Fotógrafo do PR cria equipamento para registrar imagens da natureza

Hudson Garcia diz que algumas imagens tiveram 10 anos de planejamento.
Fotógrafo diz que prepara segundo livro da carreira sobre a fauna.

Fotógrafo se apaixonou por imagens da natureza em 1996 (Foto: Hudson Garcia)

Há 18 anos trabalhando com fotografia, o paranaense Hudson Garcia criou um equipamento especial para registrar imagens de animais em alta velocidade. Dentre os mais recentes trabalhos do fotógrafo, está uma série especial de insetos em movimento. O trabalho, além de dinheiro, conforme Garcia, exige muito tempo de planejamento e dedicação. “Algumas das imagens eu passei dez anos pensando em como fazer”, conta.

Hudson começou a fotografar com 14 anos, em 1994. O hobby de adolescente e o amor pela natureza cresceram junto com ele, que chegou a estudar Biologia, mas trancou a faculdade. Formou-se em Direito. “Foi como uma garantia. Tive a sorte de poder continuar com as fotos”, diz.

Após perder parte dos equipamentos durante uma saída, Hudson precisou criar alternativas
(Foto: Hudson Garcia)

A paixão pelas fotos de natureza começou quando em 1996 conheceu o trabalho de um fotógrafo inglês, especializado no tema. A partir daí, decidiu seguir o mesmo caminho, mas esbarrou nas limitações dos equipamentos disponíveis. “Não há qualquer equipamento no mercado que se possa utilizar nesse tipo de foto. Cada fotógrafo precisa criar o seu”, explica Garcia.

Hudson se formou em Direito, mas largou a
profissão pelo amor à fotografia
(Foto: Arquivo pessoal)

Armadilhas da fotografia
O fotógrafo diz que o único aparelho que existe para fazer fotos de grandes animais é a chamada armadilha fotográfica, na qual um sensor capta o momento em que um animal atravessa o campo de visão da lente e a máquina dispara sozinha. “Tentei usar as armadilhas, em 2001. Mas deu uma chuvarada e acabei perdendo tudo”, lembra Garcia.

Desde então, ele desenvolve equipamentos que possam suprir as dificuldades. Dentre elas, está a demora no tempo de resposta das máquinas fotográficas atuais, ou seja, o tempo que a máquina leva para gravar a imagem a partir do momento em que o botão de disparo é acionado. “Nos modelos que existem hoje, o tempo fica entre um quarto e um oitavo de segundo. Eu consegui reduzir isso para um centésimo de segundo”, revela.

Além disso, o fotógrafo também sofre com o tipo de lente utilizada. As lentes do tipo macro ampliam o objeto, mas deixam ao fotógrafo um espaço muito pequeno para trabalhar o foco no fundo das imagens. “O problema, nesse caso, é que animais como os insetos se movem muito rápido e isso faz com que você perca o foco da imagem muito rapidamente”, pontua.

Para ele, a melhor maneira de evitar o problema é o planejamento detalhado de cada imagem que será fotografada. “Para cada saída é necessário avaliar as condições meteorológicas. Em dias de chuva, você pode ter problemas elétricos ou eletrônicos. Quando tem sol em excesso, isso interfere nos sensores da câmera”, diz Garcia. Segundo ele, os fotógrafos que se aventuram nessa área não podem sair a campo a esmo, para registrar o que encontrarem pela frente.

Fotógrafo diz que o planejamento é a maior dificuldade para se captar algumas imagens (Foto: Hudson Garcia)

Digital x Analógico
Garcia conta que atualmente usa apenas equipamentos digitais para fazer os trabalhos. Antes de ter esse tipo de câmera, ele preferia usar slides fotográficos, mas o filme precisa ser importado dos Estados Unidos e isso aumenta os custos. Outro problema é a revelação. “A qualidade no Brasil é muito ruim, pois quase não há mais demanda para esse tipo de serviço”, avalia.

O fotógrafo considera que é inviável continuar trabalhando com o material analógico. “É muito difícil encontrar um scanner profissional para digitalizar as imagens depois”, diz.

Primeiro equipamento
Quando entrou no mundo da fotografia digital, Garcia comprou uma câmera Nikon D200. O modelo, na análise dele, era muito deficitário, pelas necessidades que o trabalho exigia. “Não conseguia fotografar com ISO maior que 400”, lembra. A taxa ISO corresponde à sensibilidade de luz do sensor da câmera ou do filme fotográfico.

Há pouco mais de um ano, ele adquiriu uma nova câmera, da mesma marca. O modelo D3S, conforme Garcia, é bem superior. “Antes, as fotos com alta sensibilidade ficavam granuladas. Mas agora faço fotos com ISO 3000 e as imagens ficam melhores do que as da outra câmera”, afirma.

Hudson está preparando um livro sobre a fauna de Florianópolis (Foto: Hudson Garcia)

Reconhecimento
O trabalho de fotógrafo da natureza, apesar de gerar belas imagens, não é comercialmente rentável, de acordo com Garcia. “Os grandes bancos de imagens compram poucas fotografias desse tipo. Vivo basicamente de fazer livros sobre o tema”, conta.

A mais recente publicação do fotógrafo é um livro sobre a natureza do oeste paranaense. Em “Parque Nacional do Iguaçu, patrimônio natural da humanidade”, ele retrata animais que vivem na área protegida por lei, em Foz do Iguaçu. A publicação foi feita em parceria com Carlos Renato Fernandes.

Além desse, o projeto do próximo livro já está em andamento. “Quero fazer um livro sobreFlorianópolis, para retratar a natureza não só da Ilha , mas das outras que compõem o entorno da cidade. Já tenho o projeto aprovado pela Lei Rouanet e agora estou em busca de patrocinadores para arcar com os custos”, conta.

Além dos livros, o trabalho de Hudson Garcia pode ser conferido no site que ele mantém na internet.

Dificuldades passam desde a escolha dos equipamentos, até as condições meteorológicas
(Foto: Hudson Garcia)

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