Após ter áudio vazado de diretor instruindo uma médica sobre internação de pacientes, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Ourinhos nomeou um novo diretor. O nome foi divulgado nesta quarta-feira (4) pela direção da Organização Pró-vida, que administra a unidade de saúde.
Segundo a direção, o médico nomeado é Henrique Bernardes, que atua na área desde o 2012. Membro da equipe de cirurgia da Associação da Santa Casa de Misericórdia, ele também é coordenador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) da cidade.
A diretoria da UPA estava indefinida desde o dia 27 de fevereiro, quando o então diretor, Jan Chryslen Silva da Costa, teve o áudio vazado. Na gravação, ele afirma que só era para internar em caso de morte.
A administração da UPA confirmou, em nota, que o áudio foi enviado via WhatsApp pelo diretor para a médica que fazia parte do corpo clínico da unidade emergencial de saúde. Ele foi afastado após a divulgação do áudio feita por um vereador durante a sessão da Câmara dessa semana.
Na gravação, é possível ouvir o profissional dizendo que a unidade já transferiu todos os pacientes possíveis para a Santa Casa da cidade. Por isso, a orientação é não internar os pacientes, a não ser que eles fossem morrer.
“É para internar só se o paciente for morrer. Se o paciente não for morrer, não interna. Manda para casa, faz receita. Não é para internar se o paciente for ficar com “coisinha” no UPA. (…) A gente já mandou tudo o que tinha para mandar, não tem mais canto nenhum na Santa Casa”, diz no áudio.
Em nota, o diretor afastado da UPA, Jan Chryslen Silva da Costa, informou que o diálogo foi divulgado fora de um contexto e que a intenção dele era evitar internações desnecessárias.
“Sobre o teor do áudio, é necessário esclarecer que a minha intenção era resolver um problema recorrente na UPA, consistente na realização de internações desnecessárias, por determinados plantonistas, com o simples propósito de adiar a solução do caso e transferir a incumbência para o médico que assumisse o próximo plantão”, afirma o diretor na nota.
Sobre a orientação de que era para internar só no caso do paciente que fosse morrer, o diretor informou que “as palavras que usei no áudio podem soar agressivas a pessoas que não são médicas, mas são termos comuns, entendidos perfeitamente por quem atua na área, os quais se referem a casos de grande gravidade.”
O diretor destaca ainda que já consultou seus advogados para tomar as medidas cabíveis em relação a divulgação do áudio.

Processo administrativo
Diante das constatações, a Organização Social Pró-Vida, que administra a UPA 24h, abriu um processo administrativo para apurar as circunstâncias do fato.
A empresa disse também que as palavras do diretor da UPA não correspondem às convicções da organização, que lamenta o fato e informa que considera a possibilidade de acionar medidas judiciais cabíveis para o seu devido esclarecimento.
A médica que recebeu o áudio foi demitida após a orientação do diretor. A profissional relatou sofrer perseguições do médico, além de críticas constantes pelos pedidos de internações. Ela disse à TV TEM que não acatou a ordem do diretor porque ela foi “absurda”.
“Em primeiro lugar, vem os meus pacientes. Tenho que tratá-los com respeito e a ética médica me manda usar de todos os meios necessários para um diagnóstico mais preciso, e era isso que eu sempre fiz”, admitiu a profissional.
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