Para governo, controle sobre preparativos da Copa-2014 é “frágil”

A auditoria foi concluída em setembro de 2012.

Um documento do próprio governo federal afirma que é ineficiente e “frágil” o acompanhamento pelo Ministério do Esporte dos preparativos para a Copa-2014.

Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Folha obteve resultado de auditoria inédita da CGU (Controladoria- -Geral da União) nos três grandes contratos da pasta para monitorar as ações do Mundial do Brasil. No total, eles somam R$ 61 milhões.

Nas 94 páginas do relatório, a CGU aponta que, após três anos da assinatura do primeiro contrato, “ainda não se tem um sistema eficiente e operacional para o acompanhamento das ações da Copa do Mundo 2014, sob responsabilidade do Ministério do Esporte”.

Vista aérea das obras do estádio do Maracanã (Foto: Ricardo Moraes /Reuters)

A auditoria foi concluída em setembro de 2012. A pasta é a coordenadora do Comitê Gestor da Copa, formado por 25 ministérios e secretarias e pela Presidência da República. Toda ação vinculada à competição passa por esse comitê. O Esporte contratou as consultorias para ajudar na tarefa.

Foram auditados os contratos do Consórcio Copa 2014 (formado por três empresas), de R$ 48 milhões; da Fundação Getúlio Vargas, de R$ 10 milhões; e o da empresa Calandra Soluções, de R$ 3 milhões.

Para os auditores, “falta operacionalidade” ao sistema de acompanhamento das obras, o que “acarreta em fragilidade dos controles do Ministério do Esporte na condução, no gerenciamento e no monitoramento das ações”.

A CGU afirma ainda que, em alguns casos, o sistema de monitoramento tinha informações com mais de um ano de defasagem.

“Conclui-se, portanto, que não vêm sendo inseridas no sistema as informações pertinentes, pelos órgãos e entidades responsáveis, e que não foram tomadas as providências necessárias”.

OMISSÃO

Um dos exemplos da “fragilidade” no monitoramento da Copa está nos próprios contratos de fiscalização. O Ministério do Esporte pagou pelos mesmos serviços em três contratos diferentes, segundo a auditoria, que chega a falar que o órgão foi “omisso” nessa questão.

A FGV, segundo avaliação da controladoria, foi contratada para fazer o que era atribuição do Consórcio Copa, “dando um prejuízo de R$ 10 milhões ao erário”. Os auditores compararam os textos dos contratos para mostrar o que eles chamaram de “sobreposições”.

A auditoria afirma que os três contratos tinham tarefas iguais em sua execução, muitas delas simplesmente genéricas, como “monitorar” e “gerenciar” ações da Copa. A conclusão aponta falta de critérios objetivos e técnicos para essas contratações.

A CGU fala ainda de serviços ineficientes e outros não realizados ou não previstos, mas que foram pagos

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