Unesp de Assis participa de projeto Energia Orgânica

Objetivo do projeto é a sustentabilidade social, econômica e ambiental.

O projeto é dirigido por um grupo de alunos, da Engenharia Biotecnológica e da Ciências Biológicas, na Unesp de Assis, e coordenado pelo professor Darío Abel Palmieri (Foto: Arquivo)

Com vistas à preservação ambiental, teve início, em fevereiro de 2012, em Assis, o projeto “Energia Orgânica: menos lixo, mais luz”, parceria entre a prefeitura do município, a Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis (COOCASSIS) e a Unesp. O projeto tem apoio, a partir de 2010, da pró-reitoria de Extensão Universitária, e conta com parceria com a Unisol e o Santander.

Em 2005 foi implantado na cidade o Programa de Coleta Seletiva Solidária, também realizado pela COOCASSIS, que recebe o material reciclável previamente separado pela população e faz a triagem de todo lixo urbano municipal, a fim de aproveitar ao máximo os materiais que não foram devidamente separados. Após essa triagem, a porção orgânica é transportada até o aterro sanitário. Apesar de haver uma grande quantidade de material reciclável recolhido, há ainda um grande quantidade de lixo orgânico produzido na cidade.

Com o objetivo de agregar valor a essa matéria orgânica não aproveitada, o projeto teve por objetivo a construção, na Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis, de um biodigestor anaeróbio, com intenção de recolher a matéria orgânica de grandes geradores tais como restaurantes para alimentar o biodigestor, aparato tecnológico que possibilita transformar o lixo orgânico em biogás e biofertilizante. Para alimentá-lo, será utilizada por dia meia tonelada de matéria orgânica.

O Biodigestor é um reservatório tubular de 50 metros de comprimento, feito de uma geomembrana de polietileno extremamente resistente. O lixo orgânico ali depositado, é triturado e misturado com água, para então fluir lentamente da extremidade de entrada até a de saída do biodigestor enquanto sofre a ação de bactérias anaeróbias, as quais vão produzir o biogás.

Esse lixo orgânico degradado se transforma em um produto final altamente vantajoso se comparado a fertilizantes químicos, chamado biofertilizante. O biogás é inflamável e, por isso, pode ser aproveitado como biocombustível, movimentando motores, gerando energia elétrica ou aquecendo casas e granjas nos meses de frio. Estima-se que do lixo orgânico introduzido no biodigestor, 20% sejam convertidos em biogás e os 80% restante sejam transformados em biofertilizante.

Uma vantagem ecológica é que, com a queima do gás, ocorre a destruição do metano (principal componente do biogás), muito agressivo ao meio ambiente. O biogás apresenta cerca de 55% de metano, 40% de CO2 e 5% de outros gases; estima-se que 1 m3 de biogás equivale a 0,61 L de gasolina, ou 0,58 L de querosene, ou 0,55 L óleo diesel, ou 0,45 L gás de cozinha, ou 1,5 kg de lenha ou 0,79 L de álcool hidratado.

O biogás, que será convertido em energia elétrica através de um gerador, será utilizado para alimentar os equipamentos da própria cooperativa. A quantidade de energia gerada será em torno de 25% da utilizada por mês, o que levará a uma redução de cerca de 1000 reais nos gastos, aumentando assim a renda dos cooperados.

Enquanto o biofertilizante será comercializado com produtores rurais da região, consequentemente aumentando também a renda dos cooperados. Ademais, o projeto possibilitará a geração e comercialização de créditos de carbono.

O biofertilizante é um adubo orgânico natural que apresenta inúmeras vantagens quando comparado com adubos químicos pois pode ser produzido através de resíduos e tem caráter de remediação dos solos degradados, apresenta cerca de 85% de matéria orgânica, 1,8% de nitrogênio, 1,6% de fósforo e 1% de potássio. “Acreditamos que a conversão de parte do lixo orgânico produzido no município em biofertilizante e biogás permitirá ampliar e fortalecer as ações da cooperativa em prol do desenvolvimento sustentável, trazendo benefícios a toda a comunidade assisense”, afirmam os idealizadores do projeto.

Hoje o biodigestor está em processo final de construção e tem previsão de entrar em funcionamento até o final do mês de julho.

O projeto é dirigido por um grupo de alunos, da Engenharia Biotecnológica e da Ciências Biológicas, na Unesp de Assis, e coordenado pelo professor Darío Abel Palmieri.

Trata-se de um dos projetos do time Enactus Unesp Assis. A Enactus é uma ONG internacional que trabalha com estudantes, acadêmicos e líderes de negócios em projetos sociais, visando a sustentabilidade, aumentar a qualidade de vida e ajudar comunidades necessitadas, contando com grandes empresas como a Unilever, Microsoft e Walmart, entre outros, como parceiros.

