Giovana Mendes, de 4 anos, teve uma parada cardiorrespiratória e não resistiu — Foto: Arquivo Pessoal

A coordenação da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Ourinhos (SP), que fez o primeiro atendimento da menina de 4 anos que morreu após ser picada por um escorpião na segunda-feira (22), afirma que a Santa Casa negou o pedido de vaga feito pela unidade após o estado de saúde da criança piorar.

Ainda segundo a coordenação da UPA, somente depois de 4 horas Giovana Mendes foi transferida e recebeu o soro antiescorpiônico no hospital, mas acabou não resistindo após sofrer pelo menos três paradas respiratórias.

A direção do hospital informou que tratou o caso como prioridade e negou que não tivesse vaga para atender a menina.

O Samu declarou que, assim que uma viatura foi acionada pela família, por volta das 7h20, “imediatamente deixou a criança e sua mãe na UPA por volta das 7h45, portanto em tempo protocolar exigido”.

Ainda segundo o Samu, um novo contato foi feito, desta vez pela UPA, às 10h45. Ao entrar em contato com a Santa Casa, local de destino da transferência, foi pedido que aguardasse a confirmação da vaga.

“Após novo contato da UPA, indicando a necessidade de transferência através de ‘vaga zero’, ou seja, emergencial, deslocamos imediatamente a viatura que efetuou a transferência às 11h15 da UPA para Santa Casa de Misericórdia de Ourinhos.”

O Samu informou ainda que “apenas as transferências solicitadas, e não tem a premissa de gerenciar vagas em qualquer unidade hospitalar, ou determinar a necessidade ou não da transferência… não houve qualquer infração ou descumprimento de normas por parte do Samu que pudesse ensejar qualquer tipo de penalização, no presente caso”.

A picada

Giovana foi picada quando colocava uma blusa antes de ir para a escola. De acordo com familiares, a menina pediu para que a mãe colocasse uma blusa de frio nela. Ao vestir, Giovana começou a gritar de dor e a mãe viu o escorpião.

Quando tentou tirar o aracnídeo, a mãe também acabou sendo picada. As duas foram socorridas para a Unidade de Pronto Atendimento. A mãe foi atendida e liberada em seguida.

Segundo a coordenação de enfermagem da UPA, Giovana deu entrada no local por volta das 8h de segunda-feira. Na unidade ela foi medicada e levada para observação para a sala de emergência. Por volta das 8h10 ocorreu uma piora no quadro de saúde e a UPA acionou uma vaga na Santa Casa, que teria sido negada.

A UPA então acionou o Samu para transferir a criança sob condição de vaga zero. Quando o Samu chegou, a criança estava em estado grave, com hipertensão e dificuldade em respirar, informou a unidade de pronto-atendimento.

Ao chegar à Santa Casa a criança recebeu soro antiescorpiônico, apresentou melhora, mas na sequência voltou a passar mal, foi transferida para a UTI infantil.

A menina morreu por volta das 21h15. O corpo foi enterrado na tarde desta terça-feira (23), no Cemitério da Saudade.

Segundo o médico dermatologista especializado em acidentes com animais peçonhentos, Vidal Haddad Júnior , o tempo de socorro é essencial para evitar o pior.

“A grande medida contra a picada de animal peçonhento é o tempo de atendimento, quanto mais cedo, menos complicações a pessoa vai ter. Especialmente no caso de crianças e idosos. As pessoas precisam saber que a maioria das picadas de escopião podem ser controladas com anestésico, não precisa nem de soro, mas existe uma porcentagem mais grave, depende também da espécie do escorpião e nesses casos é fundamental que haja o soro e atendimento rápido.”

De acordo com o Ministério da Saúde, a grande maioria dos acidentes com escorpiões registrados no país é leve em adultos. Os adultos apresentam dor imediata, vermelhidão e inchaço leve por acúmulo de líquido e suor. Já em idosos e crianças abaixo de 7 anos o risco é maior com alterações sistêmicas nas picadas por escorpião-amarelo, que podem levar a casos graves e requerem soroterapia específica em tempo adequado.

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