Fique conectado

Internet

Mulheres são vítimas em 70% das violências de gênero na internet

Exposição e compartilhamento de fotos íntimas tem consequências graves entre as vítimas, que vão desde submissão à ameaças até suicídios.

Publicado em

416

(Foto: Reprodução)

“Comecei a morrer. Me sentia queimada viva. Virei motivo de chacota na cidade toda. As pessoas achavam que eu estava me vendendo.” O depoimento é de Rose Leonel, 48 anos, vítima de divulgação de conteúdo íntimo na internet. Há 12 anos, ao terminar um relacionamento, ela passou a ser ameaçada pelo então companheiro.

Entre outros delitos contra a mulher, o crime de exposição de conteúdo sexual na internet ainda é completamente subnotificado. Apesar disso, a ONG SaferNet, que funciona como uma rede de apoio às vítimas, recebeu 298 denúncias de exposição de conteúdo íntimo on-line. Do total, 204 são casos envolvendo mulheres. Isso significa dizer que 70% dos casos têm mulheres como vítimas.

Do total, 204 são casos envolvendo mulheres como vítimas (Foto: Janeb13/Pixabay)

Nos outros 85 casos envolvendo o gênero masculino, o psicólogo e diretor de educação da Safernet, Rodrigo Nejm, esclarece que são casos envolvendo divulgação de conteúdo sexual de homossexuais. Os dados foram compilado no recém-lançado Dossiê Violência Contra a Mulher em Dados, do Instituto Patrícia Galvão.

De acordo com o dossiê, a PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada em fevereiro de 2018 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016 o Brasil tinha 116 milhões de pessoas conectadas à internet, o que equivale a 64,7% da população com idade acima de 10 anos.

Nesse cenário de inclusão digital, a violência de gênero se estendeu e se potencializou nas plataformas online de forma sem precedentes. Não apenas o sexting, mas outras violações contra as mulheres também passaram a ganhar força. Para se ter ideia, em 2017, o assédio foi o 26º assunto mais comentado da internet. Segundo dados do dossiê, nos últimos três anos, as menções ao termo cresceram 324%, com destaque para o assédio virtual, que registrou crescimento de 26 mil %.

Sextorção

O ciclo de violência que se instaura sobre a vítima é conhecido como sextorsão ou a ameaça de se divulgar imagens íntimas para forçar alguém a fazer algo por vingança, humilhação ou extorsão financeira. “É uma forma de violência grave, que pode levar a consequências extremas como o suicídio”, afirma Nejm.

Os casos podem ocorrer quando alguém finge ter posse de conteúdos íntimos como forma de iniciar ameaças ou ainda pode ser um blefe com o objetivo de obter vantagem. “Não se tem o entendimento de que meninas e mulheres têm plena liberdade sexual e ninguém tem o direito de expor isso.”

“Ele ameaçou destruir a minha vida e foi isso que ele fez. Me aniquilou”, diz Rose que teve fotos íntimas vazadas pela internet. Segundo ela, o ex-marido fez montagens com conteúdo pornográfico e distribuiu por toda a cidade de Maringá, no Paraná. “Ele mandou 15 mil emails com fotos minhas, distribuiu CDs em condomínios e folhetos em comércios da cidade.”

Desligada do emprego, ela lembra que chegou a receber um e-mail do chefe dizendo que a empresa não queria uma funcionária como ela naquele ambiente profissional. “Perdi meu trabalho, meu amigos e a minha vida”, afirma. Rose conta que o filho foi embora do País e a filha sofria bullying por parte de alunos e professores. “A sua identidade é completamente roubada, ocorre a perda total do seu eu.”

Um dos fatores que agrava a subnotificação é o desconhecimento (Foto: Reprodução/Jornal de Brasília)

Como denunciar

O compartilhamento de imagens íntimas na internet é crime. No entanto, segundo o psicólogo, como no Brasil há uma violência explícita contra a liberdade sexual de meninas e mulheres há uma visão misógina por trás da disseminação desse tipo de conteúdo. “Além disso, existe uma ideia de que o corpo da mulher é propriedade pública junto a ausência de educação sexual”, diz ele.

Um dos fatores que agrava a subnotificação é o desconhecimento sobre como denunciar esse tipo de crime. Uma pessoa que compartilha um conteúdo íntimo na internet, um nude vazado, por exemplo, pode responder por três atos infracionais diferentes: produção, posse e distribuição de pornografia.

Além de procurar a delegacia para fazer o boletim de ocorrência, a vítima pode também pedir a remoção do conteúdo divulgado sem consentimento. De acordo com o artigo 21 do Marco Civil da Internet, nesse tipo de crime, a vítima pode pedir às empresas de redes sociais para retirar o conteúdo das páginas. No caso do Whatsapp, o procedimento é um pouco diferente. Como não se trata de um site, a vítima precisa “exportar” a conversa com o conteúdo sexual para um e-mail e encaminhar na delegacia de polícia. “Isso é a materialidade da prova”, diz Nejm.

Para o especialista, para modificar esse cenário, é preciso trabalhar também a conscientização, sobretudo, entre jovens. “Essa forma de violência sexual vem sendo banalizada na adolescência”, afirma ele. “É preciso sensibilizar esse jovem e reafirmar que a culpa é de quem vaza, de quem expõe. Nada dá o direito de uma pessoa espalhar algo que não é seu. Repassar esse tipo de conteúdo é um ato de violência. Como não se vê o sofrimento do outro, as pessoas não consideram uma forma de violência.”

