São Paulo vence, mas torcida chama Ney Franco de “burro” e crise se mantém

Agora, o São Paulo se recolhe em sua crise e volta a jogar apenas na próxima quarta, fora de casa, contra o São Bernardo.

L. Fabiano comemora após marcar; apesar do gol, atacante foi mal e não ajudou a afastar a crise (Foto: Uol)

O São Paulo venceu o Oeste, mas os três pontos não foram suficientes para que o clube afastasse a crise que o assombra nos últimos dias. Diante de um estádio vazio, a equipe tricolor teve dificuldades e venceu por 3 a 2, mas o nervosismo de Ney Franco e Luis Fabiano e os protestos da torcida, que chegou a chamar o técnico de “burro”, deram o tom neste domingo frio no Morumbi.

Apesar disso, o torcedor são-paulino pode comemorar o retorno à liderança do Campeonato Paulista. Agora, o São Paulo tem 26 pontos, contra 24 do vice-líder Santos. O Oeste, por sua vez, tem 14 e segue no meio da tabela, ainda ameaçado pelo rebaixamento.

Só que a vitória não conseguiu apagar a impressão ruim deixada na última quinta-feira, quando o São Paulo perdeu por 2 a 1 para o Arsenal de Sarandí e se complicou na Copa Libertadores. A irritação de Lúcio e a pressão dos dirigentes colocaram Ney Franco na berlinda, e neste domingo ele não demorou a mostrar sua irritação.

Antes do jogo começar, ele foi questionado pelo repórteres sobre a manutenção de Ganso no banco de reservas. Normalmente calmo, o técnico são-paulino se incomodou com a pergunta e respondeu, de forma mais ríspida, que optou por manter o camisa 8 no banco. No intervalo, foi a vez de Luis Fabiano responder bravo ao ouvir sobre sua escassez de gols, já que até então não havia feito o seu.

O nervosismo do técnico e do principal jogador de linha do time é, de certa forma, um reflexo da arquibancada. Em um domingo chuvoso e muito frio, pouco menos de oito mil pessoas compareceram ao Morumbi. Mesmo assim, os “corajosos” que o fizeram protestaram.

Antes do jogo, faixas estendidas fora do estádio cobravam a ausência de um esquema tático, a fragilidade dos laterais são-paulino e pedia raça ao time. Dentro do Morumbi, mesmo que forma tímida, a torcida também protestou. Logo depois do segundo gol, por exemplo, foi possível ouvir o público dizendo que a “Libertadores, virou obrigação”, canto que só aumentou ao longo do segundo tempo.

Em campo, o São Paulo deu motivos pra tanta pressão. No primeiro tempo, o time tricolor começou melhor e levou perigo ao goleiro do Oeste seguidas vezes. Quem decidiu, porém, foram os zagueiros. Aos 18 minutos, Edson Silva completou para o gol após um cruzamento rasteiro, mas mal comemorou. O substituto de Lúcio, suspenso pelo vermelho que sofreu na semana passada, achou que estava impedido, e quando percebeu que o lance foi validado, só ergueu as mãos para o alto, de forma tímida.

Toloi daria tranquilidade à torcida aos 31 minutos. Depois de uma cobrança de falta, ele desviou de cabeça e fez 2 a 0. Foi a consequência do trabalho bem feito pelo São Paulo, comandado por Jadson, que distribuiu bem o jogo com Wallyson de um lado e Ademílson de outro. Quem destoou foi Luis Fabiano, que foi pouco acionado e pareceu acomodado entre os marcadores rivais.

Só que o bom momento do São Paulo durou pouco. Aos 46 minutos da etapa inicial, Ligger apareceu livre dentro da área tricolor e, de cabeça, diminuiu para o Oeste. Foi o suficiente para desestabilizar os donos da casa.

O São Paulo voltou para o segundo tempo em marcha lenta e viu o Oeste criar seguidas chances, especialmente com chutes de longe. Quem abafou o projeto de reação foi Luis Fabiano. Depois de perder uma chance clara, o camisa 9 se redimiu aos 24 minutos quando recebeu de Douglas, ganhou da zaga e bateu de esquerda para fazer 3 a 1.

Fim da pressão? Nada disso. Ney Franco, que já havia colocado Douglas e Aloísio em campo, a esta altura, gastou sua terceira substituição com Cañete, que entrou na vaga de Jadson. O público se irritou, pediu por Ganso e chegou a chamar o treinador de “burro” por deixar o camisa 8 fora da partida.

A despeito da pressão, o São Paulo seguiria dominando a partida, exigindo ocasionais boas defesas do goleiro Jailson. Tudo seguiria calmo até o apito final não fosse um erro de Rogério Ceni. Aos 31 minutos, ele repôs mal a bola e entregou no pé do ataque rival. Serginho foi até a linha de fundo sem grandes dificuldades, cruzou para trás e Wanderson bateu para diminuir.

Daí em diante, foram praticamente 15 minutos de pressão do Oeste. O time interiorano se assanhou de vez no ataque, assustou pelo alto e por pouco não empatou a partida. Tudo isso só serviu de estímulo para o público afiar ainda mais a garganta, ecoando pelo estádio o grito de “burro” para Ney Franco.

Agora, o São Paulo se recolhe em sua crise e volta a jogar apenas na próxima quarta, fora de casa, contra o São Bernardo. O Oeste, por sua vez, recebe o Bragantino em Itápolis.

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