Polícia Civil ouvirá motoristas multados no período de abril a junho de 2017 em Assis

Inquérito policial deve continuar por pelo menos mais 30 dias. Chefe do Departamento de Trânsito da cidade continua afastado.

No dia 25 de junho deste ano, o Ministério Público (MP) de Assis (SP) instaurou um inquérito policial para apurar possíveis irregularidades praticadas pelo Departamento Municipal de Trânsito de Assis (DMTA) e por um despachante da cidade.

Um pouco mais de 1 mês após o início das investigações, por solicitação do delegado Marcel Ito Okuma, da Central de Polícia Judiciária, o inquérito deve ser prorrogado por pelo menos mais 30 dias.

Novo prazo esse que deverá ser utilizado para a polícia ouvir depoimentos de alguns dos motoristas que foram multados pelo DMTA no período de abril a junho de 2017, que ficou conhecido como a “Fábrica de Multas de Assis”.

“Vamos ouvir alguns motoristas nos próximos dias para saber se houve exagero dos agentes de trânsito, e por isso, aqueles que acreditam não ter cometido infração de trânsito e tenham alguma prova podem nos procurar, contudo, deixamos claro que a polícia não vai cancelar nenhuma multa” explica o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, aquele que foi multado corretamente por um agente e procurar a polícia alegando que não cometeu a infração poderá ser processado. “Enfatizo ainda que aqueles que comparecerem na delegacia e for comprovado, documentalmente, que cometerem a infração, poderão ser processados judicialmente”, alerta.

Apreensão

No dia 25 de junho, a Polícia cumpriu mandados de apreensão no DMTA e também na casa de suspeitos.

Dentre os objetos apreendidos na ação, que investiga irregularidades na aplicação de multas de trânsito na cidade, estão documentos, computadores e R$ 5 mil em dinheiro.

A operação foi deflagrada após várias reclamações que começaram a chegar no ano passado, de cidadãos que dizem ter recebido multas em excesso e até autuações de infrações que não teriam cometido.

O dinheiro apreendido, segundo a polícia, foi encontrado na gaveta do chefe do departamento. Ainda conforme a polícia, ele teria dito que o valor seria de um empréstimo pessoal.

Chefe do Departamento de Trânsito de Assis (SP) alegou que dinheiro encontrado era um empréstimo pessoal (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Afastamento

O diretor do departamento de trânsito da prefeitura de Assis (SP) foi afastado e a Câmara de Vereadores abriu uma CPI para avaliar as possíveis responsabilidades nas denúncias de irregularidades na aplicação de multas na cidade.

O caso é investigado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público que cumpriram na terça-feira (26) seis mandados de busca e apreensão no departamento. A operação conjunta recolheu computadores, documentos além de R$ 5 mil que estavam na gaveta do diretor do departamento.

A denúncia ao MP foi feita por uma ex-assessora de gabinete que trabalhou por um ano no departamento de trânsito. Ela definiu o setor como uma “fábrica de multas”.

Vereadores

Durante a sessão da Câmara de Assis (SP), realizada na segunda-feira, 2 de julho, a ex-funcionária pública que denunciou a suposta “Fábrica de Multas” prestou depoimento sobre o caso e deu detalhes de como o esquema funcionava.

Ex-funcionária, Alessandra da Silva, foi ouvida durante uma sessão na Câmara de Assis (Foto: Reprodução/TV TEM)

Segundo Alessandra da Silva, os vereadores da cidade faziam reuniões com o ex-diretor do Departamento de Trânsito, Leonardo de Godoy, e pediam para que multas fossem anuladas.

A ex-funcionária denunciou ao Ministério Público e à Polícia Civil que agentes de trânsito recebiam comissão de R$1,73 por multa aplicada, e que isso teria sido a causa do crescimento acentuado do número de infrações aplicadas na cidade.

Ainda no depoimento, Alessandra disse que havia favorecimento pra que fossem atendidos recursos de multas de apenas um despachante.

Em uma operação realizada pela Polícia Civil, juntamente com o Ministério Público no dia 25 de junho, após a denúncia, foram apreendidos documentos, computadores e R$ 5 mil em dinheiro encontrados na gaveta do chefe do departamento de trânsito.

Enquanto as investigações estão em andamento, a Prefeitura de Assis optou por afastar o chefe do Departamento de Trânsito da cidade, e quem assumiu o cargo interinamente foi o secretário municipal de Obras, Clóvis Marcelino da Silva.

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