‘Burocracia é pior que arrecadar dinheiro’, diz mãe de assisense morto

Matheus Marioto, de 23 anos, morreu afogado na Suíça há 18 dias.
Família tenta trazer corpo após arrecadar R$ 27 mil em campanha.

Jovem sumiu após festa have na Suiça (Foto: Reprodução / Internet)

A família de Matheus Henrique Marioto, de 23 anos, que morreu afogado no dia 2 de agosto em um lago de Zurique, na Suíça, ainda tenta resolver as questões burocráticas para trazer o corpo do rapaz ao Brasil. Nesta quarta-feira (20), uma nova declaração da Polícia Federal de São José do Rio Preto (SP) sobre o passaporte do brasileiro foi encaminhada para as autoridades suíças.

Matheus Marioto (Foto: Reprodução/ Internet)

De acordo com a mãe de Matheus, Sandra Luiza Bastos Vidal, a demora no processo para liberação do corpo só tem trazido mais angústia. “A burocracia é muito pior do que correr atrás do dinheiro. Não queria estar recebendo meu filho no caixão. Não culpo ninguém, porque foi uma fatalidade. Mas, a dificuldade para conseguir a liberação é desgastante. Em um mundo com tanta tecnologia, passar por tudo isso é complicado”, desabafou.

A campanha na internet levantou quase R$ 27 mil em três dias. “Foi uma campanha maravilhosa, que a gente nem imaginava. O povo é solidário, quer ajudar. Se não tivesse a campanha não saberia o que fazer. Mas preciso fazer com que meu filho descanse em paz e para dar uma aliviada em todos nós”, completou.

Para obter a autorização para o translado do corpo, que está sob a responsabilidade das autoridades suíças há 12 dias após ser localizado no lago, foram exigidos os seguintes documentos, segundo a assessoria do Itamaraty: certidão de nascimento original e atual (emitida a menos de seis meses); declaração de estado civil e atestado de residência (emitidos pelo cartório da cidade onde Matheus morava ou por declaração pública, assinada por duas pessoas, maiores, que o conheciam); e cópia do passaporte.

A mãe de Matheus informou que apenas a declaração do passaporte ainda não foi aceita. “Eles querem a cópia do passaporte, mas o passaporte deve estar no apartamento dele, na Alemanha. Enviamos nesta quarta-feira (20) para o consulado brasileiro uma nova declaração um pouco mais detalhada emitida pela Polícia Federal. O consulado vai enviar para a Suíça e devemos ter uma resposta até sexta-feira (22)”, enfatizou Luiza.

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Em relação ao dinheiro arrecadado em uma campanha nas redes sociais para custear o translado, a família do brasileiro, que mora em Assis (SP), disse que também passa pela burocracia. Em entrevista ao site G1, Luiza contou o motivo que a fez se deslocar nesta quarta-feira do interior de São Paulo para Londrina, no Paraná.  “A conta para receber o dinheiro da campanha é da minha filha e foi aberta em Londrina. E por isso estivemos na agência para ver o procedimento. Até agora não consegui liberar o dinheiro porque continuamos tendo despesas a cada dia que passa. Além disso, a burocracia mais uma vez atrapalha”, contou a mãe.

Afogamento
Matheus viajou para Suíça para participar de uma das maiores festas de música eletrônica da Europa, a Street Parade, que atrai público de mais de um milhão de pessoas em cada edição. O jovem estava com um grupo de amigos, que contaram que ele não foi mais visto depois de pular no Lago Zurique.

Como Matheus não apareceu no local onde o grupo combinou para pegar o ônibus de volta de para Alemanha, dois amigos dele decidiram ficar em Zurique e procurar a polícia. O jovem foi considerado desaparecido e as buscas começaram no dia seguinte.

A polícia da Suíça localizou no Rio Limmat quase uma semana depois, no dia 8 agosto, um corpo com as características do jovem. A confirmação da identidade de Matheus foi confirmada no dia 11 por meio de um exame de DNA feito com objetos retirados do apartamento de Matheus na Alemanha.

A mãe do jovem contou que os exames toxicológicos apontaram que ele não havia ingerido bebidas alcoólicas e nem feito uso de drogas. Para Luiza ele teve câimbras e acabou se afogando. “O consulado me ligou dizendo que realmente tinha feito o DNA e constava que era o meu filho, foi a primeira notícia que eu recebi. Eles também disseram que tinham feito exames toxicológicos e nada tinha sido encontrado, nem bebida, nem drogas. Ele teve uma câimbra e se afogou.”

Matheus se afogou quando estava na festa em Zurique, na Suíça (Foto: Divulgação/Facebook)

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