medicina na Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos. “Por quanto tempo e quão bem o pâncreas pode lidar com o açúcar se deve parte à genética.”

No entanto, temos um risco maior de consumir mais do que o número diário recomendado de calorias (cerca de 2 mil para mulheres e 2,5 mil para homens) nos dias em que tomamos suco, de acordo com a mesma pesquisa. Vários estudos mostraram que beber suco de frutas não nos faz consumir menos alimentos durante o dia.

“Também é fácil consumir grandes quantidades de suco de fruta rapidamente, o que significa calorias extras. E quando as calorias aumentam, isso pode contribuir para o ganho de peso”, diz Elvin.

Otimismo

Mas um estudo publicado no ano passado deu uma espécie de “salvo-conduto” ao suco de fruta. Os pesquisadores usaram um liquidificador ‘extrator de nutrientes’ que, diferente dos tradicionais, extrai toda a fruta, incluindo sementes e pele. Eles mediram os efeitos de um mix de frutas e da manga descascada – ambas com alto índice glicêmico e, portanto, causadoras de um pico de açúcar no sangue – espremido em um extrator de nutrientes, comparado com outro grupo que ingeriu a mesma fruta inteira.

Aqueles que beberam o mix de frutas extraídas com nutrientes tiveram um aumento menor de açúcar no sangue em comparação com o grupo de frutas mistas. Por outro lado, não houve diferenças entre aqueles que beberam o suco de manga e o mix de manga inteira, com casca.

No entanto, esse foi um estudo pequeno, e os pesquisadores não compararam suas descobertas com o suco feito por qualquer outro método, como espremer o suco descartando a pele e as sementes.

Pode ser melhor misturar

Gail Rees, palestrante sênior em nutrição humana na Universidade de Plymouth, no Reino Unido, e uma das responsáveis pelo estudo, diz que os resultados foram provavelmente influenciados pelas sementes de frutas contidas nos sucos. Segundo ela, é difícil chegar a uma recomendação clara a partir das conclusões do estudo.

“Certamente concordaria com a recomendação atual de 150 ml de suco de frutas por dia, mas se você usar um extrator de nutrientes em casa, pode manter os níveis de açúcar no sangue relativamente estáveis”, explica Rees.

Mas, enquanto manter as sementes no suco pode fazer alguma diferença durante a digestão, Ferris argumenta que isso não muda necessariamente o quão incompleto o suco é.

“Quando o suco contém alguma fibra, ele vai diminuir a absorção, mas você ainda tem uma ingestão excessiva de calorias porque é fácil consumi-lo. No entanto, é melhor do que o suco de fruta tradicional”, diz ela.

Outras maneiras de melhorar os efeitos do suco em nossa saúde incluem optar por frutas maduras para reter o máximo de benefícios possíveis, de acordo com Roger Clemens, professor de Ciências Farmacêuticas da Universidade do Sul da Califórnia, no Reino Unido.

Também é importante reconhecer que, dependendo da fruta, métodos diferentes devem ser usados para extrair o suco, acrescenta o especialista. Isso se dá por causa da composição física da fruta. Por exemplo, a maioria dos fitonutrientes das uvas é encontrada na semente, com muito pouco encontrado na polpa. E a maioria dos compostos fenólicos e flavonóides benéficos encontrados nas laranjas estão localizados na casca, que é perdida com o suco tradicional.

Triturar toda a fruta, em vez de espremê-la, eliminando as sementes e a pele, pode ser melhor para a sua saúde — Foto: Pixabay

Desintoxicação desmascarada

Outra razão para a recente popularidade do suco de frutas é o argumento de que ele pode ajudar a desintoxicar o corpo.

No entanto, o único uso médico reconhecido da palavra ‘desintoxicação’ refere-se à remoção de substâncias nocivas do corpo, incluindo drogas, álcool e veneno.

“Todo o conceito de uma dieta de suco sendo desintoxicante é uma falácia”, diz Clemens. “Consumimos compostos todos os dias que podem ser tóxicos e nossos corpos fazem um trabalho maravilhoso de desintoxicação e eliminação de tudo o que comemos.”

E engana-se quem tome suco apenas com a intenção de absorver mais nutrientes.

“Há muitos nutrientes contidos nas partes das frutas, como nas cascas de maçã, que são descartadas quando você faz o suco de fruta”, diz Ferris. “Você termina com água com açúcar e algumas vitaminas.”

Além do mais, acrescenta ela, beber suco de frutas não é a maneira ideal de ingerir as cinco porções de frutas recomendadas por dia. “As pessoas tentam ingerir cinco porções de frutas, legumes e verduras por dia e não percebem que não se trata apenas de obter vitaminas”, diz ela.

“Trata-se também de reduzir a quantidade de carboidratos, de grãos, proteínas e gorduras em nossa dieta e aumentar a de fibras”, acrescenta.

Dessa forma, ainda que beber suco de fruta seja melhor do que não comer nenhuma fruta, o risco é maior quando consumimos mais de 150ml de açúcares por dia, ou quando acaba contribuindo para uma ingestão de calorias acima da recomendada.

Conclusão: o suco nos proporciona vitaminas – mas tem que ser consumido com bastante moderação.

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