Filhotes de macacos em extinção nascem no zoológico de Bauru

As duas espécies de macacos são brasileiras e consideradas raras.
Pais são casais que não poderiam voltar à natureza.

Filhote da espécie bugio com a mãe (Foto: Divulgação / Zoológico de Bauru)

Os funcionários do zoológico de Bauru (SP) comemoram o nascimento de dois filhotes de macacos raros brasileiros. Eles são de duas espécies em extinção. Um é o bugio de mãos ruivas e o outro é da espécie sauim de coleira. Os dois são filhos de casais que não poderiam voltar à natureza.

O filhote de macaco bugio de mãos ruivas (allouata belzebul – nome científico) é filho de um casal jovem que chegou no zoológico em março de 2013, depois de um resgate de fauna realizado na Amazônia. Eles foram resgatados onde estava sendo realizado um desmatamento para instalação da linha de transmissão de energia elétrica Tucuruí/Xingu/Jurupari.

Segundo Luiz Pires, diretor do zoo, os dois eram filhotes que haviam se perdido do grupo familiar e se não fossem resgatados iriam morrer. “Por se tratar de mais uma espécie em extinção, a sua reprodução, que pela primeira vez ocorre em um zoo do Brasil, é de extrema importância para que possamos manter uma colônia em cativeiro”, afirma Luiz Pires.

O outro filhote é da espécie sauim de coleira (saguinus bicolor), uma das mais ameaçadas espécies de saguis do Brasil, que atualmente vive em algumas poucas áreas de mata que sobraram ao redor da cidade de Manaus (AM).

O zoológico de Bauru trabalha junto ao plano nacional de conservação da espécie, mantendo uma colônia reprodutiva. “Este é o segundo filhote que nasce em nosso grupo nos últimos dois anos. É uma esperança para uma espécie tão ameaçada em seu ambiente natural”, conta Luiz Pires.

Entre os zoológicos do país, somente Bauru tem conseguido a reprodução deste primata com frequência no Brasil, o que torna o zoo um centro de referência para a espécie. Novos indivíduos apreendidos no comércio ilegal na Amazônia, devem chegar em Bauru.

Luiz Pires destaca que nos dois casos, os pais são animais que não poderiam retornar à natureza. “No zoológico, eles acabam formando grupos reprodutores que seus descendentes serão fundamentais para a conservação dessas espécies”, conclui o diretor do zoológico.

Macaco sauim nasceu no zoológico de Bauru (Foto: Divulgação / Zoológico de Bauru)

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