“Culpa foi de Gusttavo Lima”, afirma advogado paulistano sobre o Assis Country Fest

O dinheiro dos ingressos e camarotes vendidos será devolvido tão logo seja possível. Depois dos transtornos, não há possibilidade de remarcar os shows.

Depois dos transtornos, não há possibilidade de remarcar os shows.

O cancelamento do show de Gusttavo Lima no evento “Assis Country Fest”, que seria realizado na sexta-feira, 20 de dezembro, causou prejuízos imensuráveis aos organizadores, conforme avalia o advogado contratado para defender João Guilherme de Oliveira, 18 anos de idade, que assinou o contrato para a vinda do artista.

Nilton Mendes Camparim tem escritório em São Paulo e está em Assis com o propósito de ingressar ação contra o cantor e a empresa “HGP Promoções e Eventos”, de Ribeirão Preto, responsável em trazer o show à cidade pelo valor de R$ 230 mil. Segundo afirma, e comprova com documentos, chegaram a ser pagos R$ 171.500 até o dia da apresentação e o restante seria pago com a bilheteria, com folga suficiente para pagar os demais artistas, com cachês bem menores. Um empresário de Assis teria se oferecido para quitar a diferença, mas houve recusa de Gusttavo Lima em vir à cidade, conforme afirma um dos organizadores.

O dinheiro dos ingressos e camarotes vendidos será devolvido tão logo seja possível. Depois dos transtornos causados pelo cancelamento, não há possibilidade de remarcar os shows.

O CONTRATO
Segundo informa o advogado paulistano, o contrato foi assinado entre a empresa “HGP” e João Guilherme, que teve colaboração de amigos de Assis para propiciar os três dias de shows, que seria aberto por Gusttavo Lima, seguido por Chitãozinho e Xororó (sábado) e as duplas Maria Cecília e Rodolfo e Guilherme e Santiago (domingo).

Segundo o contrato, o valor total deveria ser pago até o dia 10 de dezembro. Houve, no entanto, através de e-mail enviado pela referida empresa, uma alteração de contrato, concordando as partes que os valores poderiam ser pagos até o dia do show. Os valores, efetivamente, começaram a ser depositados a partir de 13 de novembro, conforme as vendas de ingressos ocorriam, perfazendo a quantia de R$ 171.500 até sexta-feira, 20.

Segundo contam João Guilherme e o advogado, na data da apresentação a equipe de Gusttavo Lima compareceu à cidade, no período da tarde, mas não quis aguardar a apuração da bilheteria. “Mesmo tendo o contratante obtido a colaboração de um empresário local para completar o valor faltante, a equipe não quis aguardar o pagamento e deixou Assis, por volta das 18 horas, sendo que o artista sequer se deslocou à região, como foi divulgado por algumas mídias”, relata Camparim.

O cancelamento, sem a presença do artista na cidade, ocorreu por parte de um empresário dele, às 18 horas do dia 20 de dezembro.

“Mesmo havendo o contrato – assinado no dia 7 de outubro, houve o recebimento de um e-mail, dez dias depois, em que a empresa contratada disse que tudo estava tranquilo e se comprometeu a receber os valores até a data do show, e acompanhar as vendas dos ingressos até o dia. Esse documento se configurou em alteração contratual, sendo certa a responsabilidade da contratada pela devolução dos valores por ela recebido”, explica o advogado.

De posse do e-mail, Camparim foi ao cartório e registrou uma Ata Notarial, que conforme sintetiza é uma declaração registrada por tabelião público e demonstra a existência de um fato que se pretende provar, assumindo o caráter de fé pública.

DEVOLUÇÃO
Como houve altos custos para promover o evento, e pagamento de R$ 171.500 à empresa, não há, ainda, como devolver o dinheiro a quem comprou os ingressos.

“Agora iremos ingressar com uma ação judicial, com pedido de liminar para ressarcimento do que foi pago para efetuar a devolução a quem comprou o convite, e ainda, para custear os prejuízos com palcos, mão de obra e lucros cessantes pela não realização de demais shows”, explica.

Além disso, o advogado pretende ingressar com ação de danos morais, haja vista o descrédito público ao qual foram submetidos os organizadores.

Em relação aos danos causados aos promotores do evento, o advogado estima um prejuízo estimado em R$ 1 milhão. A ação será proposta assim que terminar o recesso forense no dia 7 de janeiro.

OS OUTROS SHOWS
Com o lucro do show de Gusttavo Lima, mais o dinheiro da bilheteria, estacionamento, bar e praça de alimentação, seriam pagas as apresentações seguintes, que acabaram sendo canceladas, num efeito dominó.

Foram gastos em torno de R$ 80 mil com a estrutura montada, tenda e camarotes, fora a parte elétrica, funcionários, praça da alimentação.

“Com essa falta de responsabilidade do artista e da empresa, houve um prejuízo imenso aos organizadores e a quem pretendia ter momentos de lazer e gastou com a compra de ingressos. Tenho a convicção de que meu cliente pagará o que deve, mas para isso precisa receber o que foi pago ao artista que cobrou um cachê de R$ 230 mil para se apresentar em Assis e não compareceu”, conclui.

SILÊNCIO
O jornal Voz da Terra enviou uma mensagem, via e-mail, aos responsáveis pelos show de Gusttavo Lima, solicitando uma resposta sobre a polêmica, o que não ocorreu até o fechamento da edição (27/12/2013). Fica em aberto espaço para manifestações posteriores pela empresa, ou artista.

DOCUMENTOS
As cópias dos documentos da contratação do show e dos comprovantes dos depósitos  bancários efetuados pelos organizadores do evento foram publicados na mesma edição do Jornal Voz da Terra.

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