Reconstrução

Desde 2013, porém conseguiu reconstruir sua vida gradualmente. Com a condenação do marido, Rose se sentiu estimulada a ajudar outras mulheres vítimas de divulgação de conteúdo íntimo pela internet. “A cada clique me sentia violada novamente.”

“Com a divulgação dessas fotos, sofremos uma morte civil. Dessa etapa até a pessoa sentir vontade de tirar a própria vida é apenas um passo.” Ela conta que teve de sair de Maringá para encontrar apoio psicológico e jurídico. Hoje, por meio da ONG Marias da Internet ela oferece esse tipo de apoio a outras mulheres.

Quando foi lançada, a ONG recebia entre duas e cinco denúncias por mês. Hoje, recebe de dez a 15 denúncias. “A mulher é sempre culpabilizada, queria e precisava tentar interromper esse ciclo”, afirma.

Internet

Confira dicas importantes para manter sua privacidade online

Veja algumas dicas que a Cabonnet separou pra você.

Publicado em

Do AssisNews

Muitos acham que a internet tirou a nossa liberdade, mas existem alguns cuidados que ajudam a conservar a nossa privacidade.

Confira algumas dicas que a Cabonnet separou pra você:

✔Verifique as configurações padrões das mídias sociais. Existem coisas públicas que seriam melhores se estivessem visíveis apenas para você.
✔ Use sempre senhas seguras e longas.
✔Reveja as permissões para aplicativos, muitos aproveitam delas para adquirir informações privadas sobre você.
✔Evite redes de WiFi e caso esteja conectado em alguma delas não use informações muito pessoais, como logins, senhas, dados de cartões de crédito, entre outros.

O que achou dessa dica? 😊

#Cabonnet #JuntoseConectados #Privacidadenainternet

Continue lendo

Internet

Anatel aprova frequências que servirão para 5G no Brasil

Próximo passo é definir relator para edital de licitação das frequências. Faixas escolhidas foram 2,3GHz e 3,5GHz.

Publicado em

Do G1
Anatel aprova frequências que servirão para 5G no Brasil

A Anatel deliberou nesta quinta-feira (23) o destino e a regulamentação sobre o uso das faixas de 2,3 GHz e 3,5GHz, que serão usadas para a internet móvel de quinta geração, o 5G.

Segundo a Anatel, a faixa de 2,3 GHz é um importante para alinhamento com sistemas mundiais do tipo IMT (sigla em inglês para Telecomunicações Móveis Internacionais), enquanto que a faixa de 3,5 GHz é tida por muitos como a porta de entrada para as redes de altíssima velocidade da quinta geração de telefonia.

“A aprovação dessas duas matérias é um passo importante para o processo licitatório no qual temos trabalhado, para que seja contemplado o interesse nacional”, destacou em nota o presidente da Anatel, Leonardo de Morais.

O próximo passo é determinar um relator para o edital que será aberto para o leilão das redes no ano que vem. Depois, o edital irá para uma consulta pública.

Segundo a Anatel, a destinação das frequências levou em consideração blocos, arranjos, distribuição geográfica e contrapartidas a serem exigidas dos vencedores da futura licitação, até possíveis medidas preventivas e corretivas para mitigar eventuais interferências prejudiciais entre os sistemas de radiocomunicação.

Continue lendo

Facebook

Zuckerberg fala em unificar WhatsApp, Instagram e Messenger

O projeto foi citado num longo texto publicado no perfil do executivo.

Publicado em

Agência Estado
Zuckerberg fala em unificar WhatsApp, Instagram e Messenger

Mark Zuckerberg confirmou nesta quarta (6), a intenção de unificar todos os apps da empresa usados para comunicação, o que inclui WhatsApp, Messenger e Instagram. O projeto foi citado num longo texto publicado no perfil do executivo que tenta delinear o futuro da rede social no segmento de mensagens privadas.

A ideia é que cada usuário em um serviço possa se comunicar com usuários dos outros apps. Por exemplo, um usuário de WhatsApp mandar uma mensagem diretamente para um perfil no Instagram. O plano envolve também a possibilidade de responder mensagens SMS por meio dos apps da empresa.

Zuckerberg não deu data para a integração – em janeiro último, o New York Times afirmou que a companhia já trabalha no projeto. Isso levou reguladores europeus questionarem a empresa, pois consideram que isso pode afetar a privacidade dos usuários. Por enquanto, o executivo diz apenas que as pessoas poderão optar ou não por participar dessa plataforma mais ampla, e que os usuários poderão manter ativas suas contas em cada um de seus serviços.

“Há muitas questões aqui que demandam mais consultas e discussões. Porém, se pudermos implementar isso, poderemos dar para mais pessoas a escolha de usar seu serviço preferido para fazer com segurança contato com as pessoas que quiserem”.

Para o executivo, parte do desafio para tornar a unificação realidade é manter a privacidade dos usuários – boa parte do texto se debruça sobre como o Facebook pode preservar a privacidade dos usuários. Ele diz que planeja implementar criptografia em todos os seus apps, recurso existente apenas no WhatsApp atualmente. Porém, ele diz que é necessário encontrar um equilíbrio para identificar criminosos na plataforma.

“Compreendo que muita gente não acredita que o Facebook poderia ou gostaria de construir uma plataforma focada em privacidade – porque, francamente, não temos uma forte reputação para construir serviços que protegem a privacidade, e historicamente focamos em ferramentas mais abertas”, disse.

Continue lendo
WhatsAssp AssisNews
Publicidade

FaceNews

Mais lidas