Funcionários da saúde de Paraguaçu Paulista são ouvidos em inquérito

MP investiga suposta fraude em folhas de ponto.
Prefeitura terá que instalar equipamento eletrônico nas unidades.

Vereadores aprovaram comissão especial de inquérito (Foto: Reprodução/TV TEM)

Funcionários do departamento de saúde da prefeitura de Paraguaçu Paulista (SP), envolvidos em um suposto esquema que fraudava as folhas de ponto de entrada e saída no trabalho, começaram a ser ouvidos pela polícia. No inquérito os servidores alegam que recebiam ordem de superiores para adulterar o registro.

Cerca de 30 trabalhadores já foram ouvidos pelo delegado que investiga o caso. No total, 75 servidores de quatro unidades de saúde são suspeitos de ter fraudado folhas de ponto com anotação de horários de entrada e saída.

O inquérito foi aberto a pedido do Ministério Público (MP) que apreendeu durante fiscalização, em 14 de março deste ano, os livros pontos. Para surpresa, eles já estavam preenchidos até o dia 19 do mesmo mês.

O escândalo chegou à câmara dos vereadores, que esta semana abriu uma comissão especial de inquérito (CEI). Durante a sessão, os funcionários investigados disseram que eram obrigados por chefes do departamento a cometer as irregularidades. “Se a gente não assinasse, a gente não recebia nosso salário. Todo mês, desde quando entrei na prefeitura há cinco anos, sempre foi assim”, afirma a funcionária pública Juliana Bueno.

Funcionários assinaram ponto antes de ter trabalhado
(Foto: Reprodução / TV TEM)

O delegado responsável pelo inquérito policial, Dorivaldo Machado de Lima, pretende encerrar a investigação em 60 dias. Ele afirmou que nenhum dos funcionários que prestaram depoimento relataram coação.

“Todos depoimentos é que eles tinham uma ordem que as folhas de ponto tinham que estar assinada até o dia 20. Pode ser que alguns tenham entendido como coação, mas isso será apurado”.

O sindicato dos servidores municipais de Paraguaçu Paulista acompanha o caso. O presidente, Plínio Fernandes, afirma que uma advogada irá defender os trabalhadores. “Entendemos que o servidor apenas cumpriu ordem superior”, explica.

Além da investigação policial, o MP exige que pontos eletrônicos sejam instalados imediatamente em todas a unidades de saúde de cidade. A promotoria também investiga se houve improbidade administrativa por parte da prefeitura.

O prefeito Ediney Queiroz recebeu a equipe de reportagem, mas não quis se manifestar. Ele apenas informou que o processo licitatório para compras do ponto eletrônico já terminou.  A prefeitura agora aguarda o término do prazo que as outras empresas que entraram no processo têm para entrar na Justiça e tentar anular a licitação.

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