Direção de cervejaria diz que repudia acusações contra irmãos Schincariol

Operação Valletta prendeu suspeitos de sonegar R$ 2 bilhões.
Polícia Federal de Marília investiga organização que sonega tributos.

Direção da Cervejaria de Assis se manifestou sobre as investigações (Foto: Reprodução / TV TEM)
Direção da Cervejaria de Assis se manifestou sobre as investigações (Foto: Reprodução / TV TEM)

A direção da Cervejaria Malta de Assis (SP), que é investigada pela Polícia Federal por um esquema de sonegação fiscal, informou em nota divulgada nesta sexta-feira (8) que repudia as acusações feitas contra ela e seus sócios. A empresa também afirma que não há organização criminosa atuando na cervejaria que tem como sócios e administradores os irmãos Caetano Schincariol Filho e Fernando Machado Schincariol, presos em maio por crimes contra a Receita Federal.  (veja abaixo nota na íntegra)

Na quinta-feira (7), a Polícia Federal de Marília cumpriu mais uma etapa das investigações sobre o esquema de sonegação fiscal que envolve os irmãos Schincariol. A operação, chamada de Valletta, também teve a participação do Ministério Público Federal e da Receita Federal.

Segundo a investigação, o grupo agia desde 1995 e o prejuízo aos cofres da Receita Federal é de aproximadamente R$ 2 bilhões. “Desse valor, R$ 1,1 bilhão está em execução fiscal e R$ 800 milhões estão em negociação de parcelamento. Mas o fato é que a empresa não tem cumprido com seu papel tributário. O foco desse trabalho é investigar se há uma organização criminosa”, diz o auditor da Receita Federal de Marília, Roger Augusto Siqueira.

Mandados são cumpridos pela Polícia Federal de Marília em Assis e Paraguaçu Paulista (Foto: TV TEM/Reprodução)
Mandados são cumpridos pela Polícia Federal de Marília em Assis e Paraguaçu Paulista (Foto: TV TEM/Reprodução)

O G1 e a TV TEM tentaram contato com a defesa dos envolvidos e também com o advogado dos irmãos Schincariol, mas eles não foram encontrados.  Os irmãos Caetano Schincariol Filho e Fernando Machado Schincariol foram presos em maio e nesta quinta-feira, equipes da PF cumpriram mais quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão envolvendo pessoas ligadas aos irmãos e que, segundo as investigações, mantinham o esquema de sonegação há mais de 20 anos.

“Não se trata de apurar um crime específico contra a ordem tributária, porque crimes específicos já foram cometidos, condenados. Nesse caso há seis condenações em primeira instância, três confirmados em segunda instância. O objetivo dessa operação é tentar que se cessem essas práticas que têm sido reiteradas há mais de 20 anos, é a acabar com a sonegação. Para se ter uma ideia a primeira autuação é de 1995”, explica o procurador do MPF, Diego Fajardo.

Ainda segundo a Polícia Federal, as investigações apontaram que a organização tinha o objetivo de fornecer estrutura patrimonial, empresarial, contábil e bancária, para que empresas “de fachada” continuassem a produzir, vender e sonegar tributos. Os irmãos Schincariol foram presos preventivamente no dia 3 de maio, por crimes tributários cometidos desde 2011. Os irmãos já haviam sido presos em março, pelos mesmos crimes, porém por processos anteriores a 2011. A denominação da operação faz referência ao nome da cervejaria dos irmãos – Valletta é a capital da República de Malta.

Confira a nota da empresa na íntegra:

“A Cervejaria Malta reitera seu compromisso de décadas com a cidade de Assis e região, na criação de inúmeros empregos e desenvolvimento da região. A crise econômica e inúmeros desafios à atividade empresarial que se colocam no país estão sendo administrados pela companhia e seus profissionais, a fim de ultrapassarem os problemas existentes.

Desta forma, a Cervejaria Malta e seus administradores repudiam veementemente as acusações que lhe são imputadas e reitera que não há qualquer organização criminosa ou quadrilha em atuação na empresa. A história da companhia demonstra o seu comprometimento com a sociedade local, e assim continuará.”

MPF, Polícia Federal e Receita Federal participaram da operação (Foto: Reprodução / TV TEM)
MPF, Polícia Federal e Receita Federal participaram
da operação (Foto: Reprodução / TV TEM)

Operação
Durante a ação de quinta-feira foram presas três pessoas na região de Assis e uma em São Paulo. São elas: Roberta Silva Chacon Pereira, que seria advogada do grupo; Edson de Lima Fiúza, que é presidente do Vocem, time de futebol de Assis e seria sócio oculto de uma empresa do grupo; Marcos Oldack Silva, que seria o contador da organização e Mauro Henrique Alves Pereira, que foi preso em São Paulo e também é suspeito de fazer parte do esquema.

Segundo a Polícia Federal esses mandados cumpridos são um braço da investigação que deve ter outros desdobramentos. “O resultado foi 100%. Todos os mandados cumpridos. Esses processos, onde foram expedidos os mandados, tramitam sob sigilo judicial e trata-se de um braço da investigação. Então novos desdobramentos poderão acontecer”, esclarece o delegado da PF, Rogério Hisbek.

Na sequência, as investigações devem revelar, em suas próximas fases, outros integrantes da organização criminosa e descobrir outros crimes de lavagem de dinheiro e estelionato. De acordo com a polícia, foram feitas medidas cautelares de sequestro de bens e valores para ressarcir os prejuízos aos cofres públicos durante a atuação da organização. De acordo com a PF, as penas previstas para o crime, com base na Lei 12850/13, podem chegar a 8 anos de prisão, mais multas, somadas ainda às penas dos crimes contra a ordem tributária.

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