Quando o bumbo parar de bater, quando o a bateria da Escola para de tocar, a fantasia for despida e a rainha da bateria voltar a ser a mesma pessoa singular dos outros dias normais, quando o sol ofuscar as luzes coloridas da avenida, quando o Rei voltar a ser apenas o motorista ou o cobrador do coletivo, quando o glamour der o lugar para o barraco encostado no morro, a quarta virou de cinzas.
365 resumidos em 4 dias, sábado, domingo, segunda, terça , lá na passarela do samba que iguala a dona de casa com a majestosa celebridade, sob o calor dos aplausos e a apreensão da apuração das notas na quarta, de cinzas, que alegria, que tristeza, a vida depois volta a ser a mesma monotonia de sempre, da falta de grana no bolso à fila no posto de saúde.
Não deixem o samba morrer, não deixem o samba acabar, para muitos é a única razão de soltar um sorriso, no ritmo da cuíca, que sabe que se acabará nas cinzas de quarta, se chorou ou sorriu, não importa, o importante foi viver aquela eternidade finita no corredor da glória do sambódromo, sob a luz dos holofotes e aplausos de delírio.
Tudo acaba e na quarta vira cinza, voltam a ser Beneditos e da Silva, apenas mais um passando os olhos nas folhas de jornais atrás de algum emprego, enquanto muitos não conseguiram nem terminar a folia, agora só resta esperar mais um ano, pra voltar a brilhar como uma estrela cadente, onde muitos nem viram, 4 dias passam rápido demais .
A pressa que não tivemos antes
Por isso, não provoque a cor de rosa choque