Em Assis, estudantes marcam e divulgam brigas pela internet

Imagens mostram alunas trocando socos e chutes.
Mãe de aluna contou que os confrontos são agendados por rede social.

Meninas trocam socos e chutes na escola
(Foto: reprodução/TV Tem)

A violência dentro e fora de escolas tem sido frequente e ganha cada vez mais espaço na internet. É pela rede de computadores que os adolescentes agendam e divulgam brigas. Casos assim têm ocorrido em Assis. Em algumas imagens, meninas se agridem na saída de uma escola em meio aos colegas que assistem e, muitas vezes, até incentivam.

Nos vídeos gravados por alunos e divulgados na internet, todas as brigas foram registradas na saída da aula, próximo a escolas públicas onde as envolvidas estudam. Revoltada, a mãe de uma estudante enviou as imagens para a redação da TV Tem. Ela disse por telefone que a filha sofre agressões. (Veja o vídeo das brigas)

“Não é a primeira briga. Isso já vem acontecendo. Essas brigas são marcadas pela rede social, é muito revoltante. E tem pais que ficam sabendo. Uma mãe de uma aluna até acompanhou. Se assistir ao vídeo ouve a mãe gritando no fundo: é isso daí, pega o cabelo”. Um absurdo isso”, desabafou a mãe.

Ela cobra uma providência urgente das autoridades. “Acho que o Conselho Tutelar tinha que pegar mais no pé. Em Assis você vê essas crianças de 13, 14, 12 anos, na avenida até 11 horas da noite. Não pode isso. Acho que a gente tem que fazer alguma coisa. E não é resolvendo no braço”, disse.

Na porta de duas escolas da cidade um grupo contou que brigas como as que foram divulgadas na internet são comuns. “Por bobeira sempre acontece. Esse negócio de namorado. A maioria das vezes é isso aí”, disse um aluno.

Outra estudante também confirma o motivo. “Menina quando briga é por causa de moleque. Moleque é porque um xingou o outro”. Uma jovem de 14 anos assumiu que já se envolveu em algumas brigas e, que elas acontecem por acerto de contas entre eles. “Quando eles mexem comigo eu bato. Quando mexe, quando xinga minha mãe, eu bato.”

Dados preocupantes
A violência nas escolas foi tema de uma pesquisa da Apeoesp, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, divulgada em maio deste ano. O levantamento apontou que brigas entre alunos e até ocorrências mais graves estão acontecendo com frequência nas instituições. Para 35% dos professores ouvidos, os pais ou responsáveis devem resolver a questão da violência praticada pelos filhos. Outros 25% acham que a escola também tem papel fundamental e 19% acreditam que o governo do estado tem que tomar medidas mais efetivas.

O Conselho Tutelar também pode ser um colaborador em casos de violência escolar, mas sua atuação depende de denúncia e de registro dos casos pela Delegacia de Defesa da Mulher. “Chamamos os adolescentes envolvidos, assim como os pais, e nós que esse ato que eles praticaram é extremamente errado. Não é dessa forma que se constrói uma sociedade harmoniosa e, sim, respeitando o seu semelhante. Tomamos todas as providências no âmbito do Conselho Tutelar para evitar que isso venha acontecer novamente”, informou o conselheiro, Sérgio Domingos Vieira.

Outro grande aliado no combate a brigas no ambiente estudantil é a Polícia Militar, responsável pela Ronda Escolar. No entanto, o capitão admite que a ajuda é limitada, já que Assis tem apenas uma viatura específica para fiscalizar as escolas nos horários de entrada e saída. E que somente um trabalho conjunto pode dar um basta no problema. “Brigas de escolas é um assunto que é de interesse coletivo. Acredito que apenas um trabalho em rede, em equipe, de parceria, é que poderia solucionar. A polícia, exclusivamente, não seria a melhor forma de solucionar esse problema. Talvez uma participação mais efetiva dos pais, dos conselhos comunitários, o próprio Conselho Tutelar.

Menina é agarrada (Foto: Reprodução TV TEM)

Enquanto isso não acontece, alguns pais preferem se prevenir tendo o cuidado de buscar os filhos. “Minha preocupação maior, pelo fato de ele ter 14 anos, é estar sempre presente, sempre conduzindo, buscando e participando de qualquer assunto relacionados ao convívio dele e social dentro da escola”, contou o pai de um aluno.

A Secretaria Estadual de Educação informou que a violência envolvendo alunos começou a ser enfrentada com a criação do “professor-mediador”, um educador capacitado para criar ações em conjunto com a comunidade para prevenir conflitos.  As escolas de Assis trabalham com nove mediadores, além de estarem integradas ao Sistema de Proteção Escolar, que tem o objetivo de promover a cultura da paz, e à Polícia Militar, por meio da Ronda Escolar.

Sobre as brigas, a Diretoria Regional de Ensino disse que, apesar de elas terem ocorrido fora da escola, todos os envolvidos foram chamados e, que providências cabíveis, tomadas.

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