Muito elegante
De lencinho amarelo no pescoço,
Ela foi chegando.
Com seus livros, réguas, esquadros, transferidores e compasso…
Para ministrar uma aula de geometria.
Indagando se a matéria em pauta naquele dia,
Seria sobre ângulos, triângulos, quadriláteros, polígonos, pirâmides ou teoremas e planos…
Pois a professora titular havia faltado.
Neste momento,
Um silêncio pairou sobre toda a sala de aula.
Deixando no ar um mistério,
Que envolviam, desde sua roupa, pulseira, colar, brinco, anel…
Até um perfume sedutor.
Não tinha como ficar indiferente,
Tudo o que vinha daquela professora graciosa
De nome Annabella…
Tinham o objetivo de deixar-me encabulado,
Considerando a forma como ela me olhava e eu a observava.
Do interesse em dirigir-se sempre a mim,
Para saber se tinha ficado alguma dúvida sobre a matéria.
Não podia ser coincidência,
Aquele olhar misterioso, aquele andar elegante, aquela voz amorosa…
Deixa-me inquieto,
Pressentindo um perigoso e atraente jogo de esconde-esconde.
Bastando que eu apenas sorrisse,
Para ficar perdido para sempre, no labirinto das linhas e formas geométricas
Utilizados nos cálculos de matemática, expostos no quadro negro.
Uma professora atraente,
Que surgiu do nada, como num passe de mágica.
O tempo voou, a aula terminou…
Ela agradeceu pelo acolhimento, foi pegando sua bolsa e demais pertences
E saindo discretamente,
Com jeito de quem queria dizer alguma coisa.
Tentei obter algumas informações sobre ela na secretaria
Mas ninguém soube me dizer nada.
No final do semestre, mesmo com a aprovação
Sobre o Teorema de Pitágoras, Teorema de Tales e o Plano Cartesiano
Tive a sensação de reprovado.
Ao recordar-me da professora Annabella…
Da sua aula de geometria,
E do ingênuo coração de um jovem adolescente.
Que desfrutou por algumas horas,
De um amor platônico.
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