Desci lentamente
As escadas do meu coração.
E ao abrir as janelas do passado
Avistei sob uma escrivaninha antiga, vários objetos
Entre eles, um porta-retrato com a sua foto,
E um abajur sobre um livro.
Na parede, uma janela com vista para o quintal
E um relógio antigo parado no tempo,
Marcando ainda à hora em que você partiu.
Parei e fiquei olhando e observando tudo em minha volta
Pensando se devia seguir em frente.
Confesso que hesitei em saber o que fazer
Por não saber se era fruto ou não da minha imaginação.
Mas criei coragem e continuei a caminhar
E não foi surpresa para mim
Ao abrir a gaveta da escrivaninha, encontrar um bilhetinho
Que dizia mais ou menos assim:
Ontem éramos três! Eu, você e a felicidade…
Hoje somos dois! Eu e a saudade…
Junto ao bilhetinho, uma caixinha de música
Que admito não ter tido coragem
Nem iniciativa de pegá-la e nem tão pouco de ouvi-la.
Meu pensamento neste instante
Viajou no tempo e no espaço, fazendo lembrar-me de coisas
Que na realidade eu nunca vou querer me esquecer
Como dos seus beijos e de seus abraços.
Ao perceber que não iria resistir
E que iria chorar copiosamente como uma criança
Caminhei até a mesa,
E sobre o pó, que a cobria totalmente
Escrevi o seu nome junto ao meu, dentro de um coração
Ao lado de um vaso com rosas, murchas pelo tempo.
E pensando outra vez,
Em tudo que existiu um dia entre nós
Subi rapidamente de volta às escadas do meu coração
E tranquei para sempre,
As janelas do meu passado.
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