Padrasto suspeito de matar bebê de 6 meses é condenado a 2 anos de prisão em regime aberto

Júri foi realizado no Fórum de Bauru (SP); Bruno Miziara de Abreu foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Bebê morreu asfixiado em 2018, quando estava sob cuidados do réu.

O padrasto acusado de matar um bebê de 6 meses em Bauru (SP) foi condenado a dois anos de prisão em regime aberto, durante júri popular realizado na quinta-feira (28), no Fórum da cidade.

O júri começou às 9h30 e a juíza ouviu as testemunhas de acusação, de defesa e o réu, Bruno Miziara Abreu, de 27 anos. Depois de 14 horas de julgamento, o resultado da condenação foi divulgado.

Bruno Miziara Abreu foi ouvido na quinta-feira (28) no Fórum de Bauru — Foto: Giuliano Tamura/TV TEM
Bruno Miziara Abreu foi ouvido na quinta-feira (28) no Fórum de Bauru — Foto: Giuliano Tamura/TV TEM

Bruno foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Como já cumpriu um ano e sete meses de prisão, o réu tem apenas mais cinco meses de pena. O alvará de soltura foi emitido logo após a leitura da sentença e o réu pode voltar para casa.

Além disso, a Justiça determinou a abertura de um inquérito contra Marcela Oliveira Grecchi, mãe de Orlando, também pelo crime de homicídio culposo. A família dela protestou contra a decisão do júri e a promotoria disse que vai recorrer.

Julgamento

Bruno foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar — Foto: Reprodução/TV TEM
Bruno foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar — Foto: Reprodução/TV TEM

Durante o julgamento, Bruno disse à juíza, ao promotor e aos jurados que tinha uma boa relação com a criança e que a tratava como um filho. No entanto, a versão foi contestada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.

A promotoria defende a tese de que Bruno Miziara cometeu homicídio triplamente qualificado. Para chegar a essa conclusão, o Ministério Público se baseou em laudos do IML e em outras provas acrescentadas aos autos.

O representante do MP alegou que seria difícil aceitar a teoria de que a criança teria se enrolado sozinha nos cobertores e morrido asfixiada.

Durante a defesa da tese, os parentes e a mãe de Orlando se emocionaram várias vezes. Já a defesa alegou aos jurados que não havia como provar que Bruno seria o autor do crime.

“Todo o processo foi desenvolvido com base no laudo pericial, no qual constava morte violenta, e a morte violenta foi interpretada como homicídio. Então, o que nós tentamos mostrar para os jurados e que foi efetivamente votado foi que morte violenta poderia ser um acidente se não tivesse outros indícios”, explicou o advogado de defesa, Thiago Tezane.

Parentes do réu comemoraram a decisão da júri em Bauru — Foto: Reprodução/TV TEM
Parentes do réu comemoraram a decisão da júri em Bauru — Foto: Reprodução/TV TEM

Enquanto os parentes de Bruno comemoraram o resultado, a família de Orlando ficou revoltada e o promotor disse que vai recorrer da decisão.

“Vou, por conta da gravidade do crime, da complexidade, do resultado, do dano praticado, eu acredito que o recurso deve ser feito com todo respeito à decisão do júri, mas o recurso também é um direito das partes”, informou o promotor Alex Gomes.

Entenda o caso

Orlando, de 6 meses, morreu em março de 2018 em Bauru — Foto: Arquivo pessoal
Orlando, de 6 meses, morreu em março de 2018 em Bauru — Foto: Arquivo pessoal

O caso aconteceu no dia 7 de março de 2018 em um apartamento no Parque Vista Alegre, em Bauru. Bruno era namorado da mãe de Orlando e tomava conta do enteado enquanto Marcela estava trabalhando.

O suspeito relatou à polícia que o bebê estava dormindo na cama do casal quando se enrolou em uma coberta. Ele disse que, quando percebeu, Orlando já não estava mais respirando.

A mãe do bebê contestou a visão do namorado e contou que ele apresentou sinais de agressividade momentos antes do menino morrer.

Bruno estava preso preventivamente desde abril do ano passado. Na época, ele foi indiciado por homicídio duplamente qualificado, por asfixia e por impossibilidade de resistência da vítima.

A mãe também contou que encontrou travesseiros amassados e cobertas diferentes das que havia deixado no quarto antes de sair para trabalhar.

“Ele já engatinhava, ele já gritava. Quando uma criança como ele se enrola na coberta, ele grita, ele chora e nada disso teria acontecido”, disse Marcela.
A prisão temporária de 30 dias para Bruno foi pedida pela delegada Priscila Bianchini, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), responsável pelo caso. Ela confirmou que o laudo necroscópico apontou morte por asfixia mecânica, ou seja, quando há causa externa.

Durante a reconstituição do caso, a delegada concluiu que foi um caso de homicídio qualificado.

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