[dropcap]C[/dropcap]om a justificativa de que o prédio passa por uma reestruturação para ampliação de leitos, a direção da Santa Casa de Assis (SP) mandou cobrir as pinturas feitas por um artista plástico na ala pediátrica do hospital.
O ato causou polêmica na cidade, principalmente entre as pessoas que participaram do projeto, feito de forma voluntária. A TV TEM não foi autorizada pela Santa Casa a fazer imagens do local.
A tinta branca cobriu as cores vivas que davam colorido e alegria ao setor pediátrica há apenas nove meses. O artista plástico Anderson Lemes, conhecido como “Alemão”, foi responsável pela pintura e tem várias obras espalhadas pelo mundo.
Para colorir o setor na Santa Casa, foram três dias de trabalho pintando cada detalhe, desde as paredes do corredor até a brinquedoteca. Anderson contou com a ajuda de voluntários para colorir as paredes, trabalho que não teve custo para a Santa Casa.
“Tinha até um menininho que estava com soro e ele queria ficar vendo, me pediu um desenho e esse é o maior pagamento. Também teve um senhor que saiu de outra ala para ver me disse que os hospitais deveriam ser assim”, conta o artista.
A pintura fazia parte de um projeto criado pelos estudantes de Psicologia da Unesp de Assis com a intenção de levar cor à ala pediátrica da Santa Casa, tornando um ambiente mais aconchegante, principalmente para as crianças.

As estudantes que participaram do trabalho disseram que a ideia foi aceita rapidamente pelos pacientes.
“As crianças estavam lá em um ambiente que, até então, não conheciam, que não é agradável, é um hospital. A ideia de pintar foi para trazer mais vida, mais alegria, e isso também ajudava a subsidiar o nosso trabalho, porque nós vamos ao hospital todo a semana para brincar com elas, para elas terem um acolhimento, e ajudá-las a elaborar o que está acontecendo”, destaca Ingrid Salgueiro.

Porém, a ação da nova diretoria, que pintou as paredes de branvo, acabou se tornando uma surpresa desagradável para quem trabalhou no projeto.
“Nos sentimos desrespeitados em tudo que a gente acredita, porque foi um trabalho feito ali que tinha um significado e não foi levado em consideração”, ressalta a estudante Roberta Capuano.
O autor da obra só ficou sabendo da decisão dias depois. “Eu fiquei chateado por ser um trabalho que fiz sem cobrar absolutamente nada para justamente quebrar essa concepção de hospital, e foi apagado sem uma justificativa plausível, ao meu ver”, frisa Alemão.

Ainda de acordo com a Santa Casa, a pintura das paredes faz parte das obras de reforma no hospital para ampliação dos leitos de adultos da ala, antes ocupada somente pelas crianças.

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