O time Enactus desta unidade foi criado há pouco tempo e é formado por alunos de diversos cursos da Unidade de Assis. Hoje tem como projeto principal o do biodigestor, que, este ano, está entre os finalistas de outro prêmio, o prêmio ANDEF, um dos mais importantes da agricultura brasileira.

Porém o projeto não é apenas a respeito do biodigestor, e sim da comunidade, tendo como um dos objetivos uma reeducação ambiental no município. Em 2012, no mês do meio ambiente o grupo trabalhou em escolas infantis apresentando teatros e gincanas e durante o ano também foram feitas palestras dentro da faculdade, inclusive com a participação de cooperados.

Dentro da Unesp está sendo iniciada uma campanha de divulgação da coleta seletiva, sobre o que é a coleta, quais materiais não são recicláveis e quais os dias de coleta em cada bairro, dúvidas estas frequentes dentro do campus.  Está sendo feita uma pesquisa estatística para analisar se o número de alunos participantes da coleta aumenta após essa divulgação ser feita.

Este ano o grupo já tem agenda em algumas escolas e tem pretensão de abranger cada vez mais estudantes, com propostas para todas as séries. Porém, a ideia é conseguir ministrar na cidade uma educação ambiental que abranja não apenas as crianças e jovens, mas também adultos, direta e indiretamente, mas isso ainda está em processo de desenvolvimento.

As atividades têm por finalidade uma maior adesão da população à Coleta Seletiva Solidária, trazendo assim maior quantidade de material separado para a COOCASSIS e uma melhor separação do lixo, o que facilitará o processo de triagem na cooperativa, melhorando as condições de trabalho dos cooperados. Além disso, uma educação ambiental geral não apenas focando na reciclagem e mostrar a importância do trabalho do catador, que muitas vezes é  visto com maus olhos.

Outro objetivo importante é a integração dentro da cooperativa. A COOCASSIS conta com cerca de 90 cooperados, que trabalham de segunda a sábado, abrangendo todo o município. Porém os trabalhadores não moram próximos uns dos outros, logo fora do trabalho não formam uma comunidade. Nosso objetivo é estar auxiliando eles com a organização de ideias para atividades a parte, como oficinas, rodas de discussão e intervalos de lazer.

Dia 25 de maio, por exemplo, foi realizada uma sessão cinema dentro da cooperativa e, para junho, o grupo Energia Orgânica, em conjunto com a INCOP (Incubadora de Cooperativas Populares) e alguns cooperados, está organizando um festa junina para a COOCASSIS.  Visando com essas atividades uma melhoria no ambiente de trabalho, e consequentemente uma maior qualidade de vida para o trabalhador.

Assim, o projeto abrange o tripé da sustentabilidade: Social, Econômico e Ambiental.

Resíduos sólidos
Os resíduos sólidos têm sido um grande problema para a administração pública. Em 2010, o Brasil produziu cerca de 61 milhões de toneladas de lixo e, em mais da metade dos 5.565 municípios do país, os detritos são simplesmente despejados e esquecidos nos aterros sanitários, sem qualquer tipo de tratamento. Com isso, a saúde dos catadores de materiais e da população em geral fica exposta a inúmeras doenças, além de contaminar diretamente o solo e a água.

Enquanto países desenvolvidos gastam cerca de 200 bilhões de dólares por ano com a eliminação de seus resíduos, o Brasil destina apenas 5 bilhões de dólares. Ao reciclar de forma sustentável, dando tratamento adequado a esses resíduos, poderíamos obter um faturamento de até 10 bilhões de reais.

Segundo especialistas, se o lixo tivesse destinação adequada, pelo menos 10% de nossa energia poderia ter como fonte o biogás, constituído basicamente por metano e dióxido de carbono liberado pelos detritos. Além de excelente solução ambiental, o tratamento correto dos detritos ajudaria a economia de forma significativa.

A cada ano, 1,3 bilhão de tonelada de comida (cerca de 1/3 de tudo que se produz no mundo) é perdida por manipulação indevida ou mero descarte. No Brasil, mais de 25 milhões toneladas de alimentos vão para o lixo todo ano, quantia suficiente para alimentar 30 milhões de pessoas.

O lixo brasileiro é composto por 54% de matéria orgânica. Apesar de ser biodegradável, seu processo de decomposição produz grande quantidade de gás metano, um dos grandes responsáveis pelo efeito estufa (23 vezes mais nocivo do que o gás carbônico).

 

VEJA TAMBÉM

#MAIS LIDAS DA SEMANA