Fraudes em contratos de água e esgoto podem chegar a R$ 150 mi

Diretor da TCM está envolvido no caso e com mandado de prisão temporária decretada. Consumidor era obrigado a pagar 10% a mais pelos serviços.

Operação Águas Claras

Os desvios nos contratos de licitações públicas investigadas pela operação Águas Claras podem chegar a R$ 150 milhões, de acordo com a Polícia Civil. Segundo a promotoria, os consumidores das cidades onde aconteceram as fraudes foram obrigados a pagar 10% a mais nas contas de água e esgoto.

O homem apontado como chefe dos esquemas foi preso na manhã desta segunda-feira (12) em São Paulo. Reinaldo Costa Filho é dono da empresa Allsan, que, segundo a polícia, liderava o grupo de 29 empresas especializadas em fraudes de licitações de órgãos públicos e autarquias que administram os sistemas de água e esgoto em vários estados e no Distrito Federal.

O ex-diretor geral do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba (SP) Pedro Dal Pian também foi preso por policiais da Delegacia Antissequestro da cidade. Houve prisões ainda em Florianópolis (SC) e Goiânia (GO).

Entenda o caso
As prisões fazem parte dos 18 mandados da operação, que começou com o objetivo de apurar fraudes em licitações no Saae de Sorocaba. Com a evolução das investigações, a Polícia Civil descobriu que as empresas participantes do esquema fraudavam várias outras licitações pelo Brasil. Essas empresas faziam parte de uma associação, que organizava os esquemas de fraudes.

De acordo com o promotor do caso, Wellington Veloso, as investigações já duram cerca de um ano. Além dos mandados de prisão temporária, também são cumpridos 25 mandados de busca e apreensão. No início da manhã desta segunda-feira, oito pessoas haviam sido presas.

A investigação já identificou as empresas Allsan Engenharia, Enorsul, Job Strategos, Sanear, SCS, de São Paulo, TCM e HR, de Assis (SP), Construtora Santa Tereza, de Goiânia (GO), Floripark e RDN, de Santa Catarina (SC). Segundo a polícia, estas empresas formaram uma quadrilha sob o nome de “Associação Brasil Medição”, com sede em São Paulo. Essa organização escondia reuniões onde o esquema para burlar as licitações era combinado. Eram determinados os termos de editais e decididos quais empresas iriam vencer.

Segundo o Ministério Público, “foi possível identificar a prática de ajustes e combinações em procedimentos licitatórios instaurados ou em vias de ser instaurados” nos municípios paulistas de Barretos, Jardinópolis, Caraguatatuba, Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela, Botucatu, Diadema, Sertãozinho e Jundiaí. Também passam pela investigação as autarquias do Distrito Federal, São Leopoldo (RS) e Piauí.

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