Sem salários, trabalhadores de obra da CDHU protestam em Maracaí

Eles também reclamam das péssimas condições do alojamento.
Moradores dividem espaço com animais e dormem em camas improvisadas.

Trabalhadores interditaram a entrada para obra em Maracaí (Foto: Reprodução / TV TEM)

Trabalhadores vindos do Nordeste para a construção de casas populares financiadas pela CDHU, em Maracaí, fizeram um protesto nesta quinta-feira (22). Eles cobram o pagamento dos salários e denunciam as péssimas condições do canteiro de obras. No alojamento, o desrespeito é ainda maior.

Os nove trabalhadores vieram de Santa Helena (MA). Eles esperavam ganhar a vida e enviar dinheiro para a família, mas estão sem receber o salário. Os operários são contratados por uma empresa terceirizada e trabalham na construção de 30 casas financiadas pela companhia estadual de habitação.

A construtora vencedora da licitação é de Votuporanga, no noroeste do estado. A dívida com os trabalhadores chega a R$ 29 mil. Sem receber os salários, eles pararam as atividades e fecharam esta rua do canteiro de obras. Um carrinho de construção foi colocado sobre a fogueira em forma de protesto. “A data de pagamento é dia 10 e hoje já é dia 22 e nada de pagamento para a gente. Eles queriam pagar só metade, mas isso é um prejuízo enorme. A gente tem família lá que dependem da gente”, afirma o operário Raimundo Miguel Pereira Martins.

Camas foram improvisadas pelos trabalhadores
(Foto: Reprodução / TV TEM)

A falta de pagamento não é a única irregularidade. Os trabalhadores também reclamam das más condições no canteiro de obras. Os banheiros estão sujos e nem o papel higiênico é retirado. No refeitório, o único bebedouro está tomado pela ferrugem. Na casa que serve de alojamento para os trabalhadores vindos do Maranhão as condições de moradia também são impróprias.

O que foi oferecido aos trabalhadores foram colchões de segunda mão, alguns em mau estado de conservação, e as camas foram feitas pelos próprios trabalhadores, com uso de pedaços de pau e pregos. “Essas tarimbas (camas) a gente improvisou, foi lá na empresa pegou as madeiras e os pregos e nós mesmo fizemos”, explica o operário Fontenelle Pereira.

O único banheiro da casa tem mofo nas paredes. E ao invés de chuveiro elétrico, um cano com água friaJá no quintal da casa, galinhas e bodes dividem espaço com os moradores. Os animais são da dona do imovel.

Durante à tarde, um funcionário da empresa vencedora da licitação esteve no canteiro de obras, mas não quis falar sobre as irregularidades. Ele informou apenas que a construtora de Votuporanga iria pagar hoje, o salário atrasado.

A produção do TEM Notícias conversou, por telefone, com um dos operários. Ele disse que os trabalhadores receberam o salário e que quatro deles tiveram as passagens de ônibus pagas pela construtora e voltaram para o Maranhão. Os demais permanecem na região em busca de trabalho.

No quintal, moradores dividem espaço com animais (Foto: Reprodução / TV TEM)

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