Técnico de Pezão explica a estratégia usada para vencer Overeem

Roan Jucão revela preocupação em desgastar o holandês e decidir a luta apenas no terceiro round, aproveitando o cansaço dos dois rounds anteriores

A vitória de Antônio Pezão para vencer Alistair Overeem no UFC 156 foi baseada em uma estratégia pensada e estudada especificamente para o duelo contra o holandês. Quem garante é o técnico do brasileiro, Roan Jucão, que revelou, em entrevista ao proggrama “Mundo da luta”, da rádio Beat 98 FM, como o gigante brasileiro foi preparado para um dos combates mais importantes de sua carreira. Para Jucão, a baixa resistência aeróbica de Overeem era o caminho a ser seguido.

Antônio Pezão golpeia Alistair Overeem em sua vitória por nocaute no UFC 156 (Foto: Getty Images)

– A gente já conhecia o Overeem de longa data. Ele já lutou com Minotouro, Arona, e em muitas lutas ele caiu de produção no terceiro round. A estratégia era deixar ele à vontade, deixando os golpes entrarem, nos preocupando mais com a defesa no chão e em pé. Tínhamos que deixar ele se desgastar o máximo possível, e no terceiro round liquidar a luta. Lógico que a gente não queria que os dois primeiros rounds fossem daquela maneira. Aquela queda no segundo round surpreendeu um pouco, mas na trocação a gente estava confiante. O Katel Kubis, nosso treinador de muay thai, estava confiante, fez um excelente trabalho. No córner, do segundo pro terceiro round, a gente sabia que ele estava cansado e era hora de decidir a luta.

O lado psicológico de Pezão também foi muito trabalhado para aproveitar o desgaste do holandês e ter paciência para atacar de forma decisiva no momento certo.

– Psicologicamente o Pezão estava numa forma excelente, ele já vinha treinando na academia. Colocamos cinco sparrings diferentes, contamos com a ajuda do Vitor Miranda, Pedro Rizzo também ajudou muito na preparação. Colocamos isso na cabeça dele, trabalhamos muito o psicológico. Todas as vezes em que o Overeem perdeu foi dessa maneira, com o Liddel, Minotouro, Shogun, e colocamos na cabeça do Pezão que com ele não ia ser diferente.

Antonio Pezão mostrou tranquilidade na coletiva após
o UFC 156 (Foto: Adriano Albuquerque/ SporTV.com)

Perguntado se Overeem haveria “amarelado” para o brasileiro quando este em situação adversa no combate, Jucão preferiu dar crédito à confiança de Pezão na estratégia traçada para a luta.

– Não senti que ele amarelou, não. Ele tem vindo de uma sequência muito boa, mas a nossa estratégia funcionou. Na hora em que ele caiu por cima, o Pezão estava com o psicológico tão bom que ele falou: ‘Não, não! Bate como homem, rapaz!’ Ele batia, mas o Pezão sentiu a respiração ofegante do Overeem, ele sentia que a resistência do Overeem tava indo por água abaixo. Se o Pezão não tivesse mantido a calma e não estivesse com o psicológico em dia, talvez o resultado tivesse sido diferente.

Para o treinador, a vitória sobre Overeem deixa Pezão mais conhecido pelos fãs do MMA.

– As pessoas subestimam muito o Pezão. Ele é um peso-pesado natural. Não digo que o Overeem usou algo ilegal, mas ele era um meio-pesado que forçou a barra para subir de peso. O Pezão não, é um peso-pesado natural, tem uma mão que onde pega não é brincadeira, bate pesado mesmo… Muita gente não conhece ele. Veja as lutas dele contra caras como Fedor, Mike Kyle, Tom Erickson, Arlovski, Ricco Rodriguez. O Pezão não pode ser subestimado, ele não é de brincadeira.

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