Mortes por choque elétrico aumentam em crianças de 0 a 5 anos

Acidentes domésticos ainda são a principal causa. Programa ajuda a identificar pontos de perigo e a adotar medidas preventivas.

Mortes por choque elétrico aumentam em crianças de 0 a 5 anos
Mortes por choque elétrico aumentam em crianças de 0 a 5 anos

Os acidentes com eletricidade vitimaram 32 crianças de 0 a 5 anos em 2015, aumento de mais de 50% em relação ao registrado em 2014, quando foram 20 as fatalidades nessa faixa etária. Os dados, da Abracopel (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), revelam que quatro mortes foram consequência de acidentes fora de casa, com fio partido na rua e contato com poste ou grade metálica. As outras 28 mortes sugerem que o maior perigo para as crianças pequenas está ao alcance das mãos, dentro de casa. Os acidentes domésticos mais comuns são os relacionados ao contato da criança com tomadas sem proteção, fios desencapados, benjamins (Ts) e eletrodomésticos, como ventiladores, geladeiras e máquinas de lavar. O acidente, nesse caso, ocorre pela fuga de corrente desses aparelhos.

Para o engenheiro eletricista consultor do Procobre (Instituto Brasileiro do Cobre), Hilton Moreno, todos os acidentes com eletricidade são evitáveis, especialmente os que envolvem crianças pequenas dentro de casa. “A instalação de um DR – Dispositivo Diferencial Residual – no quadro de eletricidade da residência evitaria o problema.” Segundo o especialista, o dispositivo, cuja obrigatoriedade de uso é prevista em norma, evita que a corrente elétrica cause dano à pessoa que toca a tomada.

“Com a instalação do DR, uma criança pequena que coloca o dedo na tomada ou tenta introduzir algum objeto na saída de energia fica imune ao choque. O DR desliga a energia em 20 milissegundos, evitando que a corrente elétrica se propague”, explica o engenheiro.

Casa Segura
Para conscientizar e orientar moradores sobre os riscos dos acidentes causados por eletricidade, o Procobre criou o Programa Casa Segura. Por meio de um site interativo, é possível fazer uma rápida avaliação das instalações elétricas domésticas e visitar os cômodos de uma casa virtual. Ao navegar no site, o visitante clica nos ícones sofá (que representa a sala), mesa de computador (escritório) e tem acesso a dicas de segurança. O engenheiro eletricista lista as dez principais medidas de segurança, que podem ser encontradas no site:

1) Durante uma tempestade, desligar todos os equipamentos eletroeletrônicos e tirá-los da tomada;

2) Além de instalar o DR e ter o fio terra nas tomadas, utilizar protetores de tomadas evita problemas de choques elétricos;

3) Utilizar o novo padrão de tomada, que a deixa embutida;

4) Antes de trocar as lâmpadas, desligar o disjuntor;

5) Instalar tomadas a uma distância mínima de 60 cm do box ou da banheira;

6) Nunca utilizar chapinhas, secadores ou outros aparelhos elétricos perto da pia, banheira, ou lugares úmidos;

7) Desligar o chuveiro antes de trocar a chave da temperatura. Isso evita choques e também que o chuveiro queime;

8) Se há utilização de muitos benjamins (Ts), o melhor a fazer é instalar novas tomadas em casa, redimensionando a rede, para evitar sobrecarga;

9) Tomadas em áreas externas, como em jardins, por exemplo, podem representar muito perigo. Somente usar tomadas com proteção contra penetração de água.

10) Renovar as instalações elétricas a cada 10 anos.

Incêndios por curto-circuito
Vilão dos incêndios por curto-circuito, os benjamins, popularmente conhecido como “Tê”, ainda têm espaço na maioria das casas, mesmo as que possuem padrão novo de tomada e aterramento. O perigo desses conectores está no fato de causarem sobrecarga, aquecimento dos fios e curtos-circuitos. Dados da Abracopel apontam que os incêndios decorrentes de curto ou sobrecarga subiram de 295 em 2014 para 441 em 2015, um aumento expressivo da ordem de 49,49 %. Os incêndios por curto vitimaram 20 pessoas em 2014 e 33 em 2015.

Além do excesso de equipamentos plugados em uma mesma tomada (uso dos ‘Tês’), contribuíram para o aumento do número de curtos-circuitos a falta de manutenção, as instalações indevidas e a fiação antiga.

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