Zagueiro Índio: volta às origens na região de Assis (Foto: Reprodução / TV TEM)
Zagueiro Índio: volta às origens na região de Assis (Foto: Reprodução / TV TEM)

A história do zagueiro Índio, ídolo da torcida do Internacional e campeão do mundo em 2006, começa bem longe do Rio Grande do Sul: em Maracaí (SP), uma cidade com 13,5 mil habitantes na região de Assis, interior de São Paulo. Agora, aos 39 anos de idade, e depois de 391 jogos com a camisa do Inter, o colorado está de volta à região: ele encerrou a carreira e está trocando Porto Alegre pela nova casa, em Assis, apesar de também admitir ficar em Porto Alegre para apoiar o filho de 14 anos que joga nas categorias de base do Inter.

– Tudo na vida existe início, meio e o fim. É lógico que eu estou muito feliz, porque eu parei num clube de uma grandiosidade que é o Internacional. Me vejo encerrando a carreira feliz, alegre, porque eu estou com sentimento de dever cumprido – analisa.

O zagueiro, que por muito tempo não deu sossego para os atacantes, agora vai ter a marcação cerrada da esposa Lilian.

– Ele em casa vai ter uma rotina diferente. Falei que eu vou colocar ele em concentração algumas vezes. Quando eu estou trabalhando, ele é quem vai assumir a casa – brinca.

A sala de sua nova casa exibe homenagens, troféus e medalhas: espaço reservado para as as lembranças do jogador que ficou conhecido como campeão de tudo. Sete títulos gaúchos, duas Recopas Sul-Americanas, duas Libertadores e o mais importante de todos, o título de campeão do mundo em 2006. O ano em que o Inter superou o Barcelona de Deco, Eto’o e Ronaldinho Gaúcho.

– Foi um dia muito especial, marcante na minha vida. Por tudo que envolvia, a gente jogar contra o Barcelona, melhor time do mundo, foi maravilhoso. Foi uma festa para a gente chegar a Porto Alegre e ver aquela alegria de todos os torcedores esperando. O Mundial, com certeza, é inesquecível, não só na minha vida, como para toda a nação colorada – relembra.

Vida de matuto
O futebol profissional, agora, está só nas lembranças e nos DVDs. Mas, no telão da sala, ele prefere mesmo curtir os shows da dupla sertaneja que mais gosta: Milionário e José Rico. Índio, agora, reaprende a viver no interior.

– Essas coisas eu aprendi na infância com meu pai, nessas cidades da região, uma terra mais de sertanejos, de pessoas que gostam de pescar. Eu tenho muito esse hábito. Quando chego aqui, quero pescar, ouvir moda de viola com os meus amigos e toda a família – conta.

Em Maracaí, onde nasceu, o ex-jogador é ídolo. É o local escolhido por ele para curtir a pescaria com os amigos de infância.

– Ele chega aqui e bate todos nós. Mas ele fica umas 20 horas aqui para conseguir pegar os peixes. Índio sabe tudo. Para quem começou lá atrás, cortando cana, apanhando algodão, vendendo pastel, pescar é fácil – diverte-se o amigo José Roberto de Souza.

E como todo pescador, Índio tem a fama de contar história.

– A maioria das vezes ele conta demais. Ele é bom no peixe, mas frito. No peixe frito ele é ótimo – entrega o companheiro de pescaria Júlio Messias.

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