Para João Motta, agricultor precisa de mais reconhecimento

Neste domingo, 28 de julho é comemorado o Dia do Agricultor e o sindicalista e produtor rural faz uma análise sobre as questões políticas ligadas ao setor

Presidente do Sindicato Rural e secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Cândido Mota, João Antônio Ferreira da Motta

“O agricultor é o grande responsável pelo desenvolvimento do país. Durante muito tempo, o Brasil teve vergonha de ser rural, hoje o campo se tornou orgulho. A produção foi triplicada em vários setores, pena que o Governo não teve olhos para esse crescimento, sem investir na infraestrutura necessária para suprir a demanda. Os portos sucateados, as rodovias esburacadas e sérias dificuldades de exportação, atrasos monumentais, além do principal – a garantia de renda ao produtor, seguro justo”. Com essas palavras, o presidente do Sindicato Rural e secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Cândido Mota, João Antônio Ferreira da Motta, chama a atenção para o atual momento em que vive o agricultor brasileiro.

Neste domingo, 28 de julho é comemorado o Dia do Agricultor e o sindicalista e produtor rural faz uma análise sobre as questões políticas ligadas ao setor que tem se firmado e mostrado todo seu potencial econômico, cada vez mais importante na sociedade brasileira, em que cumpre um papel decisivo nos municípios brasileiros e na economia de toda a nação. “O impacto da queda na produção industrial das grandes cidades não é tão desastroso e avassalador se comparado a uma quebra de safra ou a baixa produção de alimentos. O país é totalmente dependente do setor agrícola e todos, sem exceção, do Papa – um homem santo a um bandido, se alimentam”, compara João Motta, se referindo a importância do alimento para o ser humano.

João Motta acredita que nos últimos anos, o setor do agronegócio não teve reconhecimento necessário por parte dos governantes.  “O produtor rural está mais exigente, investiu em alta tecnologia – hoje há fila nas revendas de máquinas e implementos, melhorou sua produção em termos de qualidade, respeitou o meio ambiente preservando as riquezas naturais de suas propriedades, correu todos os riscos sozinho. Ainda administra uma indústria a céu aberto, sempre olhando para cima porque depende muito do clima e, mesmo assim, o Governo não se preparou para essa realidade, deixando de lado investimentos para o escoamento da produção”, pondera, dando exemplo do Japão que deixou de comprar soja do Brasil pela morosidade na entrega do produto.

Para ele, só quem viveu na roça conhece de perto a rotina do homem do campo, que acorda cedo e junto de sua família, produz o alimento que está na mesa de cada um dos brasileiros. Ao contrário do que pensam os que moram nas grandes cidades, de que o alimento vem das gôndolas dos supermercados. “As cidades do interior, como o Estado e a nação, dependem da produção agrícola para seu desenvolvimento econômico e devem cada vez mais valorizar o agricultor que é o grande responsável por isso tudo”, aponta Motta.

O dirigente sindical acredita que o setor merece novas conquistas. Para ele, os governantes devem avançar em políticas públicas que garantam renda e suporte a categoria.  “Precisamos de um modelo de desenvolvimento sustentável, investimentos maciços em infraestrutura, na recuperação da malha viária, das ferrovias, dos portos, oportunidades de crescimento e investimento nas iniciativas de jovens para a permanência no campo com incentivos como cultura, acesso a internet e educação superior. Não adianta apenas criar políticas de fomento a agricultura familiar, que é de subsistência, ou supervalorizar os índios e penalizar aquele que conseguiu a terra na luta e que enfrenta todas as dificuldades diariamente para manter-se de pé. É necessário olhar pro outro lado da história “, acrescenta.

Motta reforça as ações da Faesp – Federação da Agricultura do Estado e do Senar – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural que acabam exercendo fundamental papel para o setor e cita o Programa Jovem Agricultor do Futuro como exemplo. “Nós produtores rurais estamos cumprindo nossa parte em produzir alimentos; os Sindicatos Rurais, a Federação e o Senar estão exercendo sua função de orientar e defender os interesses da classe rural. Agora precisamos que o Governo e a sociedade brasileira reconheça a importância do agronegócio e valorize o agricultor para continuarmos a contribuir com o desenvolvimento do país”, finaliza.

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