Conjunto habitacional está há 11 anos sem vistoria em Assis

Mais de dois mil pessoas moram no local, no Parque das Acácias.
Depois de tragédia em boate do sul, população está com medo.

Local indicado para extintor não conta com o equipamento (Foto: Reprodução TV Tem)

Um conjunto habitacional entregue em 2002 e com mais de 2 mil moradores até agora não recebeu a vistoria do Corpo de Bombeiros. Depois da tragédia que aconteceu no Rio Grande do Sul, quem mora nos apartamentos está com medo.

Os prédios ficam no Parque das Acácias. Os prédios são da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (Cdhu), órgão do governo estadual. Depois da tragédia de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, os moradores ficaram apreensivos porque desde que eles se mudaram, em 2002, nunca foi feita uma vistoria pela Cdhu e pelo Corpo de Bombeiros. A Associação dos Moradores afirmou já ter enviado vários pedidos.

“Já não é de hoje que cobramos fiscalizações, mas infelizmente, até os dias de hoje elas não aconteceram. Estivemos no Corpo de Bombeiros. Eles informaram que tem um pré-projeto que a companhia deu entrada. Isso já se passaram 10 anos e ninguém mais voltou. E só a Cdhu tem o poder de exigir esta fiscalização”, disse o presidente Claudinei Silva dos Santos.

A preocupação existe porque devido à falta de fiscalização diversas mudanças no projeto inicial foram feitas pelos moradores, sem autorização da Cdhu. Coberturas de garagens, que não são permitidas, foram construídas. Alambrados colocados em meio aos prédios, obstruindo passagens e transformando em verdadeiros labirintos os caminhos que alguns moradores tem que percorrer.

Eu me preocupo muito com a segurança porque eu tenho medo. Se os bombeiros precisarem entrar correndo para socorrer uma vitima fica difícil. Parece um labirinto, não tem calçada que antes tinha. É muito complicado. O carro não entra e tem que tirar na maca”, alertou a camareira Tânia Cristina da Silva.

Em alguns blocos há placas sinalizando extintores, mas eles não existem ou em alguns casos, estão vencidos. Segundo os bombeiros, a água dos reservatórios do local não deve ser usada em casos de incêndio. Pelo pré-projeto de 2002, somente os extintores deverão ser utilizados em emergências. Nos prédios da Cdhu não existe elevador e nem porta corta-fogo. Portanto, em caso de incêndio ou outro tipo de emergência, a única saída que os moradores têm são as escadas. Mas se acontecer durante a noite eles terão mais um problema: a iluminação que deveria ajudar as pessoas a saírem do prédio, existe, mas não funciona.

O tenente do Corpo de Bombeiros, Diego de Olvieira Pecoraro, explicou que não tem o poder de fiscalização. E só pode realizar vistorias e laudos no prédio da Cdhu, se o pedido for feito pelo governo do estado. Os bombeiros ainda alertam que qualquer mudança feita no projeto inicial deve ser informada imediatamente aos órgãos públicos. “No caso do Cdhu aqui de Assis tem um projeto aprovado, mas tem que vir uma solicitação do estado pedindo a vistoria para a gente ir até o local fazer a vistoria. Qualquer tipo de modificação na estrutura do prédio tem que ser feita uma atualização no projeto de segurança contra incêndio, principalmente neste caso, sobre rotas de fugas de emergência, deve ser feita uma atualização do projeto”.

A Cdhu informou que na época da entrega dos apartamentos, os extintores e a iluminação de emergência estavam funcionando, mas que vai elaborar um projeto para atender as normas de segurança e permitir a vistoria dos bombeiros. Em relação às garagens e alambrados, comunicou que qualquer obra só pode ser realizada com a aprovação da prefeitura e órgãos competentes.

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